Oficinas de Quadrinhos no SESC Ribeirão Preto

UMQDHQ! 2012

Neste mês de julho eu irei ministrar duas oficinas no SESC Ribeirão Preto, como parte do evento UMQDHQ!.

A primeira das oficinas, que será realizada no próximo fim de semana, dias 7 e 8, das 14h às 17h, será a de Webcomics & Quadrinhos Digitais. É a mesma oficina que eu já havia ministrado lá no SESC Ribeirão Preto no ano passado, mas desta vez ela terá um dia a mais, o que irá me permitir desenvolver melhor os temas abordados.

A segunda oficina se chama Como Escrever Histórias Originais Utilizando Clichês, e será ministradas nos dias 21 e 22, também das 14 às 15h. Eu já ministrei essa oficina antes na Quanta Academia, e em eventos como a Maratona Devir e o Encontro Internacional de RPG. A proposta dela é mostrar que uma história não precisa ser necessariamente original para ser boa (e, afinal, existe história original?). Assim, irei mostrar como usar estruturas narrativas e arquétipos presentes em histórias tão antigas quanto a própria humanidade para criar a suas próprias histórias a partir de sua própria vivência.

Além das minhas oficinas, o evento UMQDHQ! trará diversas outras oficinas relacionadas a quadrinhos no SESC Ribeirão Preto.

Parte da Revolução

Capa do livro A Revolução do Gibi de Paulo Ramos.

No dia 19 deste mês eu fui ao lançamento do novo livro do Paulo Ramos, A Revolução do Gibi – A Nova Cara dos Quadrinhos no Brasil, que aconteceu na Livraria HQMix (que saiu da Praça Roosevelt e agora está em novo endereço, ao lado da FAAP). Neste livro, Paulo Ramos faz uma compilação de alguns dos posts que ele publicou em seu Blog dos Quadrinhos.

A grande sacada do livro é a organização dos posts em capítulos temáticos (como super-heróis, mangás, adaptação literária, etc) e com o acréscimo de comentários posteriores que os contextualizam dentro do que estava acontecendo na época em que foram postados no blog. Deste modo, A Revolução do Gibi acaba se tornando um retrato bem completo do mercado de quadrinhos no Brasil na primeira década do século XXI.

E eu fico feliz de saber que sou um dos protagonistas desta “revolução”, tendo a minha ainda curta carreira de quadrinista registrada nesse livro, em especial no capítulo dedicado aos quadrinhos independentes. Lá é citado o meu trabalho com o Homem-Grilo, na revista Garagem Hermética, e como fundador do Quarto Mundo.

Aliás, o Paulo Ramos foi o primeiro jornalista a noticiar sobre o Quarto Mundo (antes mesmo da estreia oficial do coletivo), em uma reportagem para programa Metrópolis da TV Cultura. O Paulo, como bom jornalista, não fica esperando as notícias caírem no seu colo (ou fica apenas publicando release de editora). Ele vai atrás delas.

No período entre o fim de 2006 e começo de 2007, o Paulo estava quase sempre nos lançamentos independentes em São Paulo (a maioria acontecia lá na “Menor Livraria do Mundo” no “Jeremias, O Bar”, gerenciados pelo Gual e a Dani, e que depois viriam a abrir a Livraria HQMix). E por estar presente nos lançamentos, o Paulo acabou percebendo a “movimentação” que estava acontecendo entre os autores e grupos independentes e que iria culminar na fundação do Quarto Mundo.

Já vai fazer três anos que estou fora do Quarto Mundo (sai do coletivo em setembro de 2009). E por ter saído sem fazer estardalhaço, muita gente ainda pensa que faço parte do Quarto Mundo, e nem sabe que estou fora do coletivo há tanto tempo. Mas o período em que estive no Quarto Mundo foi de vital importância para a minha evolução como quadrinista. Aprendi muito, tanto com os acertos, e principalmente com o erros, os quais não pretendo voltar a cometer nos meus projetos seguintes.

Um deles, na verdade, já está em execução há um pouco mais de um ano, que é o Petisco. Assim como o Quarto Mundo, o Petisco também é um coletivo de quadrinistas, mas as semelhanças param por aí. Enquanto o foco do Quarto Mundo são os quadrinhos impressos, o foco do Petisco são os quadrinhos digitais (mas sem excluir também os impressos).

O Quarto Mundo é um coletivo aberto, em que qualquer um pode fazer parte e colaborar, mesmo se você ainda for um quadrinista iniciante, ou que ainda não tenha uma boa qualidade técnica (pois a ideia do Quarto Mundo é que, em contato com outros quadrinistas, trocando informações e vivenciando todas as funções da cadeia produtiva de um quadrinho, você possa evoluir e se aprimorar). o Petisco, por sua vez, é um coletivo fechado. Pretendemos abrir para novos integrantes em breve, mas ainda assim, não será algo aberto, e os candidatos ao Petisco terão que passar por uma avaliação técnica, artística e editorial.

Já meu outro projeto, e que ainda vai demorar mais um pouco pra virar realidade, será a minha editora. A ideia de criar uma editora, na verdade, será apenas para eu ter uma firma aberta pra conseguir viabilizar certas coisas que eu não consigo viabilizar como pessoa física, pois o processo de produção continuará no esquema independente, e sob a filosofia do “código aberto” e da cultura livre.

Bem, toda essa volta que dei foi na verdade pra dizer que, de minha parte, a “revolução” está apenas começando. Apesar de eu já publicar quadrinhos há 12 anos, ainda tenho uma longa estrada a trilhar, e muito ainda o que evoluir como quadrinista.

Mas estou otimista, e acredito que os próximos anos serão extremamente bons para o mercado de quadrinhos no Brasil, sobretudo para a produção nacional. E pretendo com certeza continuar sendo um dos personagem atuantes desta história.

E você?

Ps: O último episódio do excelente podcast Café com HQ contou com a minha participação, no qual eu falo sobre webcomics, direitos autorais, e diversos outros assuntos relacionados (ou não). Confere lá!

Tudo é um Remix

Foi lançada no dia 16 de fevereiro a quarta parte do ótimo documentário Everything is a Remix. E se você não viu as outras partes, estão todas disponíveis e legendadas neste link: http://vimeo.com/baixacultura

A mensagem deste documentário é bem simples. Se você acha que você é original, você é um idiota. Pois a originalidade não existe. Nova ideias nada mais são do que a cópia, combinação e transformação de ideias antigas. E o mesmo vale pras obras criadas com essas ideias.

Nem mesmo as primeiras obras literárias de que temos registro na história, que são os poemas épicos, são originais. Esses poemas nada mais são do que recombinações de diversos mitos que já vinham sendo contados e recontados há centenas de anos antes pela tradição oral. Então, meu amigo, se nem mesmo a Ilíada e a Odisseia, que foram compostas há cerca de três mil anos atrás, são originais, não é a sua história criada agora que vai ser.

E como autores devemos ter consciência disso, e começarmos a lutar para que as leis de direitos autorais voltem a ser o que sempre deveriam ter sido, uma lei que incentive e proteja os autores (e unicamente os autores, e não os intermediários e atravessadores, afinal, é lei de direito AUTORAL) ao mesmo tempo que preserve a cultura humana e tudo que foi produzido com ela e partir dela como um domínio público rico e livre para que todos possam criar e recriar em cima. Não podemos mais deixar que empresas como a Disney, que cresceu e enriqueceu em cima de obras de domínio público, tentem agora acabar com o próprio domínio público ao elevar sistematicamente o período de proteção do copyright (que começou em 14 anos, e que no EUA já está em 100 anos após a morte do autor) através do lobby no congresso norte-americano com o que ficou popularmente conhecido como Lei Mickey.

Autores, já passou da hora de acordarmos pra realidade, e não mais deixarmos que a cultura humana, fonte de nossas obras, vire propriedade privada eterna de poucas corporações. Toda obra tem origem no domínio público, e ao domínio público um dia deve voltar.

Blog Hackeado

Alguns de você já devem ter sabido que meu blog (assim como o do Homem-Grilo e de Nova Hélade) foi invadido por um hacker, explorando uma falha de segurança do wordpress, e corrompeu diversos arquivos, o que obrigou o administrador do servidor a apagar todo os arquivos e tirar o domínio cadusimoes.com do ar até que a invasão fosse contida.

Bem, como vocês podem perceber, o blog já está de volta ao ar. Eu consegui recuperar todo o conteúdo dos posts e das páginas no banco de dados, mas infelizmente acabei perdendo toda a configuração do template, e vou ter que refazê-lo manualmente. Enquanto isso não acontece, vocês vão ter que aguentar esse visual minimalista básico do ComicPress.

Outra coisa que não consegui recuperar são algumas imagens de posts (então se você ver algum link de imagem quebrado, não estranhe). No entanto, eu tenho todas essas imagens guardadas no meu computador, e vou subindo elas de volta aos poucos (já que é bastante coisa).

Também não consegui recuperar todas as páginas da HQ, mas felizmente também tenho backup delas, e assim como as imagens da página de galeria, pretendo ir aos poucos colocando-as de volta ao ar.

Peço desculpa aos meus leitores por esse incomodo, mas como cuido sozinho do site, e tenho outros trabalhos pra fazer (e outros sites pra administrar), não tenho como colocar a casa em ordem de uma vez. Mas aos poucos eu vou ajeitando as coisas por aqui.

Petisco na Banca de Quadrinhos

Acima você confere os vídeos com a minha participação na última edição do programa Banca de Quadrinhos. Nesse programa eu comento sobre o Petisco, sobre webcomics e quadrinhos digitais em geral, e também dou meus pitacos sobre o reboot da DC Comics.

E lembrando que a Banca de Quadrinhos está tentando um financiamento coletivo (também conhecido como crowdfunding) no site Catarse para bancar sua cobertura do Festival de Quadrinhos de Belo Horizonte, que acontece entre 09 e 13 de novembro deste ano. É possível fazer colaborações de R$ 10 a R$ 3000, e dependendo da quantia que você colaborar, você receberá algo em troca (que pode ser, por exemplo, kit de revistas, camisetas, DVDs, etc). Eu já fiz a minha colaboração pros caras. Vai lá você também fazer a sua colaboração, pois a cobertura da Banca de Quadrinhos do último FIQ foi muito boa, e a deste ano tem tudo pra ser ótima também. Mas pra isso eles precisam da ajuda de vocês. =D