Uma São Paulo Cyberpunk

Capa de Acelera SP desenhada por Gil Tokio

No final de 2017 eu publiquei uma revista em quadrinhos chamada Acelera SP, que foi financiada através de uma campanha de financiamento coletivo no Catarse. Ela traz uma história fechada, ambientada numa São Paulo futurista com elementos cyberpunk (mas só que com mais punk do que cyber).

A trama se passa no decorrer de apenas um dia, no qual acompanhamos o deslocamento de alguns personagens pela grande São Paulo através de serviços de transporte tipo Uber, e nessas viagens é mostrado como eles vivem (ou sobrevivem) em um mundo onde quase tudo foi privatizado e funciona sob a lógica neoliberal. As edições impressas dessa revista já estão esgotadas, mas você pode lê-la (e baixá-la) no fim desta postagem.

A publicação dessa edição de Acelera SP teve uma boa repercussão na época, e muitos leitores, até hoje, me pedem por novas histórias nessa São Paulo cyberpunk. E sim, tenho planos de novas histórias pois o cenário de Acelera SP tem bastante coisa ainda para ser explorado, sobretudo com relação as ZADs (Zonas Autônomas a Defender), que são áreas ocupadas (em sua maioria espaços que antes eram públicos) por pessoas que se organizaram para resistirem ao neoliberalismo.

No entanto, por conta do meu problema de saúde com o reumatismo, tive que abandonar a produção de quadrinhos impressos, pois não tenho mais como distribuí-los nas livrarias. Pelo mesmo motivo parei de frequenta os eventos de quadrinhos, que eram os principais locais de venda das minha edições impressas, já que minha produção sempre foi independente. Portanto, as próximas HQs de Acelera SP serão publicadas digitalmente aqui neste site, em um formato de pergaminho que é melhor adaptado para leitura em celulares, como já venho fazendo com o Homem-Grilo. Mas antes de iniciar com a publicação das novas histórias, pretendo republicar a história que saiu na edição impressa aqui no site, também no formato pergaminho.

Deste modo, inicio também com Acelera SP o que venho chamando de produção anticapitalista com relação aos meus quadrinhos. Em resumo, isso significa que não seguirei mais o modelo tradicional de publicação e distribuição adotado pelo mercado de quadrinhos. Todas a minhas histórias em quadrinhos são publicadas agora gratuitamente na internet sob uma licença livre Creative Commons e a fonte de financiamento da minha produção passa a ser através de apoiadores do meu financiamento coletivo recorrente no Catarse.

E espero que vocês possam me acompanhar nessa nova jornada na minha carreira de mais de 20 anos como quadrinista.

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