CCXP 2018 e Produção Anticapitalista de Quadrinhos

CCXP 2018

Na semana que vem, dos dias 5 a 9 de dezembro, estarei na Comic Con Experience participando do Artists Alley (também conhecido aqui em Osasco como Quebrada dos Artistas). Você poderá me encontrar na mesa F44, que vou dividir com o Dan Arrow (autor do Samurai Boy).

Meu lançamento para o evento será um fanzininho do Homem-Grilo, com roteiro e arte de Alex Rodrigues, e diagramado pelo Will. Foi impresso uma tiragem limitadíssima de 100 exemplares. O fanzine custará apenas 2 reais. Duvido muito que você vá encontrar um quadrinho mais barato que esse no evento.

Como já tinha anunciado aqui no blog, essa será a última produção impressa que pretendo fazer, pois a partir do ano que vem vou tentar uma abordagem anticapitalista de produção de quadrinhos (apesar de dentro de uma sociedade capitalista, ao menos por enquanto).

E o primeiro passo para isso será desvincular nos meus leitores a noção atual de quadrinhos como um produto a ser vendido num mercado visando unicamente a acumulação de capital. Com isso o objetivo é que a longo prazo seja priorizado o valor de uso dos meus quadrinhos, e não seu valor de troca.

Para conseguir isso irei apenas publicar quadrinhos online sob distribuição livre e gratuita (inclusive disponibilizando os arquivos em alta pra quem quiser imprimir os quadrinhos por conta própria), com a produção financiada coletivamente, mas sem oferecer aos apoiadores nenhum tipo de brinde ou recompensa que não seja a própria produção da HQ em si, que poderá ser lida e usufruída por todo mundo, apoiadores ou não. (afinal, pra ser anticapitalista não pode ter exclusividade, vip, nem porra nenhuma dessas).

Obviamente as chances de uma proposta dessas dar errado são muito grandes, principalmente porque acho que não tenho ainda alcance, leitores, e nem relevância o suficiente para uma mudança de paradigma tão grande. Mas mesmo se eu falhar, creio que essa empreitada servirá ao menos como modelo para aqueles que quiserem seguir essa via e tiverem mais bala na agulha pra fazer acontecer.

No mais, acho que não há momento melhor para tentar uma loucura dessas do que agora com a grave crise no mercado editorial pelo qual estamos passando (e que, acredito, só vai se agravar durante o governo Bolsonaro). Eu, pelo menos, não tenho nada a perder. Talvez meus grilhões.

Zine do Homem-Grilo

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