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	<title>Cadu Simões &#187; Fantasia</title>
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		<title>Grande A&#8217;Tuin</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Mar 2006 12:04:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu Simões</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Grande A&#8217;Tuin, a tartaruga estelar, tem a carapaça coberta de metano congelado, marcada por crateras meteóricas e areada com poeira asteroidal. Grande A&#8217;Tuin possui olhos como oceanos antigos e seu cérebro tem o tamanho de um continente, pelo qual os pensamentos se movem como pequenas geleiras luminosas. Grande A&#8217;tuin, das enormes, vagarosas e tristes patas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img sstyle="margin: auto; display: block; text-align: center;" src="http://i119.photobucket.com/albums/o156/homemgrilo/discworld01.jpg" alt="Great A Tuin - Discworld" border="0"></p>
<blockquote><p>&#8220;Grande A&#8217;Tuin, a tartaruga estelar, tem a carapaça coberta de metano congelado, marcada por crateras meteóricas e areada com poeira asteroidal. Grande A&#8217;Tuin possui olhos como oceanos antigos e seu cérebro tem o tamanho de um continente, pelo qual os pensamentos se movem como pequenas geleiras luminosas. Grande A&#8217;tuin, das enormes, vagarosas e tristes patas e do casco polido pelas estrelas, avança na noite galáctica sob o peso do Disco. Grande como os mundos. Velha como o Tempo. Paciente como uma rocha.<br />
(&#8230;)<br />
Grande A&#8217;Tuin, na realidade, está se divertindo à beça. Trata-se da única criatura em todo o universo que sabe exatamente aonde vai.&#8221;</p></blockquote>
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		<title>Diálogos Insólitos no MSN</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Apr 2006 12:02:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu Simões</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Jubi diz: às vezes eu odeio terry pratchett&#8230; Cadu diz: pq? Jubi diz: porque eu gosto d dar risada com gosto Jubi diz: e quando eu dou risada de alguma tirada dos livros dele, me sinto uma idiota&#8230; Jubi diz: especialmente se tiver alguém por perto&#8230; Jubi diz: porque é algo tão simples, tão simples [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jubi diz: às vezes eu odeio terry pratchett&#8230;<br />
Cadu diz: pq?<br />
Jubi diz: porque eu gosto d dar risada com gosto<br />
Jubi diz: e quando eu dou risada de alguma tirada dos livros dele, me sinto uma idiota&#8230;<br />
Jubi diz: especialmente se tiver alguém por perto&#8230;<br />
Jubi diz: porque é algo tão simples, tão simples q quase chega a ser patético, mas é genial.<br />
Cadu diz: se te conforta, isso também acontece comigo!<br />
Jubi diz: só que só de imaginar vc contar pra alguém e a pessoa te olhar com aqueles olhos de &#8220;nossa, não acredito que vc está rindo&#8230; &#8216;disso&#8217;&#8221; ou então &#8220;e daí?&#8221;<br />
Jubi diz: o duro é q aí se tem gente perto e a pessoa pergunta o q foi? eu sempre respondo &#8220;ah, é uma parte do livro&#8230;&#8221; e continuo lendo&#8230;<br />
Jubi diz: e faço com que a pessoa se sinta idiota porque eu não dou nenhuma pista do que estou lendo&#8230;<br />
Cadu diz: Incrível. Finalmente encontrei alguém que sabe o que eu passo.<br />
Jubi diz: o chato é ficar com a fama de &#8220;olha q metida, ri alto e depois fala q não é nada&#8230;&#8221;<br />
Cadu diz: Muita gente para quem eu falo de Terry Pratchett não acha graça nenhuma. E eu fico me achando um tolo. &#8220;Pô, isso para mim é tão genial, como ninguém mais vê isso&#8221;.<br />
Jubi diz: bom, eu já achei a solução.. só falo d Pratchett pra quem tem mente aberta&#8230;<br />
Cadu diz: Eu já até desisti de tentar explicar porque acho Pratchett tão divertido. A não ser se eu percebo que a pessoa possui aquele tipo de humor “pratchettiano&#8221;.<br />
Cadu diz: Pobres mortais! Não sabem o que estão perdendo.<br />
Jubi diz: se eles são felizes assim&#8230;<br />
Jubi diz: não há o q ser feito por eles não?<br />
Cadu diz: eu já pensei em exterminá-los. Quando eu dominar o mundo vou fazer isso. Todos aqueles que não entendem a genialidade de Pratchett serão mandados para um campo de concentração!<br />
Jubi diz: e o q acontece lá?<br />
Cadu diz: huum, não pensei nesta parte ainda!<br />
Cadu diz: mas será cruel!<br />
Jubi diz: bom, deixá-los lá enquanto se pensa em algo já é alguma coisa&#8230;<br />
Cadu diz: sim, e junto estarão aqueles que não gostam de douglas adams também!<br />
Jubi diz: mas e os q simplesmente desconhecem?<br />
Cadu diz: também! Ninguém manda serem ignorantes!<br />
Jubi diz: mas e o tiozinho no sertão do nordeste q não tem nem dinheiro pra comprar comida&#8230;.<br />
Cadu diz: e quem precisa de comida quando se tem um livro do Pratchett ou do Adams para ler?<br />
Jubi diz: er&#8230; hm, preciso ler Adams urgentemente&#8230;<br />
Cadu diz: sim, eu já disse pra vc que ninguem pode morrer sem ler “O Guia Mochileiro das Galáxias”. Lá está a resposta fundamental sobre a vida, o universo e tudo mais.<br />
Jubi diz: bom, até morrer ou até vc conquistar o mundo eu tenho tempo&#8230;&#8230;&#8230;.</p>
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		<title>Cavaleiros do Apocalipse</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Apr 2006 11:10:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu Simões</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os vultos em torno da mesa ergueram as cartas.Um deles levantou a mão. Fica na extremidade do braço e tem cinco dedos, disse a mente do dono da taverna. Deve ser mão.Uma coisa que o cérebro dele não conseguia bloquear era o som das vozes. Aquela ali soava como se alguém estivesse batendo em pedra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a target="_blank" href="http://www.gardenal.org/grilocaverna/Terry%20Pratchett%20-%2010.jpg"><img style="margin: auto; display: block; text-align: center;" src="http://i119.photobucket.com/albums/o156/homemgrilo/discworld02.jpg" alt="Cavaleiros Discworld" /></a></p>
<blockquote><p>Os vultos em torno da mesa ergueram as cartas.<br />Um deles levantou a mão. Fica na extremidade do braço e tem cinco dedos, disse a mente do dono da taverna. Deve ser mão.<br />Uma coisa que o cérebro dele não conseguia bloquear era o som das vozes. Aquela ali soava como se alguém estivesse batendo em pedra com uma barra de chumbo.<br />- PESSOA DO BAR.<br />O dono da taverna soltou um gemido. As lanças térmicas do pânico abriam caminho nas portas de aço de sua mente.<br />- VEJAMOS. ESSE ERA&#8230; COMO SE CHAMA, MESMO?<br />- Bloody Mary.<br />Aquela voz fazia um mero pedido de bebidas parecer declaração de guerra.<br />- AH, É. E&#8230;<br />- O meu era Martini – Disse Peste.<br />- UM MARTINI.<br />- Com azeitona.<br />- ÓTIMO – mentiu a voz pesada. – PARA MIM, UM VINHO DO PORTO E&#8230; – ele fitou o quarto membro do grupo e suspirou – É MELHOR VOCÊ TRAZER OUTRA TIGELA DE AMENDOIM.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>- Guerra?<br />- Uguê?<br />- Não tinha alguma coisa? – perguntou Peste, pegando o copo.<br />- Uguê?<br />- A gente deveria estar&#8230; tem alguma coisa que a gente deveria estar fazendo – disse Fome.<br />- É verrrdade. Um compromisso.<br />- O&#8230; – Peste fitou o drinque, pensativo. – Negócio.<br />Em desalento, miraram o balcão. O dono da taverna fugira havia muito tempo. Ainda havia várias garrafas fechadas.<br />- Quiabo – Sugeriu Fome, afinal. – Era isso.<br />- Nããã.<br />- Apos&#8230; apóstrofe – arriscou Guerra.<br />Os outros sacudiram a cabeça. Houve uma pausa demorada.<br />- O que significa “aprótrafe”? – indagou Peste, contemplando algum mundo particular.<br />- Adstringente – respondeu Guerra. – Eu acho.<br />- Então, não é isso.<br />- Acho que não – concordou Fome, taciturno.<br />Houve mais um silêncio demorado.<br />- Melhor tomar outra dose – sugeriu Guerra, endireitando-se na cadeira.<br />- Tem razão.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>- O apogeu – disse Guerra. – Ou algo assim. Tenho quase certeza.<br />Eles haviam saído da taverna e estavam sentados num banco, ao sol vespertino. Até Guerra se convencera a tirar parte da armadura.<br />- Não sei – objetou Fome. – Acho que não.<br />Peste fehou os olhos incrustados e se recostou nas pedras aquecidas.<br />- Eu acho – considerou – que era alguma coisa sobre o fim do mundo.<br />Meditativo, Guerra coçou o queixo. Soltou um soluço.<br />- Do mundo inteiro? – perguntou.<br />- Eu acho.<br />Guerra pensou no assunto.<br />- Então ficamos de fora – concluiu.</p>
</blockquote>
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		<title>Nova Hélade: Recomeço</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Apr 2006 12:21:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu Simões</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Parece que agora vai. Após a desistência de mais um desenhista (já até perdi as contas de quantos foram), decidi repassar Nova Hélade pra o Angelo Ron, que é o desenhista da uma HQ curta que eu escrevi, A Jornada do Quadrinhista, e que integra a segunda edição da PutzGrila. Desde que comecei a escrever [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parece que agora vai. Após a desistência de mais um desenhista (já até perdi as contas de quantos foram), decidi repassar <a target="_blank" href="http://novahelade.com">Nova Hélade</a> pra o <span style="font-weight: bold;">Angelo Ron</span>, que é o desenhista da uma HQ curta que eu escrevi, <a href="http://cadusimoes.com/2009/10/a-jornada-do-quadrinista-pag-01/">A Jornada do Quadrinhista</a>, e que integra a <a href="http://www.universohq.com/quadrinhos/2006/n18042006_01.cfm" target="_blank">segunda edição da PutzGrila</a>.</p>
<p>Desde que comecei a escrever Nova Hélade em 98, até agora não consegui ver nem a primeira HQ (que possui umas 24 páginas) finalizada. Ela era pra ter sido minha primeira história em quadrinhos, antes mesmo até do <a href="http://homemgrilo.com" target="_blank">Homem-Grilo</a>. Inclusive, o <a href="http://homemgrilo.com/autores/ricardo-marcelino" target="_blank">Ricardo Marcelino</a> era pra ser originalmente o desenhista de Nova Hélade, ele chegou inclusive a fazer alguns esboços dos personagens e do cenário, mas diante da complexidade da história (nem tanto pela história em si, mas pelo cenário, uma mistura de fantasia e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cyberpunk" rel="tag" target="_blank">cyberpunk</a> com <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mitologia_grega" rel="tag" target="_blank">mitologia grega</a>), ele preferiu ficar com o Homem-Grilo, que era algo mais fácil de desenhar (aliás, bem mais fácil).</p>
<p>O Angelo vai ter que recomeçar o trabalho de esboços de personagem e cenários outa vez, para adaptar o que já foi feito ao seu estilo. Mas não tem problema, para quem esperou tanto tempo, um pouco mais, um pouco menos não fará diferença. O certo é que Thanatos virou a sua ampulheta mais uma vez, e a contagem regressiva para Nova Hélade já começou.</p>
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		<title>O Fim do Discworld</title>
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		<pubDate>Sat, 06 May 2006 12:14:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu Simões</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Esta é certamente a ilustração mais bela que eu já vi de Grande A’Tuin. Apesar de triste.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.gardenal.org/grilocaverna/atuin.jpg" target="_blank"><img style="margin: auto; display: block; text-align: center;" title="Great A Tuin - Discworld" alt="Great A Tuin - Discworld" src="http://i119.photobucket.com/albums/o156/homemgrilo/atuin.jpg" border="0"></a></p>
<p>Esta é certamente a ilustração mais bela que eu já vi de <a href="http://cadusimoes.com/2006/03/grande-atuin/">Grande A’Tuin</a>. Apesar de triste.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Monstro Errante</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jun 2006 11:33:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu Simões</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um dos efeitos colaterais da minha insônia crônica, e que comecei a sentir logo cedo, foi a perda da capacidade de memória. Começou com a memória de curto prazo. Eu sou uma pessoa que deixo algo em algum lugar, e um segundo depois, não lembro mais onde coloquei essa coisa. Mas depois começou a afetar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos efeitos colaterais da minha insônia crônica, e que comecei a sentir logo cedo, foi a perda da capacidade de memória. Começou com a memória de curto prazo. Eu sou uma pessoa que deixo algo em algum lugar, e um segundo depois, não lembro mais onde coloquei essa coisa. Mas depois começou a afetar a memória de longo prazo, que é justamente formada durante o sono. À medida que o tempo passa, cada vez mais vou me esquecendo das minhas memórias mais antigas. Apesar desse ser um processo normal para a maioria das pessoas, devido à quantidade de informação que temos que memorizar a partir da nossa adolescência, passando por nossa vida adulta, mas essas memórias costumam voltar quando se está mais velho, lá pros cinqüenta, sessenta anos de idade. Em mim, no entanto, é um processo irreversível. Uma vez perdida essas memórias, certamente não voltaram nunca mais.</p>
<p>Tudo isso apenas pra dizer que a memória mais antiga que eu tenho é da minha festa de aniversário de onze anos de idade. Foi a minha última festa de aniversário. E também foi o meu último aniversário que eu comemorei com meus pais juntos, pois três meses depois eles se divorciariam. Depois disso, deixei de fazer festa de aniversário. De alguma forma, não fazia mais sentido – se é que em algum momento fez. Mas essa de onze anos foi especial para mim, e talvez por isso eu ainda me lembre dela.</p>
<p>Lembro especialmente do presente que minha mãe me deu. Uma das coisas que eu mais gostava (e ainda gosto) era de jogos de tabuleiros. Meu quarto era lotado deles; <span style="font-weight: bold;">Detetive</span>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jogo_da_vida_%28jogo_de_tabuleiro%29" rel="tag" target="_blank">Jogo da Vida</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Monop%C3%B3lio_%28jogo%29" rel="tag" target="_blank">Banco Imobiliário</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/War" rel="tag" target="_blank">War</a>. Ainda guardo todos eles com muito carinho. E naquele ano eu esperava ganhar mais um jogo de tabuleiro, e foi justamente o que eu ganhei, mas aquele jogo em si era diferente de todos os outros que eu já tinha visto até então. A começar pelo nome, <a href="http://www.aginsinn.com/" target="_blank">Hero Quest</a>.</p>
<p>Me encantei logo de cara pelo jogo. Principalmente por causa da caixa. Ela era enorme, e trazia uma ilustração bem legal, de um bárbaro no melhor estilo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Conan" rel="tag" target="_blank">Conan</a>, ao lado de um mago e um anão, lutando contra uma horda de monstros; orcs, zumbis, múmias, esqueletos, tinha de tudo um pouco lá. Aquela ilustração da capa me fascinou principalmente porque eu tinha acabado de ler o primeiro volume de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Senhor_dos_An%C3%A9is" rel="tag" target="_blank">O Senhor dos Anéis</a>, e estava bem empolgado com esse negócio todo de fantasia medieval.</p>
<p>Mas a surpresa maior foi quando eu abri a caixa e me deparei com aquele tabuleiro e aquele monte de miniaturas. Tinha de tudo; mesas, cadeiras, portas, armários, túmulos, e até mesmo instrumentos de tortura, tudo que você precisa pra montar uma dungeon em miniatura. Eu não via a hora de jogar aquilo.</p>
<p>Então deixei a festa de lado, me tranquei no quarto com meus amigos, e enquanto eles montavam as miniaturas, eu comecei a ler o manual de instrução. Logo que comecei a ler o manual, estranhei uma coisa. Nele dizia que para jogar, era preciso que um dos jogadores fosse o mestre de jogo, que iria narrar a história e controlar todos os monstros, enquanto os outros jogadores assumiriam o papel dos heróis. <span style="font-style: italic;">&#8220;Mas hein? Que negócio era esse de mestre do jogo? E que história é essa que tem que ser narrada?&#8221;</span> – eu estava pensando que, como todo jogo tabuleiro que se preze, seria todos contra todos e no final venceria o que acabasse com as peças do outro jogador.  Mas passado esse primeiro estranhamento, continuei a ler o manual. E então fui percebendo que estava diante de um tipo de jogo completamente novo. Um tipo de jogo que algum tempo mais tarde eu descobriria o nome. Era uma sigla esquisita, que significava um termo mais esquisito ainda, um tal de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/RPG_%28jogo%29" rel="tag" target="_blank">RPG</a>.</p>
<p>Ficamos tão encantados pelo jogo, que começamos a jogar e não queríamos parar mais. Tanto que quando chegou o momento dos meus amigos irem embora, implorei para a mãe deles pra deixarem eles dormirem em casa, e assim poderíamos continuar a jogar. E então ficamos a noite toda jogando e não paramos enquanto não terminamos as quatorze buscas que vinham junto com o jogo. Se eu não me engano, estavam naquele jogo o <span style="font-weight: bold;">Carlinhos</span>, o <span style="font-weight: bold;">Vina</span>, o <span style="font-weight: bold;">Ferpa</span>, e eu acho que o último jogador era o <span style="font-weight: bold;">Gleico</span> (ou era o <span style="font-weight: bold;">Ricardo</span>? – droga, não consigo lembrar), e eu jogando como mestre. Acho que nunca me diverti tanto na minha vida, como naquela noite, jogando Hero Quest ao lado dos meus amigos.</p>
<p>Algum tempo depois eu iria conhecer um outro jogo que certamente mudou a minha vida para sempre, o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dungeons_%26_Dragons" rel="tag" target="_blank">Dungeons &#038; Dragons</a>. E de lá pra cá, não parei mais de jogar RPG. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/GURPS" rel="tag" target="_blank">GURPS</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Vampiro:_A_M%C3%A1scara" rel="tag" target="_blank">Vampiro</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lobisomem%2C_o_Apocalipse" rel="tag" target="_blank">Lobisomen</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Shadowrun" rel="tag" target="_blank">ShadowRun</a>, <span style="font-weight: bold;">Paranóia</span>, etc. Pode parecer exagero, mas o RPG definiu muito do que sou hoje em dia, como por exemplo, o meu gosto por contar histórias. Foi como o RPG que reforcei os laços que me ligam aos meus amigos de infância, e também foi com ele que conheci vários dos meus amigos atuais. E apesar de muitos rpgistas não considerarem o Hero Quest como RPG (e em essência ele não é mesmo), ao menos para mim, tudo começou com ele, naquele aniversário de onze anos.</p>
<p>Hoje em dia, infelizmente, eu não consigo mais jogar RPG tão freqüentemente como quando era mais jovem, em que jogávamos religiosamente toda semana. Mas aí fomos crescendo, começamos a trabalhar, alguns de nós se casaram, tiveram filhos, e as sessões de jogos deixaram de ser prioridade. Mas às vezes conseguimos coordenar nossas agendas para marcar um jogo, e voltarmos aos nossos personagens, que já nos acompanham desde nossa infância.</p>
<p>Mas uma coisa que tenho muita vontade de fazer é algum dia tentar reunir aqueles quatro que estavam naquela primeira partida de Hero Quest, para podermos jogar de novo, e assim, relembrarmos de uma época em que éramos crianças e não tínhamos preocupações e nem responsabilidades. Uma época em que apenas nos divertíamos e podíamos ser quem nós quiséssemos em nosso mundo de fantasias. Uma época em que éramos realmente felizes, e não nos dávamos conta disso.</p>
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		<title>Quando os Dados Rolam&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 15:46:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cadu Simões</dc:creator>
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		<category><![CDATA[A Cor da Magia]]></category>
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		<description><![CDATA[Os deuses do Discworld – apesar do esplendor do mundo que têm logo abaixo – raramente estão satisfeitos. É constrangedor ser Deus de um mundo que só existe porque toda improbabilidade tem limite. Ainda mais quando se pode dar uma olhada em outras dimensões e ver universos em que os Criadores têm mais habilidades mêcanicas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6126/935/1600/dieux.jpg" target="_blank"><img style="margin: auto; display: block; text-align: center;" src="http://i119.photobucket.com/albums/o156/homemgrilo/discworld-deuses.jpg" border="0" alt="Discworld - Deuses"></a></p>
<blockquote><p>Os deuses do Discworld – apesar do esplendor do mundo que têm logo abaixo – raramente estão satisfeitos. É constrangedor ser Deus de um mundo que só existe porque toda improbabilidade tem limite. Ainda mais quando se pode dar uma olhada em outras dimensões e ver universos em que os Criadores têm mais habilidades mêcanicas do que imaginação. Não é de se admirar; portanto, que eles passem mais tempo em dispustas do quem em onisciência.</p>
<p>Nesse dia preciso, Cego Io – chefe dos deuses à custa da vigilância constante – tinha o queixo na mão e olhava para o tabuleiro do jogo na mesa de mármore vermelho à frente. Cego Io fora assim batizado porque, onde deveriam estar as órbitas oculares, não havia nada além da pele lisa. Os olhos, dos quais possuía enorme quantidade, levavam uma vida semi-independente. Vários deles pairavam agora sobre a mesa.</p>
<p>O tabuleiro do jogo era um mapa minucioso do Discworld, dividido em quadrados. Várias peças lindamente esculpidas ocupavam agora alguns desses quadrados. A pessoa que olhasse com atenção reconheceria em duas delas, por exemplo, as imagens de Bravd e Manhoso. As demais representavam outros heróis e campeões, dos quais o Discworld tinha um estoque mais do que suficiente.</p>
<p>Estavam ainda no jogo Io, Offler, o Deus Crocodilo, Zéfiro, o deus das brisas suaves, Destino e a Dama. Havia um clima de grande concentração em volta do tabuleiro agora que os jogadores menos importantes tinham saído do jogo. O Acaso sofrera uma eventualidade prematura, levando seu herói para uma casa cheia de gnolls armados (resultado de um lance de sorte de Offler) e, pouco depois, Noite trocava as fichas por dinheiro, alegando um encontro com Destino. Várias divindades menores já haviam se juntado no local e espiavam sobre os ombros dos jogadores.</p>
<p>Havia apostas de que a Dama seria a próxima a deixar o tabuleiro. Seu último campeão de algum peso era agora um montinho de cinzas nas ruínas ainda esfumaçadas de Ankh-Morpork, e praticamente não havia peças de reposição à altura.</p>
<p>Cego Io pegou a caixa de dados – um crânio com seus diversos orifícios tampados com rubis – e, mantendo vários olhos na Dama, rolou três cincos.</p>
<p>Ela sorriu. Assim eram os olhos da Dama: verdes-claros, sem íris ou pupilas e brilho interior.</p>
<p>A sala ficou em silêncio quando ela mexeu em sua caixa de peças e, bem do fundo, tirou uma dupla que depositou no tabuleiro com dois estalos decisivos. Os outros jogadores, como um grande deus único, esticaram o pescoço para olhar.</p>
<p>- Um mago uenegado e um vunzionário – disse Offler, o Deus Crocodilo, como sempre atrapalhado pelos dentes longos. – Ah, pur vavor!</p>
<p>Com a pata, ele empurrou um monte de fichas brancas para o centro da mesa.</p>
<p>A Dama balançou a cabeça de leve. Então, pegou a caixa de dados e segurou-a firme como uma rocha, mas todos os deuses puderam ouvir os três cubos se chacoalharem. Depois, lançou-os na mesa.</p>
<p>Um seis. Um Três. Um cinco.</p>
<p>Alguma coisa estava acontecendo com o cinco, porém. Acometido pelo choque acidental de vários bilhões de moléculas, o dado se virou num ponto, girou com suavidade e caiu no sete.</p>
<p>Cego Io pegou o cubo e contou os lados.</p>
<p>- Qual é? – disse, aborrecido. – Vamos jogar limpo.</p></blockquote>
<p><strong>- A Cor da Magia, Terry Pratchett</strong></p>
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