Resoluções de Fim de Ano: Os Novos Projetos de Quadrinhos pra 2011

Este foi um ano em que publiquei muito pouco. Em compensação, produzi bastante. Isso se deve ao fato de que a maioria das HQs que escrevi em 2010 foram histórias longas, com mais de 100 páginas, o que torna mais difícil a publicação delas de forma independente. Mas agora em 2011 pretendo começar a correr atrás de desenhistas pras essas HQs, e tentar publicá-las (seja por editoras, ou de forma independente mesmo).

Em 2010 participei de vários eventos de quadrinhos, e não só em São Paulo, mas também em cidades como Florianópolis e Rio de Janeiro. Dei diversas oficinas sobre histórias em quadrinhos, principalmente sobre roteiro e webcomics, e também bati o recorde de venda das minhas HQs em eventos, mesmo tendo publicado pouca coisa nova (imagine então se eu tivesse conseguido publicar tudo que eu tinha planejado?).

Para o começo de 2011 pretendo enfim publicar a edição nº 100 do Homem-Grilo que eu deveria ter publicado no fim deste ano, mas que por uma série de contra-tempos, acabou sendo adiada. Também pretendo retomar a publicação de Nova Hélade, que ficou parada devido ao meu trabalho nessas outras HQs longas que citei no começo.

Mas o meu principal projeto para 2011 será um coletivo de webcomics que estou montando junto com o Will e o Esteves, nos moldes de coletivos já existentes, como os norte-americanos do ACT-I-VATE e do Transmission X, e os argentinos do Historietas Reales.

A ideia é ter nesse nosso coletivo 7 séries em quadrinhos sendo produzidas por diferentes quadrinistas que serão publicadas online com cada uma delas tendo uma página atualizada por semana. Ou seja, teríamos em cada dia da semana sempre uma nova página de uma das nossas séries sendo publicada.

O nome desse nosso coletivo de webcomics será Petisco, pois a ideia é justamente que nossos quadrinhos sejam apreciados em pequenas porções semanais, assim como eram os quadrinhos publicados nos suplementos dominicais dos jornais no começo do século XX. Aliás, é interessante que o modelo de publicação das webcomics são muito parecidos com a desses quadrinhos publicados em jornais, ou seja, publica-se a série aos poucos, seja em tiras diárias ou páginas semanais, e depois reúne-se esse material para ser publicado num único álbum. E hoje em dia esses álbuns reunindo o material publicado online podem ser feitos sob demanda, assim, não há custos pro quadrinista com estoque. No momento da compra, essa unidade é impressa, e sai da gráfica direto pra casa do comprador.

Quero ver se com o Petisco eu consigo colocar em prática alguns do mais novos modelos de publicação e comercialização de quadrinhos digitais que existe. Era algo que eu gostaria de já ter posto em prática no Quarto Mundo, quando ainda fazia parte do coletivo, mas que por uma série de fatores acabou não acontecendo. E principalmente porque o foco do Quarto Mundo são quadrinhos impressos e não os quadrinhos digitais.

Mas em tempos de Ipad, Galaxy, entre outras tablets, não vejo mais sentido no quadrinista se restringir apenas a publicação de quadrinhos impressos. O mercado de quadrinhos digitais já são uma realidade, e se bem explorados, podem ser bem lucrativos. E é esse novo mercado em expansão que pretendemos atingir com o Petisco.

Ainda não tenho como confirmar todos os quadrinistas que farão parte do Petisco, pois ainda estou aguardando resposta aos convites que fiz. Mas espero já estar com o site do Petisco funcionando em janeiro, e com algumas das séries que farão parte do coletivo já sendo publicadas (dos quais eu já posso confirmar a Nanquim Descartável do Daniel Esteves e a minha Nova Hélade).

Bem, então é isso. Desejo a todos um bom 2011 repleto de quadrinhos, e principalmente quadrinhos onlines. =)

Oficina de Webcomics na Rio Comicon

Cartaz da Rio Comicon por Milo Manara.

Enquanto não consigo ir nos grandes eventos internacionais de quadrinhos, como a San Diego Comicon, o Festival de Angoulême, e o Festival de Amadora, estou ao menos conseguindo ir nos grandes eventos de quadrinhos realizados pelo Brasil. Só esse ano já fui à Anime Dreams, SP Comic Fair, HQCon e Fest Comix. E o próximo evento na agenda é a Rio Comicon, que acontece entre 9 à 10 de novembro, na Estação Leopoldina, na cidade do Rio de Janeiro.

Irei ministrar uma oficina sobre webcomics na Rio Comicon, no dia 10 de novembro, das 18h às 19h30. Essa oficina é voltada tanto aos quadrinistas iniciantes quanto aos profissionais que já publicam quadrinhos de forma tradicional há tempos, mas gostariam de adentrar também a esse universo dos quadrinhos digitais. A minha ideia com essa oficina é dar um panorama geral de como está o mercado de webcomics e quadrinhos digitais hoje em dia, além de mostrar as melhores formas e ferramentas pra se publicar quadrinhos onlines. E principalmente, irei mostrar quais são os principais modelos de negócios para se ganhar dinheiro publicando webcomics.

Além dessa oficina, também estarei todos os dias do evento no estande do Quarto Mundo vendendo minhas histórias em quadrinhos, como o Homem-Grilo e Nova Hélade, entre outras.

Se você me ver andando pela Rio Comicon, dê uma alô. Adoro conhecer meus leitores e bater um papo, pois aprendo muito com vocês. E isso faz com que eu produza histórias em quadrinhos cada vez melhores. =)

Para quem não for, vou tentar na medida do possível (não sei exatamente se terei acesso a Internet lá do evento) manter vocês atualizados através do meu twitter sobre o que anda rolando na Rio Comicon.

E pra quem for, vejo vocês lá! =D

Manga, Ipod e Webcomics

Esta noticia já é um pouco antiga, mas vale a pena ser comentada. As empresas japonesas Voice Bank, Inc. e Digital Manga Association estão disponibilizando mangas através de streaming para ser visualizados em aparelhos e iPod Touch.

Acho até que demorou para alguém começar a disponibilizar quadrinhos no Ipod. Não por acaso os japoneses foram os primeiros a fazer isso. Eu já havia comentado no meu artigo sobre A Internet e os Quadrinhos Independentes que as vendas dos mangas no Japão vem caindo nos últimos anos, enquanto ao mesmo tempo os downloads de mangas por celulares vem aumentando. Isso acontece porque os japoneses já possuem celulares com tecnologia adequada para a visualização desses mangas sem perda de qualidade com relação a mídia impressa. E se aparelhos como esses se popularizarem, será o grande pulo do gato para a em todo mundo, pois o grande obstáculo para sua difusão é o suporte físico (ler quadrinhos no monitor do computador ainda é uma tarefa incomoda pra muita gente).

Em tempo, estou curioso para ler o livro que escreveu junto com outros “quadrinistas onlines” intitulado How to Make Webcomics.