Relatório HQ Mix 2006

Um pouco atrasado, mas vamos aos meus pareceres sobre a entrega do 18º Troféu HQ Mix que rolou na terça-feira passada.

Bem, a coisa toda já começou pra mim antes da premiação, pois passei a tarde toda junto com meus amigos Harriot e Ingrid dobrando, refilando e grampeando cerca de mil folhas, com uma prévia da Garagem Hermética contendo a hq Onde estão os Tatus-Bolinhas?, que seria entregue mais tarde durante a premiação junto com uma bala dadinho. Foi um trabalho cansativo, depois de terminado eu estava parecendo o Charles Chaplin em Tempos Modernos, só que ao invés de ficar repetindo o movimento de apertar parafusos, eu estava grampeando qualquer coisa que eu via pela minha frente. Depois dessa estou até pensando em inaugurar uma nova arte-marcial, o Fan-zine-dô. Sabe, as pessoas pensam que dobrar e grampear fanzine se limita apenas a um trabalho repetitivo, mas tem toda uma filosofia e uma sabedoria ancestral envolvida junto. E depois com mais uns cem mil fanzines dobrados, tenho certeza que chegarei a iluminação.

Mas no fim, todo o trabalho que tivemos foi recompensado, pois a estratégia de marketing de distribuir a HQ com uma bala dadinho deu muito certo e chamou muita a atenção das pessoas que foram à premiação. Teve gente que até voltou pra pegar mais só por causa da bala dadinho. E depois quando eu falo que quadrinhista é tudo morto de fome as pessoas não acreditam em mim. O Van Gogh chegou até a subornar um dos seguranças com uma bala dadinho, pra poder permanecer na área “restrita” ao lado do palco. Incrível!

O melhor do HQ Mix é a social que você pode ter com os outros quadrinhistas, principalmente com a galera fanzineira, que indiferente da situação do mercado de quadrinhos nacional (se é que ele realmente existe) não deixa de produzir quadrinhos constantemente. Nesse HQ Mix tive a oportunidade de conhecer o Renato Lima, um dos editores da Mosh, que é super gente fina e até me presenteou com um exemplar da edição nº 12 da Mosh (que infelizmente será o último da revista) e o Leo Finocchi, que também participa da Mosh, além de colaborar pro MDM (o site de quadrinhos mais engraçado da net). E finalmente também conheci pessoalmente o Lorde Lobo, o editor da Areia Hostil, em cuja edição nº 11 foi publicada uma hq do Homem-Grilo.

E como não podia deixar de ser, tinha muita gente lá também vendendo seus fanzines e hqs independentes. Eu estava muito interessado em comprar a nova hq dos gêmeos Fábio Moom e Gabriel Bá, Um Dia, uma Noite. Mas depois que vi o preço, acabei desistindo. Cinco reais por uma revista de 24 página p/b e capa duas-cores é muito caro. Pelo jeito os gêmeos esqueceram que quadrinhos é cultura de massa, e portanto deve ser não apenas bom, mas também BARATO. Preferi gastar esses cinco reais com a nova edição da Quadreca e não me arrependi. São 74 páginas internas, sendo que algumas delas são coloridas, e a qualidade das histórias não devem em nada a dos gêmeos. Outro fanzine que comprei e curti muito foi o Comic Sans da Gabriela Kato, que traz uma hq curtinha, mas muito divertida. Quando comecei a ler a história, logo pensei: “puxa, mas uma hq fofinha com final feliz, que droga!”. Mas logo que virei a página, vi que estava errado, pois a história se transfigura pra um humor negro sensacional. Só sei que passei horas afins rindo dessa hq. E pra completar, o fanzine ainda traz na última página uma tira do Leonardo Pascoal, onde ele manda muito bem mostrando o que é realmente acreditar no amor e na amizade. =)

E ainda troquei e ganhei um monte de outros fanzines, como a última edição da Manicomics, a edição especial do Subterrâneo, e a versão “mini” do fanzine No Fio Fó Todo Dia.

Bem, no fim o evento foi muito proveitoso. Ano que vem tem mais. E quem sabe, eu talvez até esteja concorrendo com a Garagem Hermética. Sonhar não custa nada, não é? =)

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Transformers


Link: http://www.youtube.com/watch?v=hilgrByAs7E

A adaptação cinematográfica de Transformers, desenho que foi febre nos anos 80, chegará as telas dos cinemas apenas no ano que vem, mas já tem um teaser trailer disponibilizado no site oficial do filme. No entanto, o teaser não mostra muita coisa, então fiquem com o vídeo acima que é uma animação em CG mostrando a transformação do Optimus Prime.

Agora diversão mesmo é este comercial da Citroën, em que um modelo C4 não apenas se transformar num robô, como ainda por cima dança Hip Hop. Isso que é Transformer!

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Monstros Errantes

Acho que a memória mais antiga que eu tenho é da minha festa de aniversário de onze anos de idade. Foi a minha última festa de aniversário. E também foi o meu último aniversário que eu comemorei com meus pais juntos, pois três meses depois eles se divorciariam. Depois disso, deixei de fazer festa de aniversário. De alguma forma, não fazia mais sentido – se é que em algum momento fez. Mas essa de onze anos foi especial para mim, e talvez por isso eu ainda me lembre dela.

Lembro especialmente do presente que minha mãe me deu. Uma das coisas que eu mais gostava (e ainda gosto) era de jogos de tabuleiros. Meu quarto era lotado deles; Detetive, Jogo da Vida, Banco Imobiliário, War. Ainda guardo todos eles com muito carinho. E naquele ano eu esperava ganhar mais um jogo de tabuleiro, e foi justamente o que eu ganhei, mas aquele jogo em si era diferente de todos os outros que eu já tinha visto até então. A começar pelo nome, Hero Quest.

Me encantei logo de cara pelo jogo. Principalmente por causa da caixa. Ela era enorme, e trazia uma ilustração bem legal, de um bárbaro no melhor estilo Conan, ao lado de um mago e um anão, lutando contra uma horda de monstros; orcs, zumbis, múmias, esqueletos, tinha de tudo um pouco lá. Aquela ilustração da capa me fascinou principalmente porque eu tinha acabado de ler o primeiro volume de O Senhor dos Anéis, e estava bem empolgado com esse negócio todo de fantasia medieval.

Mas a surpresa maior foi quando eu abri a caixa e me deparei com aquele tabuleiro e aquele monte de miniaturas. Tinha de tudo; mesas, cadeiras, portas, armários, túmulos, e até mesmo instrumentos de tortura, tudo que você precisa pra montar uma dungeon em miniatura. Eu não via a hora de jogar aquilo.

Então deixei a festa de lado, me tranquei no quarto com meus amigos, e enquanto eles montavam as miniaturas, eu comecei a ler o manual de instrução. Logo que comecei a ler o manual, estranhei uma coisa. Nele dizia que para jogar, era preciso que um dos jogadores fosse o mestre de jogo, que iria narrar a história e controlar todos os monstros, enquanto os outros jogadores assumiriam o papel dos heróis. “Mas hein? Que negócio era esse de mestre do jogo? E que história é essa que tem que ser narrada?” – eu estava pensando que, como todo jogo tabuleiro que se preze, seria todos contra todos e no final venceria o que acabasse com as peças do outro jogador. Mas passado esse primeiro estranhamento, continuei a ler o manual. E então fui percebendo que estava diante de um tipo de jogo completamente novo. Um tipo de jogo que algum tempo mais tarde eu descobriria o nome. Era uma sigla esquisita, que significava um termo mais esquisito ainda, um tal de RPG.

Ficamos tão encantados pelo jogo, que começamos a jogar e não queríamos parar mais. Tanto que quando chegou o momento dos meus amigos irem embora, implorei para a mãe deles pra deixarem eles dormirem em casa, e assim poderíamos continuar a jogar. E então ficamos a noite toda jogando e não paramos enquanto não terminamos as quatorze buscas que vinham junto com o jogo. Meus amigos jogando com os personagens, e eu jogando como mestre. Acho que nunca me diverti tanto na minha vida, como naquela noite, jogando Hero Quest ao lado dos meus amigos.

Algum tempo depois eu iria conhecer um outro jogo que certamente mudou a minha vida para sempre, o Dungeons & Dragons. E de lá pra cá, não parei mais de jogar RPG. GURPS, Vampiro, Lobisomen, ShadowRun, Paranóia, etc. Pode parecer exagero, mas o RPG definiu muito do que sou hoje em dia, como por exemplo, o meu gosto por contar histórias. Foi com o RPG que reforcei os laços que me ligam aos meus amigos de infância, e também foi com ele que conheci vários dos meus amigos atuais. E apesar de muitos rpgistas não considerarem o Hero Quest como RPG (e em essência ele não é mesmo), ao menos para mim, tudo começou com ele, naquele aniversário de onze anos.

Hoje em dia, infelizmente, eu não consigo mais jogar RPG tão freqüentemente como quando era mais jovem, em que jogávamos religiosamente toda semana. Mas aí fomos crescendo, começamos a trabalhar, alguns de nós se casaram, tiveram filhos, e as sessões de jogos deixaram de ser prioridade. Mas às vezes conseguimos coordenar nossas agendas para marcar um jogo, e voltarmos aos nossos personagens, que já nos acompanham desde nossa infância.

Mas uma coisa que tenho muita vontade de fazer é algum dia tentar reunir aqueles quatro que estavam naquela primeira partida de Hero Quest, para podermos jogar de novo, e assim, relembrarmos de uma época em que éramos crianças e não tínhamos preocupações e nem responsabilidades. Uma época em que apenas nos divertíamos e podíamos ser quem nós quiséssemos em nosso mundo de fantasias. Uma época em que éramos realmente felizes, e não nos dávamos conta disso.

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O Amor Cega

Laerte 06-06-2006

Isto é o que acontece com quem não segue o conselho do Guia.

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Fotos do Lançamento da PutzGrila

Para quem quiser conferir todas as fotos que foram tiradas durante o lançamento da PutzGrila, basta visitar o nosso albúm de fotos no Flickr.

E a quem não foi no lançamento da PutzGrila nº2, só posso dizer que perdeu um evento muito legal. Principalmente pela Jam Session de quadrinhos que realizamos. No começo eu estava meio apreensivo se aquilo iria dar certo ou não, já que nunca havíamos feito alguma coisa assim ao vivo (e arriscaria dizer que ninguém mais havia feito algo assim, ao menos no Brasil). Mas depois que eu vi a coisa funcionando, foi demais.

Tentem imaginar uma HQ coletiva iniciada por Rodolfo Zalla, e que ainda contou com a participação de quadrinhistas do naipe de Fábio Cobiaco, Felipe Cunha, Sandro Castelli, Sam Hart, entre outros. Todos eles desenhando ao vivo para o público. Certamente foi algo fabuloso de se presenciar. Espero que possamos fazer uma outra dessas futuramente.

E para mais informação sobre o evento, além de conferir algumas fotos, visitem o site Bigorna.