23º Prêmio Angelo Agostini

Já saiu o resultado do 23º Prêmio Angelo Agostini. Confiram abaixo os vencedores:

Melhor Desenhista de 2006: Fábio Moon e Gabriel Bá
Melhor Roteirista de 2006: Anita Costa Prado
Melhor Cartunista de 2006: Márcio Baraldi
Melhor Lançamento de 2006: Katita, Tiras Sem Preconceito (Editora Marca de Fantasia)
Melhor Fanzine de 2006: Justiça Eterna de Sérgio Chaves

Troféu Jayme Cortez: Edgard Guimarães
Mestres do Quadrinho Nacional: Gutemberg Monteiro, Luiz Teixeira da Silva (Tule) e Xalberto

Como vocês podem perceber, a minha campanha “Não vote nos Gêmeos, vote na Camila!” não deu muito certo, já que eles levaram como melhor desenhista mais uma vez. Nada contra os gêmeos, é claro, mas bem que alguém novo podia ganhar o prêmio. E a Garagem Hermética também não ganhou. Tudo bem, eu nem queria mesmo.

A entrega dos prêmios será no dia 10 de fevereiro no SENAC Lapa Scipião. Mas antes da premiação, irá rolar também diversas palestras sobre quadrinhos, entre elas, uma sobre Edição de Revistas Independentes da qual eu irei participar junto com outros quadrinistas independentes (o que descarta a possibilidade de eu explodir o evento como vingança por não ter ganhado).

De minha parte eu espero transformar essa palestra em algo muito parecido com uma mesa-redonda de futebol na televisão, com muitos palavrões e xingamentos. Vai ser algo do tipo “qualé mermão, essa bagaça que tú rabisca ae é mó merda, num serve nem pá limpá a bunda!”. Convenhamos, arrumar barraco é muito mais divertido! 😉

Pra saber mais detalhes sobre a premiação, visite o site do Zine Brasil.

Relatório 3º Enquadrando e Maratona HQ

No último final de semana, como noticiado aqui, foi realizado o 3º Enquadrando, que já está se tornando um referencial para os quadrinistas da grande São Paulo. No sábado, quando eu cheguei lá na Devir, onde o evento foi realizado, já era mais ou menos uma hora da tarde. Eu pretendia chegar mais cedo pra pegar a palestra da Maria Helena, diretora da Gibiteca Henfil, pra saber afinal que fim vai levar a gibiteca, mas como acordei muito tarde, e moro no farwest de São Paulo (também conhecido como Osasco), não deu.

Quando cheguei, logo me encontrei com o Bira Dantas, e peguei com ele alguns exemplares do fanzine dele pra vender na minha barraca na Feira de Arte, Cultura e Lazer de Osasco. Me encontrei também com o Jorge, do Zine Royale, que me deixou alguns de seus fanzines pra vender na minha barraca.

Então fui assistir à palestra do Odair Braz Junior. Enquanto todo mundo tava interessando no rolo da Pixel com a Dc Comics, eu tava pouco me fudendo pra isso, e tava mais afim mesmo de saber quais seriam os próximos títulos de quadrinhos nacionais que a editora iria lançar. A Pixel para mim tem se mostrado uma das poucas editoras realmente disposta a apostar nos quadrinistas brasileiros, e principalmente, nos quadrinistas novos (ou ao menos novos para o grande público).

Mas também foi interessante ouvir os Odair dizendo quais seriam as propostas da Pixel caso a editora tivesse ficado com os títulos da DC. Em resumo, o foco editorial seria divulgar a linha de títulos para um público mais abrangente, que não é habitual leitor de quadrinhos de super-heróis, tentando formar novos leitores, algo que já não é feito há um bom tempo, desde da idiota idéia da Abril de criar a linha Premium, quando publicava a Marvel e a DC, dando início ao ciclo vicioso que vemos hoje em dia com quadrinhos cada vez mais caros e para um público cada vez menor, elitizando assim algo que deveria ser em essência produto de massa, ainda mais em se tratanto de quadrinhos de super-heróis.

O Odair disse que provavelmente os títulos da DC continuarão a ser publicado pela Panini, o que na minha opinião, é uma pena, pois se a Pixel realmente colocasse em prática essa linha editorial de “popularização” dos quadrinhos de super-heróis, focando mais o “leitor comum” ao invés do fanboy, teria sido muito mais benéfico que os títulos da editora tivessem ido pra Pixel, não só para a própria DC, como para o mercado de quadrinhos em geral, incluindo o nacional.

E o Odair até se mostrou pessimista quanto ao mercado editorial de quadrinhos no ano que vem caso a Panini confirme mesmo o seu monopólio. Vale lembrar que a editora italiana passará a publicar também os quadrinhos da Turma da Mônica, dominando todo o segmento de quadrinhos voltado para as bancas de jornal, impedindo qualquer sobrevivência de outra editora neste meio. Ou seja, sem concorrência, o ciclo vicioso continua, quadrinhos mais caros para cada vez menos gente.

Depois foi a vez da palestra do Worney de Souza sobre o 23º Prêmio Angelo Agostini. E começou falando um pouco do histórico do Ângelo Agostini e depois explicou como surgiu o prêmio que leva o seu nome e que premia as melhores publicações e quadrinistas do mercado nacional. Por fim, ele distribui cédulas de votação para os presentes. Vale lembrar que eu estou concorrendo com duas publicações como eu informo melhor aqui.

Então o Spacca assumiu a mesa e falou sobre o seu álbum Santô e os Pais da Aviação e sobre seus projetos futuros, todos na linha de romances históricos ou bibliográficos. Para mim a palestra dele foi bastante interessante, pois tenho pretensão também de fazer quadrinhos histórico, ainda mais que agora sou um historiador formado, e adquiri um grande conhecimento pra fazer algo assim. Apesar que eu prefiro muito mais fazer quadrinhos de História Alternativa, que é um segmento da ficção científica que consiste em pegar um fato histórico como base pra sua história, mas alterar os eventos de forma a criar uma realidade alternativa a nossa História. Acho muito mais divertido brincar com a História deste jeito. As possibilidades são infinitas. Eu já comecei a escrever um roteiro de uma hq sobre a Guerra do Paraguai onde o Paraguai é que ganha a guerra, e domina o sul do Brasil transformando-o num estado independente do resto do país, que chamaria República do Prata (que seria o nome da hq), mas o projeto ainda está muito no começo e precisa ser melhor formatado.

Após o Spacca, seguiu a palestra do Ricardo Leite, desenhista do álbum Destino Oeste, que eu ainda não conhecia, e fiquei muito impressionado com a arte ao folheá-lo lá no evento. Ele falou sobre como foi a produção do álbum, e também sobre a lei de incentivo cultural de Cuiabá que ele utilizou pra financiar sua hq.

O Ricardo também faz a revista independente Gorjeta, com que eu troquei alguns exemplares por algumas Garagens Herméticas. Assim, ele leva para o Mato Grosso algumas revistas minhas pra vender lá, e eu vendo as revistas dele aqui em São Paulo. Esse hábito de trocar revistas com quadrinhistas independente de outras cidades, e principalmente, de outros estados, eu apreendi como o Renato Lima, editor da Jukebox. É uma ótima forma de distribuir a sua revista através do país, ainda que em proporções pequenas, mas como a nossa tiragem também é pequena, então esse sistema serve muito bem. Desta forma, já consegui enviar a Garagem pra Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Maceió. E se tiver algum quadrinhista independente que queira trocar suas revistas pela Garagem, é só entrar em contato comigo no e-mail homemgrilo@terra.com.br

Terminado a programação do enquandrando, tivemos o Will falando sobre a revista independente A Mosca no Copo de Vidro e o Márcio Baraldi falando sobre o lançamento do novo álbum do Roko-Loko. Aliás, assistir a uma palestra do Baraldi é sempre um evento divertidíssimo, pois o cara é uma figura. E partir daí começaria a programação da Maratona HQ, programada pela própria Devir.

Ela começou com uma palestra dos gêmeos Fabio Moon e Gabriel Bá, mas logo se juntaram a eles na mesa Fernando Gonzáles e Lourenço Mutarelli pra falarem sobre a adaptação de histórias em quadrinhos pra outra mídias. Esse ao menos era o tema da palestra, pois na verdade ela se desviou e se discutiu de tudo um pouco. E pra fechar o dia, teve ainda uma palestra do Sidney Gusman sobre jornalismo especializado em quadrinhos, algo que tem crescido muito nos últimos tempos, segundo constatação do próprio Sidão.

Ele começou contando sobre como iniciou sua carreira no jornalismo de quadrinhos e contou sua experiência profissional também em outras áreas. Depois, falou um pouco de como está sendo a experiência no seu novo trabalho no estúdio do Maurício de Souza. A palestra do Sidão estava muito boa, e bem divertida, mas eu infelizmente não pude ficar até o final, pois já era tarde, eu como eu disse, moro no farwest e o último trem pra cá sai a meia-noite, apesar de a tentação de ficar lá pra pegar os descontos de 40% nos álbuns da Devir que seriam dados durante a madrugada era grande. Mas como tinha de trabalhar no dia seguinte no domingo na minha barraca de fanzines na feira cultual de Osasco, acabou não dando. Mas quem sabe no ano que vem eu faço isso.