Esta é a pergunta que me faço todos os dias quando leio a tira dele na Folha de S. Paulo. E a única resposta a qual consigo chegar é que o verdadeiro Laerte foi raptado por alienígenas e no lugar dele colocaram um replicante. Só pode ser isto, porque esse Laerte que está aí não é o Laerte que eu conheço. Não é o Laerte que eu cresci lendo. Não é o Laerte dos Piratas do Tiête. Definitivamente não é.

Sinceramente, não aguento mais essa fase surtada dele. Eu quero o velho Laerte de volta. Sabe, eu até curto algumas tiras dessa nova fase dele, como essas que estão ilustrando o post. Algumas delas são realmente geniais. Mas são raras diante da profusão de excelentes tiras que ele fazia antigamente. É normal que um cartunistas alterne tiras boas com tiras ruins, pois não é fácil manter a qualidade sempre lá em cima quando se publica tiras diárias, mas espera-se ao menos que o cartunista mantenha a média, algo que na minha opinião o Laerte não está mais fazendo.
Os admiradores do Laerte surtado provavelmente vão dizer que não gosto dessa nova fase dele porque não entendo suas tiras. Vou confessar, eu não entendo mesmo. A reação que tenho quando as leio é muito parecida com a da tira do Alan Sieber abaixo (que aliás, é sensacional, e não duvido nada que tenha sido uma referência a atual fase do Laerte).

No entanto, não é que me falte conhecimento para entendê-las. Creio não ser esse o caso. Fiz colegial técnico de processamento de dados, me formei em História, e agora estou cursando Letras. Também sou uma pessoa que lê bastante, e de tudo um pouco. Acredito então que possuo um arcabouço cultural suficiente para compreender essas tiras do Laerte (ou ao menos tocar esta compreensão de leve). Mas nada. Não consigo enxergar graça nenhuma nelas.
Mas aí vocês poderiam me dizer também que estas tiras não são para serem engraçadas. Concordo. A questão é que elas também não me causam nenhuma outra reação. Elas não me fazem rir, mas também não me fazem chorar. Não me fazem ter ódio, nem compaixão. Não me amedrontam nem me surpreendem. Enfim, me causam apenas indiferença. Quando leio estas tiras, geralmente penso “Humm, talvez eu tenha mais sorte com o Gonsales” e então pulo direto pra tira do Níquel Náusea (aliás, o Fernando Gonsales é ótimo exemplo de como manter o nível de qualidade constante em uma tira).

Descobri através do Inagaki que esta fase surtada do Laerte se deve a morte de seu filho (e depois o próprio Laerte acabou revelando isso em uma entrevista pra Folha). De fato, a morte de um filho é explicação mais do que plausível pra uma mudança de direção tão forte na obra de um artista. A partir disso, suas tiras se tornaram mais dionisíacas e menos apolíneas. Ou seja, para abstraí-las, é preciso deixar a razão de lado e utilizar apenas suas emoções mais primitivas, num estado quase de transe (talvez um chazinho pode te ajudar nisso). Posso estar viajando, mas é como se o Laerte estivesse tentando através de suas tiras retornar a “unidade indiferenciada primordial” – pra utilizar um termo de Schopenhauer – ou “mistureba generalizada do universo” – pra utilizar outro termo pra mesma coisa, só que bem mais divertido, do Douglas Adams (aliás, se ele fosse filósofo, daria de dez a zero no Schopenhauer). Enfim, isso tudo quer dizer que essa tiras não são pra serem compreendidas, mas sim para serem sentidas.
Mas apesar dessa pseudo-explicação-filosófica-intelectualóide do parágrafo anterior, na verdade o que eu acho que aconteceu com o Laerte é que ele perdeu o tesão. Ele não se sente mais empolgado com a “guerrilha cartunesca” como antes. Aliás, isso é algo que está acontecendo com todos os outros cartunistas de sua geração, como o Angeli e o Glauco. Todos eles agora estão “em crise”. O que é uma pena.

Tanto é que hoje em dia me sinto muito mais empolgado pela produção dessa nova geração de cartunistas (que estão longe de estarem em crise) como o Alan Sieber, André Dahmer, Arnaldo Branco, e alguns ainda nem tão “famosos” como o Claudio Mor, Thiago Cruz, Leonardo Pascoal, Pablo Mayer, Raphael Salimena, e por aí vai. Tenho certeza que se essa galera toda estivesse publicando diariamente na Folha no lugar dos “cartunistas em crise”, iriam aproveitar o espaço de maneira primorosa.
Mas voltando ao Laerte, talvez eu esteja sendo chato demais e até passe algum dia a gostar dessa nova fase dele. Devo reconhecer que ele está de fato explorando a linguagem das tiras diárias no seu limite. E todo artista que faz esse experimentalismo, acaba sofrendo uma certa rejeição. Mas bem que ele podia dar uma pausa e quem sabe trazer a sua trupe de personagens de volta. Seria bem legal poder ver o Capitão e seus Piratas navegando novamente pelas águas putrefatas do Tietê.

Fica fácil por a culpa de tudo numa coisa ruim, o fato é que o Laerte é um pé no saco, e a FSP deve publicar suas tirar por dó.
Resolvi procurar informações sobre o Laerte (tentando achar outras tirinhas além das que estão no mais-que-desatualizado-site dele) e acabei caindo aqui.
Gostei muito do seu post sobre as tiras do Laerte, e fiquei muito feliz algo tão bem escrito, articulado e que também sente falta do Laerte do Piratas do Tietê, do Overman e dos gatos…
JuPisa, passados quase um ano desde que escrevi este artigo, já passo a apreciar um pouco mais essa fase surtada do Laerte. Mas ainda assim, acho que ela não chega nem perto da qualidade do trabalho dele anterior, principalmente na fase dos Piratas do Tiête.
E obrigado pelos elogios! =)
Sua falta de sensibilidade é comovente.
Pois é Daniel, nem todos os seres humanos nascem com uma sensibilidade à flor da pele.
Mas não é preciso se comover, não, pois a falta de sensibilidade nunca me atrapalhou em nada na vida, nunca me impediu de atingir meus objetivos, e nunca me impediu de realizar meus sonhos.
Caí aqui de novo meio sem querer e reli meu comentário. Acho que quem faltou à sensibilidade fui eu. O blog é seu e você acha o que quiser, não tenho nada com isso. Foi só raivinha de fã.
Quanto a entender ou não entender as tiras, acho que isso é meio subjetivo. Quando a gente come uma comida, e gosta do gosto, isso é entender a comida? Ou a gente pode gostar da comida sem entender?
Está brincando? Eu estou babando com a atual fase do Laerte! Acho que ele vem tocando em várias questões importantes, com singeleza e humor.
Daniel, vc de fato leu o meu texto? Porque se eu não consigo entender as tiras do Laerte, pelo seus comentários, fica claro que vc não consegue entender meu texto, pois do jeito que vc fala, fica parecendo que eu disse que a atual fase do larte é ruim, e não foi isso que eu disse.
O que eu disse é que eu não gosto da atual fase do Laerte, não que ela é ruim. Tanto que no final do texto reforço o quão original e experimental são as tiras dele atualmente, algo que pouco cartunistas são capazes de fazer. Mas ainda assim, continuo não gostando. Acho muito mais legal a fase dele dos Piratas do Tietê. E as tiras de Deus pra mim são muito mais geniais do que todas essas atuais.
Mas essa é minha opinião. Esse é meu gosto. E como já dizia meu avô, gosto é que nem cú, cada um tem o seu. =)
Bem… gostem da fase ou não, deixo um convite:
Para ver as tiras atualizadas do Angeli na Folha.
A Camará (http://www.camaracom.com.br) está disponibilizando as tiras publicadas na Folha de SP do último ano, com atualização diária, no seguinte site: http://camaracom.com.br/portal3/mundo-camara/quadrinhos-do-angeli/. Tem também as do Laerte, no endereço http://camaracom.com.br/portal3/mundo-camara/quadrinhos/. Pretendemos que em breve possamos manter (e mesmo ampliar o número de tiras) com a verba do google Adsense (ou seja, da publicidade). Então convido todos a visitar e a divulgar…
abraços,
Denis
sinceramente eu pensava a mesma coisa, achava as tirinhas dele uma droga, mas com o tempo eu passei a gostar dessas tirinhas, ainda n sei pq mas to achando mais massa que aa antigas
cada um tem seu gosto
Justamente, cada um tem seu gosto.
Mas o que alguns não percebem, é que não é porque você não gosta de uma coisa, que quer dizer que você ache essa coisa ruim e não é capaz de reconhecer a qualidade dela.
O juízo de qualidade técnica ou artística não está necessariamente relacionado ao seu gosto. Assim como o seu gosto não dita necessariamente a sua capacidade de dicernir a qualidade artística de uma obra.
Admiro muito o trampo do Laerte. Mas não entendo e não curti também essa “fase Surtada ” dele.
Laerte sempre foi, ao lado de Bill Watterson, minha maior inspiração. As tiras dele de Deus, Overman, Gatos, etc, sempre me serviram como modelo, sempre que estou escrevendo rola um “ok, o que o Laerte faria para resolver esta tira?”
Pois bem, depois de tudo isso, tenho que concordar com quase tudo que o post diz, mas tenho uma ressalva: as tiras atuais estão com sacadas ARTÍSTICAS e METALINGUÍSTICAS geniais. Não são humor clássico. Aliás, se bobear, nem são humor. Mas, para quem faz quadrinhos, continuam sendo uma brilhante referência. Não pra contar piada, mas pra contar histórias, e, por que não, para entender melhor este meio.
Foi pelo twitter do Dahmer que vim parar aqui, anos depois do post.
Gostei do texto, entendi seu lado. As tiras de Deus e Overman, pra mim, são as melhores. Mas essa fase, cara… tá genial!
Há tempos que curto mais essa coisa do subjetivo que tirinha com a piada no último quadrinho. Claro que tem essa alternância de qualidade e tal, mas meu… a coisa de experimentar (e ter espaço pra isso) é sempre válido.
Minha mais singela opinião.
Favoritei o blog aqui.
ApolinIa, “que talvez poDE”… Nessa hora eu desisti de ler o post. Para falar mal do trabalho dos outros, a gente tem que pelo menos escrever portugues direitinho…
Que papo é este de “compreendo mas não entendo”?
Serviu para atrair visitantes, cá vim, mas… Escrever 4700 caracteres para dizer que o novo trabalho do Laerte é válido, mas ao mesmo tempo que não é válido? Admitir que percebe a abordagem experimental e onírica, acha válida, mas ao mesmo tempo dizendo que não faz sentido, e pedindo para o artista regredir a um trabalho anterior que já esgotou?
Quem afinal está com uma crise de personalidade não é você, não?
E em tempo, Fernando Gonsales se escreve com S no sobrenome, não Z.
Barbara, obrigado por apontar esses erros de ortografia. Relendo o texto agora, percebi que há muito outros além dos que você apontou, algo que julgo válido para um texto que não foi revisado. Como dizia Hemingway, todo texto escrito pela primeira vez é uma merda.
No entanto, esses erros não inviabilizam os argumentos contidos no texto. E são apenas erros de ortografia, e não de português, já que para a linguística a língua é muito mais do que apenas a ortografia, até memo porque segundo Saussure, língua é somente a fala, e não a escrita, sendo essa apenas um registro da fala.
De todo modo, é uma pena que você não tenha lido todo o texto, pois aí teria visto que eu não falo mal do trabalho do Laerte, mas que apenas gosto mais de sua fase antiga a sua fase nova.
Acho que você tirou de algum lugar que uma tira precisa de uma receita (“três quadrinhos, uma piada que se revela no final, misture tudo e leve ao forno”) e não aceita nenhum outro tipo. Sinceramente, tanto faz, se você gosta do estilo padrão, não leia o laerte “novo”. Alias, curioso isso de o Laerte não ser mais o mesmo de quando você era criança, você é o mesmo?
Mario, o meu texto é bem claro ao dizer que compreendo a proposta experimentalista das novas tiras do Laerte mas não entendo a maior parte do conteúdo delas, e não há contradição alguma nessa afirmação.
E esse meu texto não tem o único propósito de atrair visitantes. Se você olhar atentamente, verá que ele foi publicado em outubro de 2007, então não faz sentido algum afirmar isso de um texto que já tem quase dois anos.
E justamente por já ter passado tanto tempo, minha opinião já mudou com relação ao que eu achava das tiras do Laerte na época, como disse em um dos comentários acima.
No entanto, há ainda algumas crítica contidas neste texto e que para mim ainda são válidas.
Uma delas é a inconstância de qualidade das tiras novas do Laerte comparada com as antigas. Antes ele tinha uma média muito maior de trabalhos bons do que tem hoje, e quem acompanha o trabalho do Larte desde a Balão há de concordar comigo.
A outra é com relação ao nonsense. Muita gente não gosta dessas novas tiras porque elas não fazem sentido. Já eu não acho isso necessariamente ruim. Para mim o problema é que as novas tiras do Laerte não fazem sentido e são chatas. E não precisa ser assim. É possível fazer algo nonsense e engraçado, e o Monty Phyton é a maior prova disso.
No mais, valeu por ter me avisado do erro no nome do Gonsales.
pra mim, mas do que fazer tiras boas ou tiras ruins, o Laerte me mostrou um caminho totalmente diferente que as tiras “cômicas” podiam alcançar. com certeza tem certas tiras que eu não entendo também, e às vezes uma série inteira posso dizer. mas vire e mexe saem ainda, coisas engraçadas e geniais. personagens cansam, às vezes não tem como mais arrancar graça de alguns. concordo em parte em seu texto, o Laerte meio que perdeu o tesão mesmo… aliás não seria bem essa a palavra, acho que ele mudou sua visão das coisas, de maneira drástica talvez. acontece, comigo, com você. com todos. e claro acontece com o Laerte também. adoraria rever as tiras do cabeça de Leão, mas não sei se trocaria o novo Laerte pelo velho.
Pedro, adoraria saber onde no meu texto está dizendo que uma tira precisa seguir uma receita? Tanto isso não é verdade que um dos tirista que eu mais curto hoje em dia é o Rafael Sica, que não segue nenhuma receita na produção de suas tiras. E o Rafael também costuma explorar a linguagem das tiras, e para mim, ele está conseguindo fazer isso muito melhor do que o Laerte, principalmente no que diz respeito a unir forma e conteúdo, e sem por isso se tornar chato ou demasiadamente hermético.
E eu não parei de ler o Laerte, ainda que não leio mais suas tiras na Folha pois não assino mais o jornal, mas continuo acompanhando o trabalho dele na Internet. E você tem plena razão ao dizer que não sou mais o mesmo de quando era criança, assim como não sou mais o mesmo de quando escrevi esse texto.
Resolvi ler o resto do post so porque vc aprovou e respondeu meu comentario ranzinza sobre os erros de portugues. :)
Entendi seu ponto de vista e nao concordo, mas nao sei por que fazer tanto aue por causa disso. Eu pessoalmente acho que as pessoas mudam, e prefiro que artistas mudem do que continuem iguais. Nao gosto de tudo na fase nova do Laerte (ate escrevi um post sobre a serie do Marido Empalhado, que nao entendi mesmo – mas em compensacao os Mafagafos sao geniais).
Minha opiniao eh que nessa fase nova do Laerte as tirinhas ficaram mais extremas. Quando ele acerta eh genial, e quando erra eh muito ruim.
Considerando que ele poderia passar o resto da vida repetindo o que ja fez e que eh sucesso garantido, isso torna a fase atual ainda mais corajosa.
E na boa, nao sei o que pode ser mais respeitavel em um artista (ele eh artista? Ele se considera artista?) do que ter coragem de andar pra frente.
Nao precisa aprovar esse comentario: mas num comentario ao seu proprio post (dia 2 de abril) vc escreveu “ainda que nao leiO”. Acho que vc devia estudar verbos no subjuntivo, porque eh o mesmo erro que vc cometeu no texto original. :)
(fique a vontade para me achar uma babaca, mas eu nao aguentei)
Barbara, vc reparou o lugar onde você está comentando? Se não, preste atenção! Prestou? Então, isso aqui é um blog. Mais do que isso, é um blog pessoal. O meu blog pessoal.
Portanto, não sei onde está o aue em emitir a minha opinião de gosto pessoal no meu blog pessoal. Ainda mais em um post que foi escrito há quase dois anos e vc só descobriu agora.
E por ser um blog pesoal também, eu não tenho preocupação nenhuma de revisar os meus textos como faria em um trabalho acadêmico por exemplo, e tão pouco estou preocupado em conjugar os verbos como a gramática prescritiva ordena, ou seguir qualquer regra gramatical normativa, ou ainda mais seguir a variante do português que as pessoas julguAm como culta, pois escrevo como eu falo. E se vc olhar os textoss originais de grandes escritores, verá erros gramaticais iguais aos que eu cometi aqui, e nem por isso ele deixam de ser grandes escritores, pois não é nada que não seja facilmente consertado com uma (ou várias) revisões que são feitas até o texto final ser publicado, algo que eu não faço aqui. Por minha parte, acho muito mais legal os textos originais desses caras, cheio de erros e rasuras, pois mostra o quanto eles são humanos. Mas de todo modo, obrigado de novo por me corrigir, ainda que eu nem considerO essas coisas como erro num blog pessoal onde eu escrevo despreocupadamente.
O aue nao era sobre voce. Era sobre o povo fazendo aue porque vc nao gosta (ou gosta, sei la) da fase nova do Laerte. Como se isso nao fosse um blog pessoal, e essa nao fosse a sua opiniao.
Sobre os erros de portugues, escreva como achar melhor. Todo mundo comete erros. Eu pessoalmente acho bonito quando a pessoa erra pouco, e nao muito. Mas sabe como eh, opiniao pessoal, pelo visto vc tem outra. E “tampouco” eh junto, nao separado.
Barabara, acontece que, como eu já disse, e a há toda uma tradição linguistica confirmando isso, esses erros apontados por você não são erros de português, pois a lingua não é a escrita, mas sim a fala.
E a língua possui variantes que se adaptam a cada situação, pessoas e local em que é utilizada. Eu não falo com meus pais da forma como falo com meu chefe e muito menos da forma como falo com meus amigos numa mesa de bar. Do mesmo modo, não tenho preocupação nenhuma em seguir qualquer regra normativa da gramática prescritiva ou de uma variante culta da lingua em um lugar informal como é esse blog (atitude essa que eu não faria e um trabalho acadêmico, em que eu escreveria com uma gramática e um dicionário do lado e revisaria mil vezes antes de publicar).
Portanto, seria tão pedante eu tentar falar formalmente e rebuscado numa mesa de bar quanto nesse blog informal. Assim como seria no mínimo chato ficar exigindo que as pessoas usem a variante culta numa mesa de bar e ficar corrigindo elas o tempo todo. Imagine a cena de vc falando: “a história que você estava contando tá muito divertida, mas você não deve conjulgar o subjuntivo da mesma forma que o indicativo, pois eu acho que as pessoas devem usar apenas a variante culta em qualquer situação ou local, então vá estudar mais antes de vir conversar numa mesa de bar, e agora me passe a porção de batatas, por favor”. Se você faz isso na vida real com as pessoas como faz aqui no virtual, creio que você não deva ter mais amigos, e se ainda tem, no mínimo eles não devem mais te convidar pra beber ou pra qualquer encontro informal.
De todo modo, eu teria cometido erro de português, e não simples transposição pra escrita de “vícios” de fala ou “erros” de ortografia (que é um simples erro de escrita e não de lingua), se eu construisse frases agramaticais e que não fizessem sentido nenhum, e creio não ter sido o caso em nenhum momento (tanto que vc entendeu que o “tão pouco” foi usado como advérbio de negação, ainda que a escrita estivesse errada, a gramatica interna da língua portuguesa estava correta, permitindo que vc entendesse o sentido completo da frase).
Portanto, eu vou continuar escrevendo nesse blog com erros (que não são de português), sem revisar, e isso não vai fazer com que as pessoas que o lêem deixem de entender o que eu escrevo, assim como não inviabiliza qualquer argumento contido nos textos.
Vc realmente acredita nisso tudo que vc escreveu? Que preguica.
Sim, do contrário não perderia meu tempo estudando linguistica na faculdade e lendo caras que teorizaram sobre como se dá o funcionamento da linguagem, como Saussure, Jakobson, Hjelmslev, Martinet, Chomsky, e por aí vai. Se tem algo que todos esses caras concordam, é que a competência lingüística passa bem longe de apenas decorar um monte de regras gramaticais prescritivas (ainda mais uma que foi criada de forma arbitrária, principalmente com relação a ortografia).
E eu prefiro muito mais acreditar nesses caras do que na idéia retrógada de que só existe uma única variante da lingua regida por uma gramática normativa imutável e cristalina que deve ser usada em todas as situações e locais, sendo todas as outras variantes erradas. Isso não existe. Ninguém segue regras gramaticais normativas o tempo todo, ao menos não as pessoas normais. No cotidiano e em situações informais as pessoas não conjulgam os verbos, seguem regências ou concordâncias como ordena a gramática prescritiva, e nem tem a obrigação de seguirem. E somente sendo mesmo um chato de galocha pra ficar exigindo que as pessoas sigam uma norma gramatical tida como culta nessas situações.
Nao, amigo, eu estava dizendo que fica meio ridiculo ficar vomitando termos tidos como “cultos”, como apolineo e dionisiaco, se vc sequer sabe como escreve-los. Eu tambem estudei linguistica e sei de tudo isso que vc esta falando.
E sei que nao se aplica a este caso.
Existe uma diferenca fundamental entre seguir regras de forma inflexivel e escrever de forma porca. E acho sim que vc esta escrevendo de forma descuidada. Por exemplo, escrever “retrogada” em vez de “retrograda”, que eh a grafia certa. Voce nao consegue escrever dois paragrafos sem escorregar na ortografia ou na gramatica.
Como eu posso acreditar que nao esta, igualmente, escorregando e sendo descuidado na hora de expor ideas, citacoes e autores? Se vc faz um trabalho porco na forma, minha conclusao logica eh achar que o trabalho eh igualmente porco no conteudo.
Se vc nao se deu ao trabalho de prestar atencao a grafia das palavras que escreve, como eu posso acreditar que vc presta atencao nos autores e conceitos que esta vomitando aqui?
Ué, voltou? VC não tinha fica com preguica?
De todo modo, já ficou claro pra mim que vc presta tanta atenção a forma da escrita que nao presta ateção nenhuma a seu conteúdo, pois eu nunca neguei que escrevo aqui de forma descuidada e sem revisar. Como já disse, esse blog é como uma mesa de bar, e ninguém fica se policiando pra seguir exatamente o que a gramatica normativa ordena quando está conversando numa mesa de bar, ao menos ninguem normal. E ninguém cm vida própria fica corrigindo as pessoas numa mesa de bar.
Pois ridiculo pra mim é uma pessoa ficar se gabando de ter encontrado erros de gramática em textos ecritos num blog pessoal qualquer na Internet (ainda mais num post debochado sem qualquer pretensão de seriedade) como se isso a fizesse superior as outras pessoas.
No mais, eu não faço a mínima questão que vc acredite em nada do que eu escrevo. Se vc acha que o fato de uma pessoa naõ ter cuidado com a gramatica, ainda mais numa situação informal, torna essa pessoa automaticamente um anafalbeto e idiota completo e que isso invabiliza suas idéias, q vc seja feliz acreditando nisso.
Eu acredito nisso sim. E tenho preguica sim, muita preguica. Mas eu sou curiosa e chata tambem, ai acabei voltando.
E eu nao me gabei de nada. So observei os erros. E a medida que vc foi ficando irritado eu comecei a observar mais, so para ver ate onde ia a sua irritacao e os seus argumentos pseudo linguisticos, e a vomitacao de nomes e teorias, na sua tentativa de me impressionar.
Que bobagem, ne? Eu sou boba.
PS: Ai, que bobagem isso. Desculpae se vc ficou puto com a minha trollagem. Serio. Eh que eu, pessoalmente, acho importante prestar atencao na gramatica e na ortografia, e tentar sempre escrever o melhor que se pode. Para mim isso funciona mais ou menos como parte da apresentacao pessoal, sabe? Opiniao pessoal. Se vc nao concorda, isso nao eh problema meu, ora bolas, seja feliz.
(eu tinha feito uma promessa de ano novo que nao ia mais me meter em discussoes inuteis em blogs. Descumpri.)
Oh, sim, estou morrendo de irritação por uma pessoa qualquer ficar apontando erros de gramatica no meu blogzinho. O que farei agora, meu Deus? O que será da vida desse pobre ignorante iletrado?
Enfim, se vc realemnte acha q estou tentando impressionar uma pessoa qualquer que eu nem mesmo conheço e nunca vi mais gorda que parece no meu blog pessoal em que escrevo sem pretensão nenhuma, num post mais depretensioso ainda e que foi escrito quase dois ano atrás, vc não é apenas boba, como ingênua e extremamente carente.
Vamos ver a coisa sem lentes cor-de-rosa: o Laerte agora é chato, melancólico, monótono e especialmente pretensiosíssimo.
O traço dele continua bom – mas lugar de traço e só é no museu.
Num lugar mais culto do que a Botocúndia ele já teria levado as rachadas que merece; vejamos, por exemplo, as reproduções dele de quadros clássicos: fora do contexto parecem os desenhos de Alex, 6, estudante inglês do ciclo básico, depois de visitar a National Gallery.
Cartum foi feito para rir, em graus variados: desde a gargalhada – como o cartum do Aran sobre o Cavalo de Tróia – até o sorriso irônico ao se ver a última do Fred Basset ou do Macanudo.
Outra coisa: piada particular só ganha graça se muito dosada e em casos excepcionalíssimos, como no Pére Ubu do Jarry.
Sei que o sujeito perdeu um filho e a dor deve ser grande, mas uma dose de Simancol 5.000 não ia mal. Vajam o Bill Mauldin, que abandonou a carreira no auge e depois de um Pullitzer para descansar uns anos, dar a volta por cima e voltar como um chargista excepcional.
Basta de eufemismos: está um merda. Só continua porque jornais brasileiros são meio suicidas (a Folha só perde leitores e não faz nadica) e tem os bolsos cheios do governo para garantir em último caso. O leitor que se foda. Aliás, os outros Dois Amigos – o Angeli e o Glauco – também andam uma bosta.
O Sérgio, do post anterior, tirou as palavras da minha boca. Eu há muito defendo a retirada das tiras do Laerte e do Angeli da Folha de São Paulo. Afinal, eu não leio a página de quadrinhos para refletir ou “crescer”. Eu a leio para dar risadas. Grande coisa Laerte querer experimentar em suas tiras. Quem ele pensa que é? Jung? Schopenhauer? Spinoza? Uma tirinha nada mais é do que um desenho feito para rir, senão não teria essa economia de espaço. Cabe uma piada ali, nada mais. Seus desenhos pseudoartísticos (ele deve se achar o máximo por viver desenhando bonecos com pênis – Freud explica – ultimamente). Pouco me importam os problemas pessoais dele. Eu não pago para entrar no redemoinho dos problemas pessoais de quem faz o jornal. Eles também não se importam com os meus, ainda assim não lhes cobro assinatura…ainda bem que Fernando Gonsales é mais bem resolvido emocionalmente, e não deixa a qualidade de seu trabalho cair ao longo dos anos.
Hear, hear. Completa razão. E parabéns ao Gonsales, que tira uma boa piada por dia from a diversity of creatures.