Bombas sobre o Brasil

Tem webcomic nova sendo publicada por estas paragens. É The Major, de Hector Lima, que segundo o autor, essa hq pode de ser definida como “Capitão América com guaraná, Comandos em Ação com feijoada, Jack Bauer com caipirinha e Counter Strike com churrasco”. Ou seja, um verdadeiro milkshake cultural. Ou melhor seria dizer “ cultural”?

De todo modo, nada mais coerente. Se é verdade a máxima que alguns apregoam por aí que todas as histórias que haviam para ser contadas, já o foram, então só nos resta pegar tudo o que já temos até então e remixá-las para as novas gerações. Mas no nosso caso com um pequeno acréscimo da batucada brasileira. =)

A proposta do Hector é ir publicando The Major aos poucos, uma página da cada vez, conforme elas vão sendo produzidas, aproveitando um modelo de publicação de webcomics que vem dando certo lá fora. E o Hector reitera:

“(…) as editoras começam a encarar a HQ disponível de graça na internet não como desperdício, mas um meio de formar público de base, o que contraria muitos preconceitos que até alguns autores têm com o novo jeito de se consumir arte seqüencial.”

Eu nem preciso dizer que concordo com ele, né? O Homem-Grilo e Nova Hélade já fazem isso por mim.

A Internet e os Quadrinhos Independentes

“As editoras sempre contam a triste história do monopólio da distribuição. Acham que são donas do mundo por dominarem esta distribuição. Pagam mal ao autor, são atravessadores mesmo. Com a Internet, isto acabou. Se você tem capacidade de se organizar e se o seu trabalho é bom de verdade, vai dar para você viver dele de maneira independente e digna. Eu vendo centenas de livros e camisas todo mês sozinho. Centenas mesmo. A diferença? Eu ganho 65% do custo dos produtos, e não 4%, que é o que ganha um quadrinhista que assina contratos com esta gente. Não tem muito mistério: um site com boleto e cartão, uma tiragem pequena e correios…”

Essa citação que fiz aí em cima é do André Dahmer, criador dos Malvados, de uma entrevista que ele deu para o site Bigorna no fim do ano passado. Neste trecho que citei, Dhamer defende sua opção por publicar seus quadrinhos de forma independente e o quanto isso é vantajoso. Tanto é que cada vez mais quadrinistas vem optando pela publicação independente. E por que isso?

O próprio Dhamer já dá a resposta; por causa da Internet. Um dos maiores obstáculos que um quadrinistas independente enfrenta é a venda e distribuição de seus quadrinhos. E quando falamos de um país continental como o Brasil, o problema se agrava ainda mais. Mas a Internet praticamente elimina este obstáculo. Principalmente porque permite ao quadrinista independente por em prática a teoria da Cauda Longa, como bem explica o Leonardo Santana em uma de suas coluna no Bigorna. Ou seja, venda pela Internet de revistas de baixa tiragem para um público de nicho a um custo muito baixo.

Que a Internet facilita a vida do quadrinista independente em tirar uns trocados com seus quadrinhos, não há dúvidas. Mas até agora estamos falando da utilização da Internet pra vender quadrinhos impressos. Será que é possível ganhar dinheiro também com quadrinhos no formato digital (ou webcomics como alguns preferem chamar)?

Esta bola das webcomics já havia sido levantada pelo Pablo Casado no fim do ano passado e voltou a ser levantada recentemente pelo Marcio Massula. Ambos estão na mesma frequência de pensamento que eu, ou seja, considerando os webcomics como, mais do que o futuro, o presente dos quadrinhos. Não estou dizendo com isso que os quadrinhos impressos deixarão de existir, longe disso. A questão é que cada vez mais o formato digital está se tornando um modo viável financeiramente de se produzir hqs.

Uma notícia publicada pelo Pablo no Universo HQ no começo deste ano fala sobre a queda das vendas de quadrinhos no mercado japonês, ao mesmo tempo em que a distribuição dos mangás em formato digital vem crescendo, principalmente pela facilidade que os japoneses tem em baixar esses mangás em seus celulares para lê-los nos aparelhinhos. Quer dizer, se o Japão, que é um dos maiores mercados de quadrinhos do mundo, está apontando para essa direção dos quadrinhos digitais, o que dirá de outros mercados bem menores.

O Japão, é claro, possui essa vantagem da tecnologia em relação aos outros países. Acredito que o custo de um celular lá deva ser relativamente barato e qualquer japinha pode ter um, o que facilita a propagação das webcomics. Aqui no Brasil, por exemplo, as pessoas têm que ler as webcomics sentadas em frente do monitor de seus computadores, o que é um tanto desconfortável. Eu mesmo, apesar de publicar minhas HQs na Internet, acho incrivelmente chato ler uma HQ no monitor do micro, principalmente se for muito longa. Por isso, em geral, leio apenas tiras pela Internet.

Mas o que tenho percebido, principalmente pelos meus alunos de quinta a oitava série, é que essa “geração digital”, que já nasceu num mundo onde a Internet comercial já existia, estão muito mais habituados a ler quadrinhos no computador, sejam scans ou webcomics, do que aqueles que pertencem a gerações mais velhas, ainda muito apegados ao mundo analógico. E é nessa geração digital que os quadrinistas independentes devem prestar atenção, pois dela virá os seus futuros leitores.

Pois bem, a essa hora você já deve estar se perguntando, se é possível ganhar dinheiro com webcomics, como então fazer isso? Existem dois modelos principais pra se comercializar quadrinhos digitais. O primeiro é disponibilizando as hqs num formato como o pdf ou o cbr, e cobrar pelo download delas. Eu, no entanto, acredito que este modelo de cobrar pelo download não daria muito certo aqui no Brasil, o que nos leva ao segundo modelo, que é o de disponibilizar as hqs de graça e faturar a grana através de merchandising, ou seja, vendendo produtos que levem a marca de suas hqs e personagens.

Este é o modelo que foi adotado por várias webcomics de sucesso lá fora como PvPonline, Ctrl+Alt+Del, Penny-Arcade, Real Life, MegaTokyo, entre outras. Percebam que todas essas webcomics que citei possuem uma lojinha virtual em seus sites onde os autores vendem camisetas, bonés, canecas, broches, e o que mais eles conseguirem botar a imagem de seus personagens, além de álbuns com compilações de suas tiras e hqs. Aqui no Brasil, como o principal representante deste modelo temos o já citado André Dhamer e seus Malvados.

E é este o modelo que pretendo adotar para o Homem-Grilo. Em breve irei disponibilizar camisetas do Homem-Grilo pra vender no site do personagem, e conforme for, outros produtos que levem a imagem dele e dos outros super-heróis do universo HG. Por enquanto, a forma como estou tirando uns trocados com o personagem na Internet é através das propagandas do Google Adsense presentes no site. Mas sobre isso, irei falar mais detalhadamente num post futuro, pois este aqui já tá bem grandinho. Então, por hoje é só pe-pe-pessoal! =)