De Volta aos Eventos de Histórias em Quadrinhos

Fotografia tirada no Artists' Alley do evento Anime Friends 2025. Dois autores, Cadu Simões (à esquerda) e Fred Hildebrand (à direita), posam sorrindo atrás da mesa de exposição. Cadu usa camiseta azul e crachá com cordão colorido; Fred veste camisa xadrez e faz o gesto de paz com os dedos. A mesa está repleta de produtos à venda, como revistas em quadrinhos, pôsteres, livros e camisetas, incluindo edições do "Homem-Grilo", "SpaceShit", entre outros.

Após quase 7 anos ausente do circuito de eventos de histórias em quadrinhos, estou de volta a eles (meu retorno oficial se deu recentemente na Anime Friends 2025). Mas antes de falar sobre o motivo de ter decidido voltar a participar desses eventos para vender meus quadrinhos, é preciso relembrar o porquê de ter decidido parar.

Na CCXP de 2018 fiz minha despedida dos eventos de quadrinhos. Tomei essa decisão por uma série de motivos, mas o principal é que minha espondiloartrite estava tornando minhas participações nos eventos muito dolorosa (literalmente). Se para um quadrinista saudável já não é fácil encarar umas 10h seguidas vendendo quadrinhos num evento, para alguém que sofre de uma doença crônica como eu é ainda mais difícil.

Além disso, confesso que nunca curti muito essa parte de vender quadrinhos em eventos. Passei a fazer isso pois, como quadrinista independente, a principal forma de distribuição das minhas HQs acontece nos eventos. Mas sempre fui um péssimo vendedor. E depois do reumatismo, minha cara feia de dor passou a ajudar menos ainda nas vendas.

Se pudesse escolher, ficaria apenas em casa escrevendo meus quadrinhos e publicando eles na Internet. E foi o que passei a fazer a partir de 2019. A minha ideia era publicar meus quadrinhos gratuitamente na Internet, num formato pergaminho (mais amigável para leitura em dispositivos móveis) e adotando um modelo anticapitalista com base na cultura livre. A forma de bancar essa produção seria com um financiamento coletivo recorrente.

No entanto, os planos não saíram exatamente como eu imaginei. O número de apoiadores (os quais sou muito grato) sempre foi bem baixo, e o que é arrecadado nunca me permitiu nem mesmo pagar os custos de hospedagem das HQs, quanto mais o custo de produção delas. Por isso, esse modelo de publicação apenas online não me permitiu substituir completamente a produção tradicional impressa como eu queria.

Assim, a contragosto, me encontrei cogitando voltar aos quadrinhos impressos como antes. Mas como tornar isso viável novamente já que os fatores que me fizeram abandoná-lo, principalmente meu reumatismo, ainda existiam? Bem, uma série de acontecimentos me permitiram fazer esse retorno.

Em 2023 eu fui selecionado num edital público da prefeitura de Osasco (minha cidade) que financiaria a impressão das primeiras HQs da nova fase do Homem-Grilo, desenhada pelo Fred Hildebrand, que eu vinha publicando na Internet desde 2021. Beleza, eu tinha a grana para impressão dos exemplares, mas como fazer pra distribuí-los?

Foi aí que surgiu o convite do Daniel Esteves, um grande amigo e parceiro nesse mundo dos quadrinhos, de publicar o Homem-Grilo pela editora dele, a Zapata Edições. Com isso, o Esteves ficou não só responsável por distribuir meus quadrinhos na livrarias e comic shops, como também passou a levá-los nos eventos no qual ele estaria presente com mesa ou estande.

Mas algo que todo quadrinista sabe é que seus quadrinhos vendem muito mais nos eventos quando ele está presente. O leitor muitas vezes decidi comprar um quadrinho justamente pela oportunidade de poder pegar um autógrafo ou mesmo só de trocar uma ideia com o autor. E eu estava perdendo essa oportunidade de troca com meus leitores.

Foi então que decidi voltar aos eventos. Algo que me fez ter coragem de tomar essa decisão é que no começo deste ano meu reumatologista trocou mais uma vez meus medicamentos. E esses novos remédios acabaram se ajustando melhor ao meu organismo que os antigos. Estou sentindo um pouco menos de dor que antes e também um pouco mais disposto (além da dor e da perda de mobilidade, as espondiloatrite também causa muita fadiga física e estafa mental).

Pois bem, a Anime Friends foi esse primeiro grande teste para saber se eu aguentaria o tranco de um grande evento. Foram quatro dias seguidos, cerca de dez horas por dia. Terminei o evento completamente exausto e dolorido, mas até que consegui me sair bem. Muito graças a ajuda que tive de amigos como o Fred Hildebrand, que dividiu a mesa comigo, e o meu editor Daniel Esteves, que ficou encarregado de toda a logística de levar e trazer os quadrinhos pro evento.

Agora vamos ver como vou me sair nos próximos eventos grande deste ano, como a Bienal de Quadrinhos em Curitiba (que acontece em setembro) e a CCXP (que acontece em dezembro). Mas deepois da experiência com a Anime Friends, confesso que estou menos receoso. Algo me diz que vocês vão começar a me ver novamente nos eventos de quadrinhos, literatura e cultura em geral.

Ps: não desisti de continuar publicando meus quadrinhos na Internet. Então, se você gosta do meu trabalho, considera apoiar meu Catarse Assinaturas.


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Por Cadu Simões

Alguém em busca da questão fundamental sobre a vida, o universo e tudo mais.

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