Relatório Rio Comicon 2010

Estande do Quarto Mundo na Rio Comicon.
Estande do Quarto Mundo na Rio Comicon.

Adorei a semana em que estive no Rio participando da Rio Comicon. Apesar de todas as falhas que o evento teve (muitas, compreensíveis, presentes em qualquer evento de grande porte), posso considerar que, ao menos pra mim, o saldo final do evento foi positivo em diversos fatores.

Viajei para o Rio de Janeiro junto com Daniel Esteves e com o Will, e todos nós ficamos hospedados na casa da Ana Recalde (e valeu novamente pela hospedagem, Aninha, que Zeus Xenios, considerados pelos antigos gregos como o patrono dos viajantes e dos que hospedam os estrangeiros, te proteja!). Como havia dito no meu último post, fui para a Rio Comicon para vender meus quadrinhos no estande do Quarto Mundo (apesar de não mais fazer parte do coletivo, me foi cedido vender meus quadrinhos no estande deles, e em troca eu trabalhei na administração do estande e colaborei vendendo as demais revistas do Quarto Mundo, que afinal, é algo que eu já fazia quando ainda era do coletivo). E posso dizer que bati todos os recordes de vendas nessa Rio Comicon, sendo que algumas das revistas, bottons e chaveiro que eu levei se esgotaram completamente. E o mesmo pode ser dito de todo o estande do Quarto Mundo, que vendeu bastante, mesmo das revistas mais antigas, mas que, ao que parece, ainda não eram tão conhecidas do público do Rio, fazendo com que mesmo essas revistas ainda fossem novidades pra eles.

Também ministrei duas oficinas lá na Rio Comicon. A primeira, que já estava na programação oficial, foi sobre Webcomics, e estava lotada. Não esperava que tanta gente fosse se interessar pelo tema (em geral as oficinas mais concorridas costumam ser as de temas mais básicos, como roteiro ou desenho). A sala da oficina estava tão cheia, que algumas pessoas tiveram que se sentar no chão. E alguns, infelizmente, acabaram ficando sem a apostila da oficina, pois a organização do evento não havia impresso exemplares extras.

E quase que uma falha na conexão com a Internet do meu EeePc acabou estragando a oficina, mas graças a ajuda do quadrinistas Marcos Noel, que estava assistindo a minha oficina e cedeu gentilmente o seu notebook para que pudesse usar no lugar do meu, tudo ocorreu como programado e eu consegui mostrar todos os exemplos e sites de webcomics que eu queria. No fim, pelos comentários que recebi, apesar de básica, a oficina se mostrou bem proveitosa para galera, e ajudou mesmo aqueles que já estavam publicando suas webcomics e já tinham alguma experiência no assunto.

Cadu Simões ministrando uma oficina de webcomics na Rio Comicon.
Oficina de Webcomics.

Outra oficina que ministrei foi a de Fanzine. Originalmente era para essa oficina ser ministrada pelo Marcos Venceslau, mas como ele não pode ir, eu e o Will acabamos substituindo ele. Aqui a pegada já foi bem diferente da oficina de webcomics, e abandonamos completamente o computador e as novas tecnologias, e focamos no bom e velho fanzininho feito de papel. Ensinamos a galera como se montar o boneco de um fanzine simples, e também como dobrar, cortar, e as melhores formas de reproduzir e fazer cópias (como mimiógrafo, xerocs, impressão a laser, etc). Essa oficina de fanzine não tinha tanta gente, ainda mais se comparada com a de webcomics, mas isso foi bom, pois assim deu para dar mais atenção a cada aluno individualmente, e também fazer eles botarem a mão na massa, e ao final da oficina, cada um saiu com seu próprio fanzine prontinho pra ser copiado e vendido.

Muito se comentou sobre a falta da participação das editoras na Rio Comicon. Eu já imaginei que isso fosse ocorrer devido ao histórico de não participação das editoras em eventos de quadrinhos pelo Brasil, como tem, por exemplo, ocorrido com o FIQ, evento realizado pela mesma equipe de pessoas que organizaram a Rio Comicon. Salvo raras exceções, a maioria das editoras, e seus editores, não possuem o hábito de estarem presentes nesses eventos com estandes, para que possam vender seus quadrinhos diretamente aos seus leitores (de preferência com desconto, já que no evento pode ser reduzido do preço de capa todos os custos com distribuidoras, livreiros, entre outros intermediários) e também atender aos quadrinistas interessados em apresentar seus projetos e portfólios a essas editoras.

Na seção de comentários do Blog do Universo HQ, sobre a crítica da Rio Comicon feita pelo Sidão e pelo Delfin, o Roberto Ribeiro, principal mentor do evento, respondeu que entrou em contato com as editoras de quadrinhos e encontrou dificuldades em convencê-las em participar da Rio Comicon (e ele ressalta que o mesmo já havia ocorrido com o FIQ, como salientei acima). Roberto disse que o principal motivo da não participação das editoras é uma desconfiança no potencial comercial de eventos do gênero. Se for esse mesmo o motivo, é uma pena, pois mostra como os editores possuem uma visão estreita. Não adianta os editores reclamarem do mercado de quadrinhos, se eles mesmo não investem no seu crescimento, e participar de eventos é uma boa forma de se fazer isso.

Até o momento a única resposta que houve a esse comentário do Roberto por parte de uma editora foi da Cia da Letras, em um comentário deixado também no Blog do Universo HQ pela Diana, que cuida da parte de redes sociais da Cia das Letras. Diana diz nesse comentário que a editora entrou em contato com a Rio Comicon diversas vezes perguntando sobre quais eram as possibilidades para a Cia da Letras montar um estande próprio no evento, e segundo ela, diversas vezes a organização respondeu que ia passar a eles essas informações, mas nunca passou. Aliás, se eu não engano, a Cia das Letras era a única editora que possuía estande próprio no FIQ do ano passado, e por já terem mostrado efetiva participação num evento de quadrinhos, foi uma grande falta não termos um estande deles também na Rio Comicon.

É uma pena que as outras editoras também não tenham se pronunciado a respeito da ausência delas na Rio Comicon, pois assim ficamos sem o lado delas da história, e ficamos sem saber se isso ocorreu de fato por descaso com o evento por parte delas, ou se houve falha de comunicação por parte da organização, como parece ter ocorrido no caso da Cia das Letras.

Cadu Simões autografando uma edição da revista do Homem-Grilo.
Autografando a revista do Homem-Grilo.

Mas se a organização do evento e as editoras parecem estar batendo cabeças, os quadrinistas ao menos estão fazendo suas partes e muitos deles participaram da Rio Comicon, seja com estandes próprios ou vendendo seus quadrinhos de mão em mão mesmo. Isso, aliás, é algo que também já vinha ocorrendo no FIQ, e se intensificou ainda mais na Rio Comicon. Como disse o Gabriel Bá em seu blog, somente o contato direto entre o autor e o público é que realmente pode consolidar o mercado nacional de quadrinhos. E a participação dos quadrinistas na Rio Comicon foi uma amostra disso.

Ao que tudo indica, a Rio Comicon será anual, então já teremos uma outra edição do evento em 2011. E segundo o Roberto Ribeiro, também haverá mais uma edição do FIQ em novembro do ano que vem. Ou seja, para 2011 já temos confirmados ao menos dois eventos internacionais de quadrinhos sendo realizados no Brasil. Isso sem contar com o boato que tenho ouvido de que São Paulo também sediará uma Comic Con no ano que vem (mas ao que parece, esse evento não será organizado pela mesma equipe do FIQ e da Rio Comicon). E quanto mais eventos de quadrinhos tivermos pelo Brasil melhor será, pois isso só contribui para o crescimento do mercado brasileiro. De minha parte, tentarei estar presente na maior quantidade de eventos que puder, pois adoro estar em contato direto com meus leitores, e saber diretamente da boca deles o que eles acham do meus quadrinhos.

Pra finalizar, segue abaixo alguns links de outras análises e relatos feito por outras pessoas sobre a Rio Comicon:

  • Gibizada: O Télio Navega e a Lívia Brandão fazem um balanção geral da Rio Comicon. Aliás, vale dar uma olhada nos outros posts do Gibizada sobre o evento, pois ele fizeram uma cobertura bem completa.
  • Daniel Gnattali: Divertido relato sobre a Rio Comicon feito em quadrinhos por Daniel Gnattali (algo parecido com as coberturas em quadrinhos da Campus Party que eu e o Gil Tokio fizemos).
  • Quadrinhos pra Quem Gosta: Um detalhado relato de todos os dias da Rio Comicon feito por Gabriel Guimarães, incluindo até mesmo as oficinas, como a minha de webcomics.
  • Dimensão X: Outro relato bem legal da Rio Comicon feita pelo Ygor, que inclusive comprou algumas revistas minhas – e espero que ele tenha gostado. =D
  • Denis Mello: Como foi a Rio Comicon sob o ponto de vista do quadrinista Denis Mello, que estava lá no evento com um estande vendendo suas HQs .
  • Uarévaa: Mais outro divertido relato da Rio Comicon, feito pelo Julio (vulgo Freud), e que também adquiriu uma edição da revista do Homem-Grilo – provavelmente pra forrar a casinha do cachorro dele. =)
  • The Beat: Um extensivo relatório da Rio Comicon feito por Jeff Newelt, um dos membros do ACT-I-VATE, coletivo de webcomics que foi uma das minhas inspirações na criação do Quarto Mundo.

É isso aí cambada, até o próximo evento de quadrinhos. ;D

Resoluções de Fim de Ano

Tá, eu sei que esse blog foi completamente abandonado. Mas eu tenho um bom motivo. Esse segundo semestre foi bem corrido pra mim, principalmente por causa do Quarto Mundo. O que no fim das contas é bom, pois esse aumento de trabalho que o coletivo me proporcionou é devido ao reconhecimento que ele vem conquistando, tanto entre os leitores quanto entre os profissionais da área de quadrinhos.

Se esse foi o ano em que o Quarto Mundo se consolidou, a meta para o ano que vem será de expandir mais ainda a atuação do coletivo. O objetivo é melhorar o nosso sistema de distribuição para atingir cada vez mais cidades, ao mesmo tempo em que continuaremos a publicar quadrinhos no próprio blog do coletivo, atingindo dessa forma um grande espectro de leitores.

Este também foi o ano em que meu trabalho como roteirista foi reconhecido através do Troféu HQMix que ganhei. Ao mesmo tempo que um prêmio desse é uma honra, também é uma grande responsabilidade, pois te força a melhorar e mostrar aos seus leitores que você é digno desse reconhecimento. Confesso que nesse segundo semestre deixe minha produção de quadrinhos um pouco de lado, muito devido ao trabalho e a faculdade, mas pretendo retomar ela com força o ano que vem.

Pretendo voltar a atualizar os meus quadrinhos online com mais frequência. Isso cabe tanto ao site do Homem-Grilo, que atualmente vem publicando uma HQ dos Territorianos, quanto com relação a Nova Hélade.

Com relação ao Homem-Grilo, quero ver se retomo as HQs e tiras do personagem principal, assim como pretendo explorar mais os outros personagens do griloverso em HQ maiores e não apenas em tiras como vinha fazendo. Alguns desses personagens que gostaria de explorar mais em HQs solo são: o Cricket Rider, a Garota Cri-Cri, o Camaleão Cinzento, o WebBlack e seu parceiro Robito, o Musculoso, assim como os demais super-heróis da Liga dos Super-Amigos da Justiça. Mas tudo isso vai depender de eu arranjar um novo desenhista pro Homem-Grilo pois ao que parece o Ricardo desistiu de vez do personagem. O que é compreensível, pois não é fácil fazer quadrinho e ao mesmo tempo ser pai de família. Aliás, não sei como caras como o Will conseguem essa proeza.

E por falar no Will, ano que vem quero trabalhar mais em parceria com ele. Já andei esboçando alguns roteiro com seu personagem mais famoso, o Sideralman, e pretendo também escrever mais roteiros de seu outro personagem, o Demetrius Dante, pois gostei muito de trabalhar com o personagem na história que escrevi dele pro segundo número do Contos da Madrugada.

Outro projeto que pretendo transformar em realidade o ano que vem é a adaptação pra quadrinhos da Odisseia, que já estou escrevendo há alguns meses. Afinal, todo o meu conhecimento acumulado de literatura grega tem que servir pra alguma coisa. =)

E por fim, o ano que vem também vou continuar escrevendo as minhas HQs curtas, e dá prosseguimento a série Quadrinistas, que está sendo publicada na Garagem Hermética. Essa série está sendo um grande desafio para mim pois nunca antes tinha trabalhado com uma história mais voltada pro gênero da comédia romântica. Tenho uma grande dificuldade principalmente em criar diálogos verossímeis e que soem naturais para pessoas normais como eu ou você (apesar que quadrinistas não são exatamente o que poderia ser chamado de pessoas normais).

É isso aí, vamos ver se no ano que vem eu consigo cumprir todas essas promessas. E vocês leitores podem me cobrar. =)

O Cantar do Aedo

– E então, amigo Homero, como foi na entrevista?
– Não fui bem, Hesíodo. Minha obra foi rejeitada.
– Mas por quê?
– O editor disse que meus Olimpianos são cópia de uma tal de Liga da Justiça.
– Cópia?
– Isso mesmo.
– Interessante…
– Hã?
– Não percebe, Homero. Isso quer dizer que os nossos Deuses continuam existindo no imaginário do Homem desse tempo. Ainda que com outros nomes.
– Sim, Hesíodo, de fato. Mas eles acreditam que foram eles que criaram. Não percebem que foram inspirados por nossas Musas.
– Não importa. Mesmo que eles acreditem que realmente possam criar algo do nada, e não percebam que utilizam os mesmos arquétipos que nós usávamos, mais cedo ou mais tarde esses aedos… Como é mesmo o nome que eles se dão hoje em dia?
– Quadrinistas!
– Isso. Esses quadrinistas perceberão que a única originalidade que podem conceber está na particularidade de seus cantares.
– Não, Hesíodo. Eles não cantam mais. Agora eles desenham as histórias.
– Que seja! O princípio é o mesmo!
– Você está certo. Então vamos fazer um brinde aos aedos, aos antigos e aos modernos, que eternizam os deuses e heróis com suas histórias.
– E também as nossas musas, pois sem suas inspirações não seríamos nada.
– Aos aedos e as musas!

Quarto Mundo

Alguns de vocês devem lembrar que eu disse que uma das minhas metas pra esse ano de 2007 era criar um coletivo reunindo os diversos quadrinistas independentes espalhados pelo Brasil. Pois bem, mais um desafio na minha jornada foi cumprido. Apresento-lhes o Quarto Mundo!

A ideia por traz do Quarto Mundo é simples. O objetivo desse coletivo é reunir os quadrinistas independentes para se ajudarem mutuamente na solução de problemas comuns que encontramos na produção de nossas revistas em quadrinhos, como a divulgação, distribuição e venda. E o blog será a nossa principal linha de contato, tanto com os leitores, quanto com outros quadrinistas.

No blog do Quarto Mundo pretendemos postar uma lista completa de todas as revistas em quadrinhos independentes que estão sendo publicado no Brasil atualmente. Lá também serão postadas dicas e tutoriais para os quadrinistas independentes, desde coisas referentes a própria produção de uma revista em quadrinhos, até coisas relacionadas a venda, divulgação e distribuição das revistas. Além disso, o blog também servirá para a publicação de HQs online utilizando o sistema do ComicPress, que é o mesmo que utilizo atualmente com o Homem-Grilo.

A pré-estreia do Quarto Mundo aconteceu no evento HQ na BA, onde montamos a nossa banca de quadrinhos independentes. Mas a nossa grande estréia será no FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), a ser realizado em Belo Horizonte na semana que vem, e no qual o Quarto Mundo estará presente com um stand.

Por fim, abaixo vocês podem conferir um video de uma matéria que foi exibida no programa Metropolis da Tv Cultura na última segunda feira falando sobre a criação do Quarto Mundo.

A Jornada do Quadrinista

Em O Poder do Mito, o mitólogo diz que a jornada do herói é um reflexo da nossa própria vida. Todos nós somo heróis pois atravessamos em nossas vidas as etapas da jornada monomítica, em maior ou menor grau. Eu acredito muito nisso. Quem me conhece sabe que O Herói de Mil Faces é o meu livro de cabeceira (e deveria ser o livro de cabeceira de qualquer contador de história). Campbell mostra pra gente que a vida em si é a grande aventura a ser trilhada, e cabe apenas a você mesmo decidir se atenderá a este “chamado da aventura” e se iniciará a sua jornada em busca do seu velo de ouro (ou cálice sagrado, pomo de ouro, fonte da vida, ou qualquer outro artefato-signo de sua preferência).

E neste ano de 2006 eu atravessei mais um dos ciclos da minha jornada em busca do meu velo de ouro, que é me tornar um quadrinista profissional. Não que eu não goste de ser professor de História, muito pelo contrário, mas o meu grande sonho mesmo é um dia poder viver de quadrinhos e poder me dedicar integralmente a fazer quadrinhos. Ainda falta muito para alcançar este objetivo, mas toda grande jornada começa com um primeiro passo. Posso dizer que atendi ao meu chamado da aventura em 2000, quando comecei a publicar a tiras do Homem-Grilo no extinto site AracnoSpawn, mas a passagem pelo primeiro limiar foi feita apenas neste ano, com a publicação da Garagem Hermética. Mas foi um duro caminho de provas até esta travessia ter sido completa.

O ano de 2006 começou bem para mim com a indicação do fanzine do Homem-Grilo a premiação Angelo Agostini, mas que infelizmente não ganhei. E nem tinha pretensões de ganhar. Ao contrário da premiação do próximo ano onde tenho fortes chances de ganhar como a Garagem Hermética. No começo do ano também publiquei o fanzine dos Territorianos, e o Marcio Takara começou também a desenhar a segunda edição, mas infelizmente teve que ser interrompido. Mas quem sabe o Takara algum dia volte aos Territorianos.

Este também foi o ano em que eu vi finalmente Nova Hélade andando pra frente, depois de quase dez anos que eu comecei a escrever esta história. Isso graças ao Angelo Ron, que acreditou no meu projeto e aceitou se juntar a mim nesta empreitada com seus excelentes desenhos. Além de já ter publicado o primeiro arco de histórias na Internet, estou finalizando também o primeiro fanzine de Nova Hélade que pretendo publicar no mês que vem. E aguardem muito mais Nova Hélade em 2007.

Mas nem tudo foi alegria em 2006. Este foi o ano também em que passei pelas minhas piores crises de insônia. Eu extrapolei os limites da minha mente e do meu corpo. Perdi as contas de quantas vezes fui parar no pronto socorro após dias acordado, e algumas vezes foi por pouco que não tive o meu sono final. Meu médico diz que eu sou um fenômeno, o que eu considero um eufemismo para aberração, mas de certa forma, ele está certo, é uma proeza que eu ainda esteja aqui escrevendo estas linhas. Mas nenhuma jornada está completa sem a sua catábase. Eu desci ao , mas consegui retornar, sem olhar para trás, é claro! =)

E retornei para poder publicar a minha primeira revista em quadrinhos, e de forma independente; a Garagem Hermética, cujo segundo número já está a caminho. E antes ainda tive minhas hq A Jornada do Quadrinhista publicada no segundo número da PutzGrila, que foi tipo um projeto de conclusão do curso de quadrinhos que eu fiz no segundo semestre de 2005 na Gibiteca Henfil. E este curso foi uma guinada na minha vida, pois foi ali que conheci várias pessoas que se tornaram minhas amigas e companheiras de jornada. Sem essas pessoas, a Garagem Hermética nunca teria se tornado realidade. Eu devo muito a todos eles.

Neste ano eu consegui alcançar um dos meus objetivos, que era realizar um evento voltado pra o fanzineiros e quadrinistas independente, que foi o Zine Osasco. Apesar de ter sido um evento pequeno, acredito que ele alcançou o seu objetivo de servir como um ponto de encontro e discussão sobre o mercado de quadrinhos independente que está se mostrando uma excelente alternativa para os quadrinistas brasileiros, principalmente os novatos como eu. Como ressaltou o Paulo Ramos em seu Blog dos Quadrinhos, em 2006 foi o ano em que mais tivemos publicações independentes, e a tendência é esse número aumentar para o ano que vem. Eu ao menos, pretendo contribuir pra que isso aconteça. A minha idéia é tentar o ano que vem criar um tipo de coletivo entre os quadrinistas independentes para que possamos juntos atravessar alguma das principais barreiras que enfrentamos, como por exemplo, a distribuição e venda das revistas. Se vai dar certo, eu não sei, mas ao menos vou tentar.

E 2007 será o ano em que iniciarei a principal etapa da minha jornada, pois vou finalmente tentar publicar uma revista em quadrinhos do Homem-Grilo. Esta será minha meta para o ano que vem. A minha idéia é publicá-la até no máximo o mês de julho. Estou confiante de que possa dar certo, pois creio que o Homem-Grilo já tem uma base de leitores considerável para uma empreitada dessas, e o cenário de quadrinhos como um todo no país também está favorável. Ainda estou longe da minha apoteose, mas no que vem espero ter grandes avanços em minha jornada.

E por fim, quero desejar um bom 2007 a todos vocês. Pois ao menos para mim, certamente será. =)