O Ciclo Cosmogônico em Quadrinhos

Cosmogonias - Capa

Não gosto de fazer postagens de explicação dos meus próprios quadrinhos, pois acho que isso é como explicar uma piada, mas vou abrir uma exceção para falar sobre como a forma, o conteúdo e a temática de Cosmogonias se relacionam.

Até porque Cosmogonias foi publicada em 2016, então quem tinha que ler já leu, e os leitores, como constatei pelas resenhas e contatos direto, já avançaram em todas as camadas, elementos e referências que coloquei nas histórias. Com exceção de um. Bem, até agora.

Não que fosse algo muito complexo, ou muito “cabeça” de entender, mas é que para perceber esse elemento de Cosmogonias precisa de uma atenção a detalhes que talvez não se perceba numa primeira leitura. E a intenção é que de fato se fizesse mais de uma leitura para poder entender.

Pois bem. Ontem um leitor me enviou um e-mail dizendo que adorou a forma como eu construí a própria revista como se fosse um ciclo cosmogônico infinito, que começa na capa, atravessa todo o miolo, terminando de novo na capa, que por ser dupla, reiniciasse assim o ciclo.

Como disse, isso não é algo complexo de se perceber, mas requer atenção. E esse leitor foi o primeiro, até onde sei, a perceber isso. Perguntei então como ele chegou a essa interpretação.

E ele me disse que foi quando sacou que a primeira HQ (que chama justamente Cosmogonia) ao mesmo tempo abre e fecha a revista, funcionando como um requadro literário pras outras histórias e dando união a tudo.

Ele inclusive percebeu algo que não foi minha intenção, que a ideia da própria revista como um ciclo cosmogônico infinito funciona também se as HQs forem lidas de forma inversa.

Eu tendo a escrever minhas histórias sempre imaginando o leitor ideal que vai conseguir avançar em todas as camadas, elementos e referências, mas obviamente, sem deixar de lado o leitor que apenas ficou na primeira camada. A HQ tem que se interessante para ambos.

Mas é bem recompensador quando você percebe que possui leitores que realmente se esforçam para avançar nas camadas de interpretação de sua obra, e todo o esforço que você teve construindo essa experiência narrativa não foi em vão.

Novo Gibi do Demetrius Dante

Demetrius Dante #02

O novo gibi de Demetrius Dante, o detetive do absurdo criado pelo Will, já está em pré-venda.

Essa edição conta com uma história escrita por mim. Depois de escrever uma história de super-herói com o Homem-Grilo & Sideralman onde não há nenhuma ação nem lutas, agora escrevi uma história de detetive com o Demetrius Dante no qual nada é investigado. Ou seja, basicamente estou me especializando em fazer roteiros anticlímax.

Nessa HQ teremos a participação do imortal aedo Homero, mais um dos coadjuvantes que inclui no universo do Demetrius, assim como sua irmã clarividente Cassandra, o “cãosomem” vira-lata Bicudo, a faraó-feiticeira reencarnada como gata Hatshepsut, entre muitos outros que ainda estão por vir.

Essa história aborda um tema que é recorrente em minhas HQs, a criação artística. De fato somos capazes de criar algo do nada? Ou estamos apenas reciclando formas e estruturas tão antigas quanto a própria humanidade? Por fim, é uma história também sobre enxergar a arte e as cores de uma cidade como São Paulo, apesar de um certo “gestor” estar tentando torná-la cada vez mais cinzenta.

O Detetive do Absurdo

Tenho um projeto antigo de história em quadrinhos chamado “Midgard 42”, que resumidamente pode ser definido como um “Homens de Preto” só que com seres sobrenaturais em vez de alienígenas. Esse projeto ficou mofando na gaveta por vários anos por falta de desenhista (aliás, como muitos projetos meus). Até que o Will me convidou para escrever um roteiro para um personagem dele recém-criado, o Demetrius Dante (roteiro esse que foi desenhado pelo Laudo e publicado na segunda edição da revista do Sideralman).

Enquanto escrevia esse roteiro, percebi que o universo que havia criado para “Midgard 42” casava perfeitamente com o do detetive do absurdo. Vi aí uma boa oportunidade de tirar da gaveta meu antigo projeto. Como o universo do Demetrius ainda não tinha muitos detalhes, e o próprio personagem ainda não tinha um histórico desenvolvido, perguntei ao Will se poderia usar os elementos e personagens que havia criado para “Midgard 42” nas histórias do Demetrius Dante. O Will, como o cara legal que só ele é, aceitou.

E assim, comecei a povoar o universo do Demetrius com meus personagens, como o Bicudo, um “cãosomem” que mora nas ruas do centro de São Paulo, ou Hatshepsut, a primeira faraó mulher, e que agora está reencarnada como uma gata preta, ou ainda Homero, o próprio, que fez um acordo com as musas que o tornou imortal. Além desses personagens que já existiam em “Midgard 42” e que foram “importados”, também criei alguns novos para enriquecer mais ainda o histórico de Demetrius Dante, como sua irmã Cassandra, que assim como a heroína trágica, possui dons premonitórios, ou seu pai Demócritos, cujo passado está repleto de vários mistérios.

E é por todo esse meu envolvimento com o Demetrius Dante que fico muito feliz de ver o Will publicando a primeira revista em quadrinhos do personagem, e que terá lançamento no próximo fim de semana, durante o Festival Guia dos Quadrinhos. Minha colaboração nessa revista se resume a uma HQ de uma página, mas a edição traz também uma HQ escrita pelo Alex Mir e outra pela Mônica Lan. Mas aguardem que já estou escrevendo mais roteiros para o detetive do absurdo, que serão publicados tanto no site do personagem, quanto em futuras edições impressas.

E se você ainda não conhece o Demetrius Dante, pode ler várias HQs dele gratuitamente no Petisco.

Capa do gibi do Demetrius Dante.

Participação na Gibicon nº2

Gibicon nº2

Esta semana, dos dias 4 a 7, acontece em Curitiba a Gibicon nº 02, e eu estarei lá com os meus colegas do coletivo Petisco como um dos quadrinista convidados do evento.

Além de estar presente todos os dias no estande do Petisco, também irei participar de um debate sobre roteiro de quadrinhos na quinta feira às 14 h, e no domingo, estarei num a sessão de autógrafos junto com o Will da nossa revista Homem-Grilo & Sideralman.

Então vejo vocês na Gibicon. =)

Oficina de Roteiro no SESC Araraquara

Oficinas no SESC Araraquara.

Dos dias 15 à 18 deste mês eu ministrarei uma oficina no SESC Araraquara como parte das atividades HQ: do papel ao digital. É a mesma oficina que já havia ministrado no SESC Ribeirão Preto, intitulada Como Escrever Histórias Originais Utilizando Clichês.

A proposta desta oficina é mostrar que escrever uma boa história não significa exatamente escrever uma história original (e podemos até mesmo questionar se de fato existe alguma história original). Deste modo, mostrarei como usar estruturas narrativas e arquétipos presentes em histórias tão antigas quanto a própria humanidade para criar a suas próprias histórias a partir de sua própria vivência. A sua história não será original, mas terá a sua voz e o seu estilo.

E abaixo vocês ficam com dois vídeos de apresentação do TEDTalks sobre o tema de minha oficina.

Esse primeiro com Kirby Ferguson, autor do excelente documentário Everything is a Remix.

E o segundo com Austin Kleon, autor do livro Roube Como um Artista.