Relatório 23° Angelo Agostini

Eu estava devendo um relatório do que rolou na entrega do 23º Angelo Agostini, então segue algumas das minhas considerações sobre o evento. Eu cheguei no Sesc da Lapa por volta das 11h da manhã junto com o Leonardo Melo pra montarmos a nossa banca de fanzines lá no evento. Aliás, a banca tomou proporções gigantesca pois além dos fanzines que eu levei pra vender da minha barraca de fanzines, a cada novo fanzineiro e quadrinista independente que chegava por lá, deixava suas revistas e fanzines na banca pra gente vender.

A primeira atividade do dia estava marcado para às 13h, e era uma palestra sobre “Edição de Revistas Independentes” da qual eu participei como editor da Garagem Hermética, apesar de ter repassado o meu cargo pra minha amiga Roberta. Aliás, teria sido muito melhor se ela tivesse participado da mesa, pois além de agraciar as pessoas do auditório com sua beleza, ela é uma garota inteligente e educada e não iria ficar falando um monte de baboseiras chulas que nem eu. Mas na próxima vez, podem ter certeza, será a vez dela.

No começo da palestra eu estava meio nervoso. Eu costumo assistir a palestras sobre quadrinhos há mais ou menos uns 10 anos, e foi uma sensação meio estranha estar pela primeira do outro lado da mesa, olhando para a platéia. Talvez por isso eu tenha soltado tantas baboseiras. Mas na medida do possível eu tentei passar um pouco da minha experiência como fanzineiro, e principalmente da experiência que adquiri editando uma revista independente junto com meus companheiros do Sócios Ltda. Espero que minhas palavras tenham servido de alguma coisa para os quadrinistas que estavam ali presente e que os tenha motivado a partirem pra produção independente, pois a cada dia que passa eu me convenço mais de que a única saída pra construção de um mercado de quadrinhos nacional forte e consistente são os os próprios quadrinistas tomarem a iniciativa. Não dá mais pra ficar esperando pelas editoras, ainda mais as grandes que não estão nem aí pro quadrinista brasileiro.

Inclusive, fiquei feliz de ver a grande quantidade de quadrinhos independentes que foram lançados lá no dia da premiação. Isso mostra que a filosofia “independência ou morte” está contagiando cada vez mais quadrinistas. Quanto mais títulos forem lançados, melhor é pra todo mundo, pois com a cena independente crescendo, ela começa a ganhar mais visibilidade, e com isso, mais força e importância. Só assim ela ira superar a barreira do próprio gueto dos fanzineiros e alcançar o “leitor comum”, fora do “mundo subterrâneo”. Alcançando este leitor, o quadrinistas independente terá um melhor feedback para melhorar a sua produção e evoluir como quadrinista. Ele ganhará ritmo de produção e aprenderá a se adequar ao gosto do seu leitor. E quando isso acontecer, saberemos então que as bases para a consolidação do mercado de quadrinhos brasileiro estarão prontas. A partir daí, os quadrinhos brasileiros estarão prontos para competir de igual pra igual com os títulos gringos.

É claro que esse cenário “idílico” que concebi acima levará anos pra se concretizar. Se tudo continuar ocorrendo como o esperado, eu prevejo uns 15 a 20 anos pra chegarmos até lá. Ou seja, a geração de quadrinista a qual pertenço na verdade apena irá pavimentar o terreno para a próxima geração que irá se formar. E só isso já será uma grande vitória, pois este é o grande problema para o mercado de quadrinhos nacional ainda não ter se consolidado apesar de ser tão antigo quanto outros mercados no mundo; ele não possui continuidade entre suas gerações de quadrinistas, mesmo com esse mercado já tendo alcançado patamares invejáveis de vendas. Havendo continuidade, as novas gerações de quadrinistas passarão a tomar como referência para seus trabalhos a gerações mais antigas, criando assim a tão discutida e polêmica “identidade” dos quadrinhos brasileiros. E a novas gerações de leitores não verão mais os quadrinhos brasileiros como algo alienígena, pois por mais contraditório que isso pareça, é o que acontece hoje em dia. As novas gerações tomarão a publicação de quadrinhos brasileiros como algo natural e habitual a ponto de não diferenciarem a nossa produção da produção gringa em questões técnicas e artísticas mais genéricas, mas reconhecerão um estilo todo próprio de fazer quadrinhos no Brasil, seja qual for a temática abordada, de histórias do cotidiano a ficções científicas cyberpunks. E se depender de mim e dos demais quadrinistas guerrilheiros que estão juntos comigo nesta empreita, esse cenário vai se tornar real por mais fantasioso que ele se pareça agora. Daqui a 20 anos veremos que todo o esforço valeu a pena.

Pois bem, acabei de perceber que comecei a delirar demais e fugi do assunto principal do post que era o Angelo Agostini. De certo modo, não foi uma fuga tão desconexa assim, mas deixaremos essas lucubrações sobre o mercado de quadrinhos nacional para posts futuros na qual irei ensinar táticas de guerrilha pra o quadrinista independente. “Lição número 1: Como tomar de assalto o leitor desprevenido”. =)

Por hora, fiquem com um relatório mais completo e menos delirante do 23º Angelo Agostini no site do Zine Brasil. E confiram também a cobertura do Prêmio Angelo Agostini feita pelo programa HQ Além dos Balões. E abaixo você confere algumas fotos do evento.

A nossa bancada rebelde de fanzines.

A mesa redonda sobre quadrinhos independente. Incrível como eu sai com uma cara de bêbado nesta foto. Tenho certeza que tinha mais alguma coisa além de água naquelas garrafas.

Debate Quadrinhos Independente

A platéia do auditório durante a premiação.

O Auditório

Para conferir mais alguma fotos, visitem o meu flickr.

Relatório 3º Enquadrando e Maratona HQ

No último final de semana, como noticiado aqui, foi realizado o 3º Enquadrando, que já está se tornando um referencial para os quadrinistas da grande São Paulo. No sábado, quando eu cheguei lá na Devir, onde o evento foi realizado, já era mais ou menos uma hora da tarde. Eu pretendia chegar mais cedo pra pegar a palestra da Maria Helena, diretora da Gibiteca Henfil, pra saber afinal que fim vai levar a gibiteca, mas como acordei muito tarde, e moro no farwest de São Paulo (também conhecido como Osasco), não deu.

Quando cheguei, logo me encontrei com o Bira Dantas, e peguei com ele alguns exemplares do fanzine dele pra vender na minha barraca na Feira de Arte, Cultura e Lazer de Osasco. Me encontrei também com o Jorge, do Zine Royale, que me deixou alguns de seus fanzines pra vender na minha barraca.

Então fui assistir à palestra do Odair Braz Junior. Enquanto todo mundo tava interessando no rolo da Pixel com a Dc Comics, eu tava pouco me fudendo pra isso, e tava mais afim mesmo de saber quais seriam os próximos títulos de quadrinhos nacionais que a editora iria lançar. A Pixel para mim tem se mostrado uma das poucas editoras realmente disposta a apostar nos quadrinistas brasileiros, e principalmente, nos quadrinistas novos (ou ao menos novos para o grande público).

Mas também foi interessante ouvir os Odair dizendo quais seriam as propostas da Pixel caso a editora tivesse ficado com os títulos da DC. Em resumo, o foco editorial seria divulgar a linha de títulos para um público mais abrangente, que não é habitual leitor de quadrinhos de super-heróis, tentando formar novos leitores, algo que já não é feito há um bom tempo, desde da idiota idéia da Abril de criar a linha Premium, quando publicava a Marvel e a DC, dando início ao ciclo vicioso que vemos hoje em dia com quadrinhos cada vez mais caros e para um público cada vez menor, elitizando assim algo que deveria ser em essência produto de massa, ainda mais em se tratanto de quadrinhos de super-heróis.

O Odair disse que provavelmente os títulos da DC continuarão a ser publicado pela Panini, o que na minha opinião, é uma pena, pois se a Pixel realmente colocasse em prática essa linha editorial de “popularização” dos quadrinhos de super-heróis, focando mais o “leitor comum” ao invés do fanboy, teria sido muito mais benéfico que os títulos da editora tivessem ido pra Pixel, não só para a própria DC, como para o mercado de quadrinhos em geral, incluindo o nacional.

E o Odair até se mostrou pessimista quanto ao mercado editorial de quadrinhos no ano que vem caso a Panini confirme mesmo o seu monopólio. Vale lembrar que a editora italiana passará a publicar também os quadrinhos da Turma da Mônica, dominando todo o segmento de quadrinhos voltado para as bancas de jornal, impedindo qualquer sobrevivência de outra editora neste meio. Ou seja, sem concorrência, o ciclo vicioso continua, quadrinhos mais caros para cada vez menos gente.

Depois foi a vez da palestra do Worney de Souza sobre o 23º Prêmio Angelo Agostini. E começou falando um pouco do histórico do Ângelo Agostini e depois explicou como surgiu o prêmio que leva o seu nome e que premia as melhores publicações e quadrinistas do mercado nacional. Por fim, ele distribui cédulas de votação para os presentes. Vale lembrar que eu estou concorrendo com duas publicações.

Então o Spacca assumiu a mesa e falou sobre o seu álbum Santô e os Pais da Aviação e sobre seus projetos futuros, todos na linha de romances históricos ou bibliográficos. Para mim a palestra dele foi bastante interessante, pois tenho pretensão também de fazer quadrinhos histórico, ainda mais que agora sou um historiador formado, e adquiri um grande conhecimento pra fazer algo assim. Apesar que eu prefiro muito mais fazer quadrinhos de História Alternativa, que é um segmento da ficção científica que consiste em pegar um fato histórico como base pra sua história, mas alterar os eventos de forma a criar uma realidade alternativa a nossa História. Acho muito mais divertido brincar com a História deste jeito. As possibilidades são infinitas. Eu já comecei a escrever um roteiro de uma HQ sobre a Guerra do Paraguai onde o Paraguai é quem ganha a guerra, e domina o sul do Brasil transformando-o num estado independente do resto do país, que chamaria República do Prata (que seria o nome da HQ), mas o projeto ainda está muito no começo e precisa ser melhor formatado.

Após o Spacca, seguiu a palestra do Ricardo Leite, desenhista do álbum Destino Oeste, que eu ainda não conhecia, e fiquei muito impressionado com a arte ao folheá-lo lá no evento. Ele falou sobre como foi a produção do álbum, e também sobre a lei de incentivo cultural de Cuiabá que ele utilizou pra financiar sua HQ.

O Ricardo também faz a revista independente Gorjeta, com que eu troquei alguns exemplares por algumas Garagens Herméticas. Assim, ele leva para o Mato Grosso algumas revistas minhas pra vender lá, e eu vendo as revistas dele aqui em São Paulo. Esse hábito de trocar revistas com quadrinhistas independente de outras cidades, e principalmente, de outros estados, eu apreendi como o Renato Lima, editor da Jukebox. É uma ótima forma de distribuir a sua revista através do país, ainda que em proporções pequenas, mas como a nossa tiragem também é pequena, então esse sistema serve muito bem. Desta forma, já consegui enviar a Garagem pra Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Maceió. E se tiver algum quadrinhista independente que queira trocar suas revistas pela Garagem, é só entrar em contato comigo.

Terminado a programação do enquandrando, tivemos o Will falando sobre a revista independente A Mosca no Copo de Vidro e o Márcio Baraldi falando sobre o lançamento do novo álbum do Roko-Loko. Aliás, assistir a uma palestra do Baraldi é sempre um evento divertidíssimo, pois o cara é uma figura. E partir daí começaria a programação da Maratona HQ, programada pela própria Devir.

Ela começou com uma palestra dos gêmeos Fabio Moon e Gabriel Bá, mas logo se juntaram a eles na mesa Fernando Gonzáles e Lourenço Mutarelli pra falarem sobre a adaptação de histórias em quadrinhos pra outra mídias. Esse ao menos era o tema da palestra, pois na verdade ela se desviou e se discutiu de tudo um pouco. E pra fechar o dia, teve ainda uma palestra do Sidney Gusman sobre jornalismo especializado em quadrinhos, algo que tem crescido muito nos últimos tempos, segundo constatação do próprio Sidão.

Ele começou contando sobre como iniciou sua carreira no jornalismo de quadrinhos e contou sua experiência profissional também em outras áreas. Depois, falou um pouco de como está sendo a experiência no seu novo trabalho no estúdio do Maurício de Souza. A palestra do Sidão estava muito boa, e bem divertida, mas eu infelizmente não pude ficar até o final, pois já era tarde, e como eu disse, moro no farwest e o último trem pra cá sai a meia-noite, apesar da tentação de ficar lá pra pegar os descontos de 40% nos álbuns da Devir que seriam dados durante a madrugada era grande. Mas como tinha de trabalhar no dia seguinte no domingo na minha barraca de fanzines na feira cultual de Osasco, acabou não dando. Mas quem sabe no ano que vem eu faço isso.

3º Enquadrando e Maratona HQ

Neste final de semana, dias 2 e 3, será realizado a 3º edição do Enquadrando, e desta vez, junto com a Maratona HQ, evento em que a Devir vende o conteúdo do seu estoque com descontos que variam entre 20% a 70%, e começa no sábado e segue por toda a madrugada de domingo prosseguindo até às 17h. Abaixo estou postando a programação do enquadrando que o Marko Ajdaric me enviou.

Sábado pela manhã:

10 horas: Maria Helena C. Pinho, diretora da Gibiteca Henfil: realizações da Gibiteca e perspectivas para 2007 (a Gibiteca vai deixar seu espaço atual, o que é um dos grandes assuntos do setor)

Na seqüência, vindo de Campinas, Djota Carvalho, Bira Dantas e Ricardo Quintana lançam em São Paulo ‘Escola de Sacis’. / Djota Carvalho apresenta seu novo livro ‘A Educação Está no Gibi, que também conta com a presença de Bira Dantas’

Sessão de filmes de animação, de 12:00 às 14 horas

Nhô Tonico, filme de animação de 20 minutos de Maurício Squarisi (mais uma presença de Campinas), que relata a vida do grande compositor brasileiro Antônio Carlos Gomes.

Desenho animado ‘Lendas da Lua’, realizado por professores do projeto Correio-Escola em oficina de animação do Núcleo de Cinema de Animação de Campinas em parceria com a produtora América 35 e Correio Escola (Correio Popular / Rede Anhangüera de Comunicação), que estreou em 23 de outubro.

‘Cadê o Verde que Estava aqui’, curta de animação com temática ecológica do cartunista paraense Biratan Porto – baseado no livro homônimo.

Curta-metragem ‘O Gosto de Ferrugem’, do paraibano J. Audaci Junior, realizado a partir da HQ ‘Todo o Sal do Mar’, do português José Carlos Fernandes (que – no Brasil – é publicado pela Devir).

A primeira apresentação offline – e portanto com melhor qualidade – do trailer do 1º fã-filme brasileiro de Batman, produzido pela Batbase, que leva a assinatura de Renato Araujo e Marcos Perrin. Renato é o grande organizador do maior clube de apreciadores do Homem-Morcego no Brasil; Marcos Perrin já realizou os efeitos especiais do fã-filme Shadows of Empire (baseado em Star Wars).

Beto, uma sequência de curtas de animação com temática de futebol do Núcleo de Animação ‘Grilos Mutantes’, uma oficina coordenada por Péte Martins e Fernando Carvall, com apoio do SENAC São Paulo. Pessoalmente, sublinhamos que em se tratando de um trabalho de oficina com iniciantes, o resultado é muito mais do que animador.

‘Espantalho’, animação que venceu como melhor filme brasileiro do Anima Mundi de 1998, (entre 12 prêmios,) de Alê Abreu, que é membro do conselho de formação da SIB- Sociedade dos Ilustradores do Brasil.

‘Aquarela’, curta de animação de André Koogan Breitman e Andrés Lieban (2003), com trilha homônima de Toquinho, Vinicius de Moraes, Morra e Fabrizio, baseado na música que também virou um dos melhores desenhos de propaganda da história do Brasil. O curta integra o DVD ‘Toquinho no Mundo da Criança’, com 7 filmes de Lieban, lançado em 2005.

Da Argentina, Asterión, filme de curta duração em animação de Juan Carlos Camardella que ganhou – em novembro de 2006 – o Concurso Nacional de Cine y Video Independiente de Cipoletti. Trata-se de uma adaptação de ‘La Casa de Asterión’, conto de Jorge Luis Borges sobre o mito grego.

Sábado à tarde

14:00 horas: Odayr Braz Junior, para falar sobre as novidades da editora Pixel para 2007

15:00 horas: Worney de Souza, para falar sobre o 23º Prêmio Angelo Agostini e sobre o artista que dá nome ao prêmio do Dia do Quadrinho Nacional (haverá cédulas para votação no Enquadrando)

16:00 horas: Carlos Luzzi, do Estúdio Daniel Messias: para mostrar a trajetória do estúdio, e em especial, a série Cartum Netiuorque, baseada em HQs de Glauco, Caco Galhardo e Laerte e trabalhos com séries como Animaniacs, Johnny Bravo, Frajola, etc.

17:00 horas: Spacca, para falar sobre a adaptação de ‘Santô e os Pais da Aviação’ ao teatro, sua adoção nas escolas públicas em 2007 e sobre seu novo projeto de quadrinhização da vida de Monteiro Lobato.

18:00 horas: Sessão coletiva de autógrafos

1) Ricardo Leite: desenhista do belo álbum Destino Oeste, que virá de Mato Grosso nos brindar com a sua presença, assinando pela primeira vez o álbum na capital paulista.
2) A Mosca no Copo de Vidro e outras Histórias’, a nova revista coletiva do Bigorna.
3) Fido Nesti, para autografar ‘Os Lusíadas em Quadrinhos’, editado pela Peirópolis.
4)Marcio Baraldi, autografando ‘Born to Be Wild’, o 4º álbum de Roko-Loko e Adrina-Lina (Opera Graphica), e ainda, com os bonecos anunciados no 2º Enquadrando.
5) Gonzalo Cárcamo, para autografar ‘O Amigo Fiel’, sua adaptação do conto ‘The Devoted Friend’, de Oscar Wilde, publicado pela Berlendis & Vertecchia, que – como já escrevemos , é um selo que publica coleções maravilhosas como a ‘Arte para Crianças’, onde temos, lado a lado, obras com textos de Ana Maria Machado, Ziraldo, Fernando Sabino, Luis Fernando Veríssimo e pinturas de Alfredo Volpi, Milton Dacosta, Tomie Ohtake, Lasar Segall, Carlos Scliar e Arcangelo Ianelli. O time de ilustradores da Berlendis & Vertecchia, em outros livros e coleções é de deixar animado qualquer pessoa amante das artes sensibilizado.

Domingo , 03/12, à tarde, a partir de 14 horas

14:00 horas: O cartunista Jessé Ribeiro, vencedor do XIII Salão Internacional de Cartuns contra a Guerra de Kragujevac, na Sérbia, em 2005, vai falar como foi a sua exposição naquela cidade e em Belgrado.
15:30 horas: A professora Paula Ester Janovitch, para falar sobre o livro Preso por Trocadilho, sobre a imprensa humorística de São Paulo e apresentar um documentário sobre Juó Bananére.
16:30 horas: Gualberto Costa, para expor material audiovisual sobre 100 museus ligados à 9ª Arte no mundo e debater os rumos do Museu de Artes Gráficas do Brasil.

18 00 horas 5 lançamentos:

1) Lançamento absoluto da Zarabatana, o novo selo brasileiro de excelentes quadrinhos, com a apresentação do álbum ‘O Prolongado Sonho do Sr. T’, do espanhol Max.

2) Lançamento em São Paulo da editora paulistana Uirapuru, cuja primeira apresentação ao público foi na FENALBA, em Santos. A Uirapuru vai levar ao Enquadrando seus primeiros títulos: Zóide e Agente Imunológico, ambos de criação de Egidio Trambaiolli Neto, professor e autor de livros didáticos, que você pode conhecer nesta matéria da revista Nova Escola. 4 livros do professor, com o selo da FTD, podem ser visualizados aqui. Zóide é um gibi que versa sobre o sexo com muito humor e informações. Zóide mistura as histórias em quadrinhos com textos interessantes, depoimentos, tira-dúvidas e orientações dadas por profissionais especializados. Já o Agente Imunológico, na verdade, se chama Estevan, ele é um policial correto, mas que se torna presa fácil das belas mulheres…

3) Lançamento da Front 17, um marco dos quadrinhos para adultos no Brasil. Nesta edição, estão presentes trabalhos de Alberto Pessoa, Alex Rodrigues, Alexandre Montandon, Aloísio Castro, Augusto Oliveira, Bira Dantas, Conceição Cahu, Camilo Saraiva, Carlos André Moreira, Daniel Esteves, Douglas Félix, Gilmar Fraga, Hugo Araújo, Igor Capelatto, Júlio Brilha, Mário César, Orlandeli, Paulo Barbosa, Raphael Salimena (responsável também pela capa), Samuel Bono, Túlio Caetano, Xalberto e Wanderson de Souza. As presenças já confirmadas entre os artistas da Front são: Mário César, Daniel Esteves, Júlio Brilha, Aloísio Castro e Alexandre Montadon. A confirmar: Bira Dantas (que já está garantido na primeira manhã do evento), Alberto Pessoa, Camilo Saraiva, Samuel Bono, Wanderson de Souza e Alex Rodrigues e Igor Capelatto.

4) Raio Negro, o primeiro super-herói brasileiro, foi criado em 1964 pelo roteirista e desenhista Gedeone Malagola. 42 anos depois, o personagem continua sendo motivo de muitas homenagens e reedições. Em agosto, entrou no ar um site especialmente dedicado à trajetória do Raio Negro.

Em novembro, o editor independente de (muitos) quadrinhos José Salles – de Jaú – terminou de editar ‘Raio Negro – Super Herói 1’, que teremos a honra de lançar no 3º Enquadrando, com 28 páginas com HQs clássicas de 3 super-heróis criados por Gedeone Malagola: Raio Negro, Homem Lua e Hydroman, por somente 3 reais. Conheça o pensamento e as muitas ações de José Salles em sua coluna ‘Gibizóide’

Outras duas iniciativas atuais de jovens quadrinhistas ajudam a manter presente a obra do mestre: a presença do Raio Negro no número atual da revista de Cometa, o personagem heróico publicado por Samicler Gonçalves desde Chapecó (SC) e um projeto de Diogo Hayashi (de Jundiaí SP) para recuperação do legado do mestre, que merece ser conhecido por todos.

A editora Vardi, de Daniel Vardi, fará o lançamento da sua nova HQ no 3º Enquadrando, ela se chama ‘O Diário Negro do Toninho do Diabo’. Trata-se de uma publicação de terror, com material 100% nacional. Apresenta em suas 32 páginas 3 histórias com diversos desenhistas.

‘O Filho do Diabo’ escrita por Daniel Vardi e ilustrada por Peterson A. narra o pacto de um casal para ter filhos…. – Entidade Assistencial é uma história com humor negro escrita e desenha pelo novo talento de Jundiaí, Hugo Nanni -Hospital do Diabo é a primeira história escrita pelo próprio Toninho do Diabo e foi desenhada por Marcelo Leonardi no mais puro estilo clássico. A produção demorou nada menos 8 anos para ser lançada… O preço da revista é R$ 4,90 .

Uma mostra de audiovisuais sobre quadrinhos e filmes de animação, com peças de vários países e pontos do Brasil (todos autorizados pelos artistas ou instituições), complementando o evento do Enquadrando, no período entre as atividades de sábado e domingo: sendo que as 4 últimas – nesta ordem -, para ir aquecendo os eventos da tarde, são a exibição de Patoruzito, 1, do VCD de Edgar Franco, do DVD do Gralha e do documentário sobre Belmonte.

‘Kactus Canini Kid, uma Graficobioanimada’, filme do desenhista e cineasta Lancast Mota (mais conhecido por sua série televisiva ‘Anabel) sobre a carreira de Renato Canini, o artista que deu feições mais definitivas e brasileiras ao Zé Carioca, e que influenciou vários nonoartistas brasileiros e ajudou a criar um público de melhores leitores de quadrinhos com as tiras de Dr. Fraud e com ‘Kactus Kid’.

Trailer de ‘Hair High’, filme de animação deste ano de Bill Plympton, ‘o rei da animação independente’ nos EUA.

De Portugal, um teaser de História Trágica com Final Feliz — Ciclope Filmes, média metragem de animação de Regina Pessoa, que é o filme de animação português mais premiado da história.

DVD de Patoruzito 1, o filme mais visto na história da Argentina, que é baseado na HQ de Dante Quinterno e que virou seriado do Cartoon Network.

Também da lavra de Dante Quinterno, o primeiro filme argentino em tecnicolor: ‘Upa en Apuros’ (1942), que não só foi baseado em outra HQ de Quinterno (Patoruzú) como foi realizado pelo estúdio do próprio artista.

Pela primeira vez em São Paulo, apresentação do DVD com os dois curtas de O Gralha, o personagem fixo dos quadrinhos de mais longa carreira atualmente no Paraná, com a presença dos dois quadrinhistas que atualmente realizam as HQs online do perosnagem, que virão do Paraná para o nosso evento (mais detalhes, aqui).

Trailer de ‘Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll’, filme baseado nos quadrinhos de Angeli, realizado pelos estúdios de Otto Guerra este ano e que foi vencedor do segundo festival Animacor, em Córdoba (Espanha), este ano.

Trailer de Fimfárum 2, filme tcheco de animação que vem concorrendo a vários prêmios internacionais, este ano.

Da República Tcheca, um teaser de ‘Karneval Zvirat’, filme de Michaela Pavlátová que venceu o Cinanima, festival de animação em Espinho, Portugal, em novembro de 2006. A cineasta e ilustradora tem respeito internacional desde que concorreu, com ‘Words Words Words’, ao Oscar, em 1991.

Da Galícia, trailer de ‘De Profondis’, filme concebido e dirigido por Miguelanxo Prado, o mais genial quadrinhista galego da história, lançado este ano, com trilha sonora a cargo da Orquestra Sinfônica da Galícia

Trailer de ‘Plumiferos’, da Manos Digitales Animation Studio, primeiro filme argentino de animação em 3D com software livre (2006).

Do Chile, um vídeo amador do jovem quadrinhista Galo (pseudônimo de Jaime Huerta) com excelente qualidade documental: a versão em vídeo desta entrevista que foi concedida por Percy Eaglehurst, um mestre dos quadrinhos chilenos, sobre seu personagem de tiras Pepe Antártico. A inscrição deste documento em vídeo também marca a homenagem do Enquadrando aos 100 anos dos quadrinhos no Chile, que se comemoram em 2006

Da Macedônia, um trailer de Pietas, filme de mitologia que, embora inacabado, acabou abrindo as portas da Disney ao animador e também quadrinhista Aleksandar Sotirovski

Animação promocional de ‘Gringo – O Escolhido’, álbum de quadrinhos 2006 que tem roteiro de Wilson Vieira e desenhos de Aloísio de Castro, com direito a capa de Renato Guedes.

O documentário ‘Belmonte’, do cineasta Ivo Branco (que foi exibido pela TV Cultura, no dia 22/07/06), com a presença do próprio Ivo Branco. O filme, de 12 minutos, mostra seu trabalho nos anos 1920, em publicações como ‘Revista da Semana’, ‘A Careta’, ‘Frou-Frou’, ‘Dom Quixote’, a criação de Juca Pato, na Folha da Noite, em 1925, e suas magistrais charges contra o nazismo. O filme foi vencedor como melhor curta metragem do IX Festival do Cinema Brasileiro de Gramado em 1981 e Melhor Filme Cultural do VII Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano, em Cuba, em 1986. Vale lembrar que 2007 marca 60 anos da morte de um dos maiores desenhistas o Brasil, em todos os tempos.

Ziriguidum, curta de animação de Gabriel Prezoto baseado na obra de Marcatti, um dos maiores nomes dos quadrinhos underground do Brasil e que este ano está ocupado em realizar uma quadrinhização de Eça de Queirós.
Entrevista de Gil Caserta, o profissional que faz a animação acontecer em Sorocaba, com Ridaut, o criador do Seninha.

Trabalhos de animação de Thomas Larson, ou melhor, Thomate, o maior responsável por Ribeirão Preto ter tido mais gente que São Paulo no Dia Internacional da Animação, este ano, e que também é chargista.

De Minas Gerais, o quadrinhista multi-meios Edgar Franco, difusor das HQtrônicas e recente doutor pela USP comparece com um VCD de mais uma de suas incursões pelas artes: 32 minutos de música e imagens realizadas por ele em parceria com o francês Lejeune Ludovic.

Da França, Bip Bip, filme de 2003 de Romain Segaud (vencedor do festival Imagina com Tim et Tom), realizado pelo estúdio Cube. O filme, que mostra com humor o tráfego de Paris, ao som de uma música de Joe Dassin, venceu o Anima’05, III Jornadas de Animación em Córdoba, Argentina (2005), como melhor animação.

Cartuns animados do ilustrador e cartunista Jorge Barreto, o pai de Thumba…
Entrevistas de Marko Ajdarić com o chargista argentino Crist e com o quadrinhista brasileiro Marcio Baraldi, além das fitas do 2º Enquadrando.

Relatório Zine Osasco

Zine Osasco.

Eram nove horas da manhã quando cheguei na Biblioteca Municipal de Osasco no último sábado, dia 25 de novembro, para preparar os últimos detalhes do Zine Osasco, que iria começar às dez horas.

O Zine Osasco é um evento sobre fanzines e quadrinhos independentes cujo objetivo é servir como um ponto de encontro entre fanzineiros, quadrinhistas e leitores para trocar idéias e discutir sobre a produção de quadrinhos e o mercado nacional, além de divulgar o trabalho dos quadrinistas iniciantes, incentivando-os a produzirem cada vez mais para assim melhorarem suas habilidades e perícias na confecção de uma história em quadrinhos.

O evento foi formatado da seguinte maneira: uma exposição dos fanzines inscritos que iram compor o novo acervo de fanzines da Biblioteca; uma exposição de ilustrações cujo tema desta primeira edição do evento foi mitologia grega; e por fim, uma série de palestras com temas pertinentes a produção independente.

A primeira palestrante do dia foi Beth Kodama, substituindo a Elza Keiko, que não pôde comparecer. Beth deu dicas e noções básicas sobre edição e diagramação de uma revista para os presentes, além de contar a sua experiência pessoal como fanzineira com os fanzines Kanetsu e Ethora Especial. Para aqueles que sempre quiseram fazer um fanzine, mas não tinham muita noção de como, a palestra da Beth foi bem enriquecedora.

Após uma pequena pausa para o almoço, foi à vez de Zé Oliboni, editor do site Pop Balões, dar a sua palestra sobre quadrinhos na Internet. Zé contou a experiência que ele está tendo com a publicação de quadrinhos no seu site, e também sobre outras experiências bem sucedidas de sites que publicam quadrinhos online, como a Nona Arte de André Diniz, e o Quantoon, da Quanta Academia.

Oliboni destacou a importância da Internet como um ótimo meio de divulgação para os quadrinista, mas ressaltou que eles devem pensar mais em fazer quadrinhos adaptados a Internet ao invés de ficarem presos aos padrões das hqs impressas, já que na Internet é possível ousar mais neste aspecto, pois não há as limitações do formato do papel.

A última palestra do Zine Osasco foi realizado por Eloyr Pacheco,Will, Leonardo Pascoal, e Caio Majado. A palestra começou com cada um deles contando um pouco das experiências pessoais na área de quadrinhos e apresentando seus respectivos trabalhos.

Depois foi a vez deles falarem um pouco da revista em quadrinhos A Mosca no Copo de Vidro e Outras Histrórias que eles produziram juntos. Então começou-se a discutir sobre a crescente produção independente de quadrinhos no Brasil. O consenso que se chegou com essa discussão é que a produção independente é extremamente importante para a criação futuramente de um mercado de quadrinhos nacional consistente, estável e extremamente profissional.

Mas para que isso seja possível, é preciso que haja uma conscientização dos quadrinistas de que este mercado só se tornara uma realidade a partir da iniciativa deles mesmos, que devem produzir cada vez mais, ao invés de ficarem parados esperando que as editoras os publiquem.

E felizmente este é um movimento que já está acontecendo, e espero que a produção independente cresça cada vez mais a ponto de chamar a atenção dos leitores de quadrinhos, cuja grande maioria ainda não faz nem idéia da existência deste cenário independente no Brasil.

O 1º Zine Osasco deu um passo nesta direção, uma pequena contribuição para que o leitor possa tomar conhecimento de tudo isso e também interagir de perto com os quadrinhistas independentes.

Por fim, posso dizer que os saldos do 1º Zine Osasco foram positivos. Gostaria de agradecer aos convidados que gentilmente aceitaram dar as palestras e principalmente, aos fanzineiros que participaram ativamente do evento. Sem vocês, ele não teria sido possível. Valeu!