“Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o Universo e por que ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável.
Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu.”

É com esse capítulo de introdução que Douglas Adams lhe prepara para as diversas pirações de sua verve tresloucada que se seguirão pelo outros capítulos do livro. O Restarurante no Fim do Universo consegue ter um ritmo mais alucinante e vertiginoso que o primeiro volume da série, O Guia do Mochileiro das Galáxias. Num momento lá estão Arthur, Ford, Zhapod, Trilian e o andróide Marvin abordo da nave Coração de Ouro sendo bombardeados por uma dúzia de Canhões Fotrazônicos Megadeath de 30 Destructions de uma nave Vogon, em outro estão calmamente sentados em uma mesa de restaurante tomando seus drinks de Dinamite Pangaláctica enquanto assistem a explosão final do universo, e no momento seguinte encontramos nossos heróis sendo a “atração principal” de um show do Disaster Area, a banda mais barulhenta de toda a Galáxia.

No primeiro livro, Arthur Dent tomou conhecimento de algumas coisas não muito boas, e de outras piores ainda. Entre as não muito boas está o fato dos humanos serem a terceira raça mais inteligente da Terra, depois dos golfinhos e dos ratos. E entre a piores ainda, o fato de que a Terra é na verdade um gigantesco computador criado pelos ratos (que nada mais são do que uma representação dimensional de uma raça de seres pandimensionais) para descobrir a pergunta para a resposta fundamental sobre a vida, o universo e tudo mais – só que infelizmente a Terra foi destruída um pouco antes disso ser descoberto. Agora cabe a Arthur, a única “parte” que sobrou do computador Terra, a missão de descobrir a pergunta referente à questão fundamental.

Enquanto isso Zhapod Beeblebrox parte em busca do homem que rege o universo, mesmo que ele não saiba o porquê de estar fazendo isso, Babel Fishjá que ele mesmo tratou de enterrar essa informação em uma seção obscura e inacessível de seus dois cérebros, pois se soubesse, certamente não estaria fazendo.

Nonsense é pouco para descrever este livro. Há passagens que são verdadeiros deleites de ironia e sarcasmo, onde Douglas Adams destila todo seu veneno contra a sociedade e suas instituições políticas. O capítulo 19 onde ele descreve um verbete do Guia do Mochileiro que mostra estatísticas relativas à natureza geossocial do Universo é um bom exemplo disso.

O trabalho gráfico feito pela Sextante não só deste livro, como também dos outros volumes estão muito bons, com um visual excelente. Dá até gosto de ver os livros enfilerados na estante.

Por fim, só me resta dizer a vocês para que aproveitem a visão do fim do universo aos goles de uma boa dose de Dinamite Pangaláctica.

Dados Técnicos

O Restaurante no Fim do Universo.
Autor: Douglas Adams.
Editora: Sextante.
ISBN: 9788599296585.
Ano: 2009.
Edição: 1.
Número de páginas: 240.
Acabamento: Brochura.
Formato: Médio.