Lançamento do Almanaque Contos da Madrugada

Almanaque Contos da Madrugada #01

O Projeto Contos da Madrugada, desenvolvido por Felipe Meyer, consiste em produzir uma revista em quadrinhos entre a meia-noite e às seis da manhã. Roteiristas e desenhistas então se reúnem (geralmente num bar, ou qualquer lugar com cerveja disponível) pra realizarem todos os estágios de produção de uma revista – desde os roteiros e desenhos até a diagramação e edição final – antes mesmo do sol nascer.

E depois de duas edições lançadas em fanzines, o Felipe resolveu reunir as melhores histórias, recauchutadas, no Almanaque Contos da Madrugada, uma bela edição com 32 páginas, miolo p/b off-set e capa colorida em couché.

Entre os roteirista presentes nesta edição está o próprio editor Felipe Meyer, o Daniel Esteves, e este que vos fala. Os desenhistas são Gil Tokio, Jozz, Sam Hart, Will, Laudo, Omar Viñole, Felipe Cunha, Hugo Nanni, Robles, Marcos Venceslau e Mario Cau (que também fez o desenho da capa).

O lançamento do Almanaque Contos da Madrugada acontece no próximo sábado, dia 28, na Livraria HQMix (Praça Franklin Rossevelt, 142 – Centro – São Paulo), a partir das 19h30.

Confira abaixo as HQs presentes no Almanaque Contos da Madruga junto com uma pequena sinopse de cada uma:

O Rei Contra Zumbis em Ritmo de Aventura! – Robertão detona fãs desmortas numa HQ produzida a doze mãos.

Demetrius Dante em Zombie Walk – O Detetive do Absurdo persegue zumbis em plena Avenida Paulista.

O que você faria se só lhe restasse esse dia? – Felipe Meyer e Gil Tokio apresentam uma deliciosa e inovadora receita para aproveitar o fim do mundo.

Cosmogonia – Descubra nessa HQ o que acontece quando o mundo é “cancelado” e Deus é despedido de seu cargo.

Summer Zombie – Mais zumbis, dessa vez sob o ponto de vista de quem entende o valor de um bom cadáver.

Poderoso Lester – Pra não perder a prática, Hugo Nanni e Felipe Meyer atacam o gênero dos super-heróis com uma HQ feita às pressas, bem ao estilo Contos da Madrugada.

A Briga de Deus e o Diabo contra os Homens-Curiosos – Deus e o Diabo se posicionam em lados opostos a respeito de um perigoso experimento científico.

Un Attimo – E pra finalizar, Will faz uma sequência a uma HQ do capista Mario Cau, sobre seus momentos intimistas e o que de fato pensamos deles.

E se você ainda não assistiu ao Making Off do primeiro Contos da Madrugada, confira abaixo e se divirta. =)

Indicações no 21º Troféu HQMix

HQMix 2009Na semana passada saiu a lista dos indicados ao 21º Troféu HQMix, que premia os melhores no mercado nacional de quadrinhos, e eu estou no páreo novamente com indicações em quatro categorias.

A primeira delas no qual estou concorrendo, e a mais importante, é a categoria de Roteirista Nacional. Mas diferente do ano passado em que venci na categoria de Roteirista Revelação, esse ano as chances de eu ganhar na categoria principal de roteirista é bem menor, pois o páreo é bem mais difícil. Se eu ganhar, serei a grande zebra do HQmix. =)

Na lista de indicações está constando junto a meu nome duas obras minhas publicada no ano passado; Nova Hélade, cuja quarta edição será publicada em breve, e Quadrinistas, série que está sendo publicada na Garagem Hermética, e cujo Canto I já poder ser lido online no blog do 4mundo. Mas além dessas duas histórias, o ano passado publiquei várias HQs curtas, e algumas delas considero até melhores do que minhas HQs longas.

A segunda categoria que estou concorrendo é na de Publicação Mix com o álbum Prática de Escrita, uma antologia feita com os autores do 4mundo e no qual eu participo com a história Always Look on the Bright Side of Life.

A terceira indicação veio com a Garagem Hermética que mais uma vez está concorrendo na categoria de Publicação Independente de Grupo. O quinto número da revista sairá em breve, e você já pode conferi a bela capa feita por Sam Hart.

Cosmogonia

Por fim, a quarta indicação foi na categoria Publicação Independente Especial com o fanzine Contos da Madrugada, que como o nome sugere, tem a proposta de ser feito durante a madrugada pra já ser impresso e lançado no dia seguinte. Doideira, não? Nem me fale! Vocês mesmo podem ver o making of da primeira edição e conferir a loucura que foi fazê-la. Nessa edição eu participei com o roteiro das HQs Motoqueiros do Apocalipse e Cosmogonia. E o Contos da Madrugada ainda teve uma segunda edição, no qual eu escrevi o roteiro da HQ Zombie Walk, e colaborei com o roteiro da HQ O Rei Contra Zumbis em Ritmo de Aventura (gostaria de deixar claro em minha defesa que só aceitei colaborar com o roteiro desta última HQ porque eu estáva bêbado na hora).

Pois bem, como vocês podem ver, até que o ano passado foi um ano bem produtivo pra mim. E esse ano promete ser mais ainda, e só o fato de eu estar escrevendo uma adaptação da Odisséia pra quadrinhos é uma boa indicação disso. =)

E abaixo segue a lista completa dos indicados copiada descaradamente do blog do Daniel Santos, pois o cara teve a moral de linkar todo mundo.

Desenhista Nacional

Desenhista Estrangeiro

Roteirista Nacional

Roteirista Estrangeiro

Desenhista Revelação

Roteirista Revelação

Ilustrador Nacional

Tira Nacional

Web Quadrinhos

Publicação Infanto-Juvenil

Publicação de Clássico

Publicação de Humor

Publicação Mix

Publicação Erótica

Publicação de Aventura/Terror/ Ficção

Edição Especial Nacional

Edição Especial Estrangeira

Publicação Independente de Autor

Publicação Independente de Grupo

Publicação Independente Especial

Publicação de Tiras

Publicação de Charges

Publicação de Cartuns

Livro Teórico

Projeto Editorial

Adaptação para Outro Veículo

  • Aline (tevê)
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas (cinema)
  • O Caderno da Morte – Death Note (teatro)
  • A Noite dos Palhaços Mudos (teatro)
  • Homem de Ferro (cinema)
  • Persépolis (cinema)
  • Hellboy II – O Exército Dourado (cinema)

Adaptação para os Quadrinhos

Mídia sobre Quadrinhos

Editora do ano

Eu não Apoio a HQ Nacional

Antes que você se assuste com o título deste post, eu juro que ele tem um porquê, e eu vou explicá-lo. Afinal, é no mínimo estranho que um autor de HQ Nacional, e inclusive um que até mesmo montou um coletivo pra ajudar na produção de quadrinhos nacional, faça uma afirmação como a do título.

Mas antes de explicar o título quero comentar sobre o que me motivou a escrever esse post. Trata-se da campanha “Eu apóio a HQ Nacional” criada por Carlos Vázquez no fórum HQM. A idéia da campanha é simples. Vázquez criou diversos banner com desenhos e ilustrações de personagens e quadrinhos brasileiros e que devem ser utilizados por aqueles que apoiam a HQ brasileira em suas assinaturas nos fóruns de discussões, comunidades, blogs, etc.

Apesar de se tratar de um ato simples, essa campanha foi uma boa sacada e tem um grande potencial. E isso por um simples e único motivo. Ela foi criada por um leitor.

Mas o que isso tem de mais? – você deve estar se perguntando. Veja, de nada vale dizer que eu apoio os quadrinhos nacionais. Como autor de quadrinhos, minha opinião sobre esse assunto não tem valor algum, já que se trata de uma opinião totalmente interessada. É claro que um autor de quadrinhos irá apoiar a produção de quadrinhos de seu país, seja ele qual for, já que ele é o principal beneficiário da valorização dessa produção em seu país.

No entanto, a opinião de um leitor sobre esse assunto tem um valor tremendo, pois não se trata de uma opinião interessada. Um leitor não ganha nada, a princípio, em dizer que apoia a produção de quadrinhos de seu país. O que importa para o leitor é que ele tenha boas histórias para ler, independente do país onde elas foram produzidas. Então quando um leitor diz que apoia os quadrinhos nacionais, tem muito mais chance de ser ouvido pelos outros leitores, do que se isso fosse dito por um quadrinista.

É por isso que eu digo que essa campanha iniciada por Vázquez tem um grande potencial. Pois as várias campanhas criadas anteriormente semelhantes a essa foram criadas por quadrinistas. E o pior, tinham um apelo nacionalista e ufanista que para mim é um tremendo atraso pros quadrinhos nacionais, pois mais afugenta leitores do que atraem sua simpatia.

Mas no que efetivamente pode ajudar os quadrinhos nacionais essa campanha do Vázquez? Bem, esse simples ato do leitor enunciar que apoia a HQ nacional já ajuda em algo que faz toda a diferença para nós quadrinista: ajuda a diminuir o preconceito contra os quadrinhos nacionais. E esse preconceito está assentado sobre uma generalização idiota (aliás, como toda generalização): “todos os quadrinhos brasileiros são ruins!”.

Eu não sei dizer o porquê desse preconceito, ou como ele surgiu e se espalhou tão amplamente entre os leitores, mas o que eu sei é que ele existe, e como autor de quadrinhos, presenciei ele várias vezes. O leitor com esse preconceito julga todo e qualquer quadrinhos brasileiro como ruim apenas por ser brasileiro. Ele não se dá chance de nem mesmo conhecer a obra antes de julgá-la (daí o preconceito).

Uma campanha de apoio a HQ nacional capitaneada por leitores ajuda a diminuir o preconceito na medida que é um leitor mostrando pra outro leitor que existe sim quadrinhos brasileiros ruins, mas também existe quadrinhos brasileiros bons. Isso é algo que acontece no mercado de quadrinhos de qualquer país, seja o EUA, seja a França, seja a Itália, seja o Japão, e não teria porque ser diferente com o Brasil. Aliás, segundo a Lei de Sturgeon, 90% da produção de qualquer país será ruim, e apenas 10% será realmente boa, algo que eu já expliquei no Manifesto Quartomundista.

E é por isso que eu não apoio a HQ Nacional. O que eu apoio sim, e sempre vou apoiar, são esses 10% de produção nacional de boa qualidade. E é isso que todo mundo deve fazer. Apoiar a produção de quadrinhos brasileiros de qualidade, para que ela aumente cada vez mais. Mas o que todo mundo deve por em mente é que por mais que haja produção de qualidade no mercado de quadrinhos interno de um país, sempre haverá mais produção ruim do que de boa qualidade, pois a proporção 90/10 da Lei de Sturgeon nunca se altera (ainda que essa proporção não seja exatamente 90/10, o que é fato é que a produção ruim sempre será bem maior do que a de boa qualidade).

Os EUA é o melhor exemplo disso. Ele publicam milhares de títulos de quadrinhos por mês no país, mas é possível contar nos dedos da mão (do Lula) quantos são os títulos realmente geniais publicados por mês. Seria então esperar demais que o Brasil produzisse mais títulos geniais de quadrinhos do que o EUA, tendo uma produção de quadrinhos tão pequena a ponto de nem podermos dizer que temos um mercado de fato. Como a atual produção de quadrinhos brasileira está numa média de 10 títulos por mês, será sorte se tivermos ao menos um título genial sendo publicada por mês. E é por isso que a principal bandeira do Quarto Mundo é incentivar o aumento da produção de quadrinhos pelos quadrinistas brasileiros. Pois só aumentando a produção é que faremos com que os títulos bons aumentem, ainda que isso também faça aumentar os títulos ruins. Como eu já disse, isso é algo inevitável. Todo e qualquer país terá sempre um mercado de quadrinhos composto pela maioria de títulos ruins e uma minoria de títulos bons, e o Brasil não tem porque ser exceção.

Mas voltemos a campanha de apoio a HQ Nacional criada por Vázquez. Apesar dela ter sido uma boa sacada, apenas ficar nesse ato de colocar um banner enunciando seu apoio, ainda que seja um ato emblemático, não terá um efeito concreto na produção de quadrinhos brasileira em si. A minha sugestão é que a campanha incentive os leitores a uma atitude mais concreta e prática, como por exemplo, dar um quadrinhos nacional de presente pra quem vc gosta, como eu sugeri no Dia do Quadrinho Nacional.

Poderia até mesmo ser criado uma nova série de banners indicando que a pessoa recebeu um quadrinho nacional de presente de alguém, e que por isso se compromete a também dar de presente um quadrinhos nacional para outra pessoa. Assim será criado uma grande corrente de pessoas dando e recebendo quadrinhos nacionais de presentes. Uma atitude dessas com certeza irá aquecer as vendas de quadrinhos nacionais (os bons quadrinhos nacionais), incentivando seus autores a continuarem produzindo e melhorando.

Essa atitude é também uma boa forma de criar novos leitores livres de preconceitos. Afinal, se dou de presente para um amigo um quadrinho nacional, ele vai no mínimo ler esse quadrinho antes de criticar. Tenha ele gostado ou não da HQ após lê-la, ao menos terá sido um julgamento sincero e livre de preconceitos.

Para concluir, o que nós autores de quadrinhos de fato queremos, não é que as pessoas apoiem os quadrinhos nacionais simplesmente por apoiar. Assim como também não queremos que elas sejam preconceituosas e julgem toda a produção de quadrinhos brasileira como lixo apenas por ser brasileira. O que queremos é que você tenha seus próprios julgamentos e compre os quadrinhos brasileiros que você achar que valem a pena ser comprados. E o melhor apoio aos quadrinhos nacionais que você pode dar é mostrando para outros leitores aqueles quadrinhos brasileiros que você leu e gostou. Você pode dar de presente para eles, ou emprestar, ou até mesmo escanear e enviar para ele uma cópia digital (e como vários autores nacionais já disponibilizam versões digitais de seus quadrinhos, talvez você nem tenha esse trabalho de escanear).

Com esse ato você estará formando novos leitores de quadrinhos brasileiros livres de preconceito, que por sua vez poderá formar novos leitores, e essa corrente a longo prazo irá ajudar a criar e fortalecer um mercado de quadrinhos nacional que poderá produzir cada vez mais obras de boa qualidade. Pois a existência de um mercado de quadrinho forte permite que o quadrinista possa ter uma remuneração suficiente para viver apenas de quadrinhos. Desta forma, ele pode focar todo seu esforço e trabalho apenas em criar boas HQs para você ler. E se você leitor puder contribuir com a criação deste mercado, pode ter certeza, terá sido o melhor apoio a HQ nacional que você deu.