O Cantar do Aedo

– E então, amigo Homero, como foi na entrevista?
– Não fui bem, Hesíodo. Minha obra foi rejeitada.
– Mas por quê?
– O editor disse que meus Olimpianos são cópia de uma tal de Liga da Justiça.
– Cópia?
– Isso mesmo.
– Interessante…
– Hã?
– Não percebe, Homero. Isso quer dizer que os nossos Deuses continuam existindo no imaginário do Homem desse tempo. Ainda que com outros nomes.
– Sim, Hesíodo, de fato. Mas eles acreditam que foram eles que criaram. Não percebem que foram inspirados por nossas Musas.
– Não importa. Mesmo que eles acreditem que realmente possam criar algo do nada, e não percebam que utilizam os mesmos arquétipos que nós usávamos, mais cedo ou mais tarde esses aedos… Como é mesmo o nome que eles se dão hoje em dia?
– Quadrinistas!
– Isso. Esses quadrinistas perceberão que a única originalidade que podem conceber está na particularidade de seus cantares.
– Não, Hesíodo. Eles não cantam mais. Agora eles desenham as histórias.
– Que seja! O princípio é o mesmo!
– Você está certo. Então vamos fazer um brinde aos aedos, aos antigos e aos modernos, que eternizam os deuses e heróis com suas histórias.
– E também as nossas musas, pois sem suas inspirações não seríamos nada.
– Aos aedos e as musas!

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