Precisa-se de Desenhista para o Homem-Grilo

Estou precisando de desenhista para assumir de forma permanente as tiras e histórias em quadrinhos do Homem-Grilo (assim como de outros personagens que fazem parte de seu universo como o Teia Negra, o Musculoso, o Camaleão Cinzento, etc) que são publicadas no site oficial do personagem. Se você é desenhista e tem interesse de integrar esse projeto junto comigo, continue lendo este texto com atenção.

As tiras e HQs dos Homem-Grilo serão produzidas e publicadas em formato de pergaminho vertical, que é um formato adaptado para a leitura em celulares e em outros dispositivos móveis. Você pode conferir um exemplo da utilização deste formato neste quadrinho publicado no Webtoon, ou neste outro publicado no Tapas. Portanto, apesar de não ser necessário, será vantajoso se você já tiver experiência em desenhar quadrinhos nesse formato.

Os quadrinhos do Homem-Grilo serão coloridos. Então você, como desenhista, ficará encarregado não só dos desenhos (lápis, arte-final, etc) como também das cores. Enquanto eu, como roteirista, fico encarregado não só do roteiro, mas também do letreiramento (balões e textos). Eu gosto de fazer o letreiramento pois isso me permite fazer uma última edição no meu texto para que ele fique o mais harmônico possível com os desenhos. Além disso, também sou o encarregado por publicar os quadrinhos no site, e gerenciá-lo como um todo.

Os quadrinhos em pergaminho são formados por “páginas” dispostas uma abaixo da outra, fazendo com que a leitura dele no celular seja feito apenas rolando a tela. A quantidade de páginas num pergaminho costuma variar a depender do tamanho da sequência narrativa contida nele, que seria o equivalente a um capítulo da HQ. Cada página que forma o capítulo-pergaminho possui um formato de 940px de largura e 4000px de altura. É por cada uma dessas páginas desenhadas que você será pago.

Você também será pago por qualquer desenho ou ilustração que você precise fazer para compor o site, como capas e imagens de cabeçalho, ou por desenhos/ilustrações que você precise fazer para promover as HQs na Internet e redes sociais.

A fonte de financiamento dos quadrinhos do Homem-Grilo é um financiamento coletivo recorrente no Catarse Assinaturas. O dinheiro arrecadado com esse financiamento é usado tanto para pagar os custos de manutenção do site (servidor, domínio, etc), como o seu trabalho como desenhista, e o meu trabalho como roteirista. Eventualmente também servirá para pagar outros profissionais necessários, como revisores, tradutores, etc.

A periodicidade de publicação dos capítulos-pergaminhos dependerá então da quantidade de apoiadores que tivermos no Catarse. Quanto mais apoios, mais frequentes serão as publicações. A princípio, a quantidade de páginas de pergaminho produzidas por mês será bem pequena. Mas é importante que você tenha pelo menos um dia livre disponível na sua semana para poder se dedicar a produção dos quadrinhos. E com o tempo, com o crescimento dos apoiadores e do ritmo de publicação, você precisará dispensar mais tempo livre na semana para produzir as HQs do Homem-Grilo.

Não é necessário gostar de super-heróis para desenhar o Homem-Grilo (eu mesmo não gosto, como explico neste texto), mas você tem que em algum momento da sua vida ter lido um pouco dos quadrinhos desse gênero, ou ao menos ter um conhecimento básico para sacar as referências e os clichês com os quais o Homem-Grilo brinca e parodia em suas histórias.

Não estou procurando por nenhum estilo de desenho específico. O Homem-Grilo é um personagem bem versátil que se adapta bem a vários estilos diferentes. Inclusive, se você for capaz de fazer diversos estilos de traço, isso será uma vantagem. Mas, em geral, os desenhistas que passaram pelo Homem-Grilo costumam ter um estilo que fica num meio-termo entre os quadrinhos clássicos de super-heróis e os cartoons.

É necessário frisar que a relação que teremos na produção dos quadrinhos do Homem-Grilo não será de patrão e funcionário, mas sim de dois colegas de trabalho produzindo em coautoria uma obra artística, no qual ambos poderão contribuir igualmente no processo criativo. Meu roteiro não é uma “camisa de força”, e há bastante abertura nele para que você possa acrescentar a sua visão criativa, contribuindo desse modo para o enriquecimento da HQ.

Algo bem importante de você saber é que o Homem-Grilo, assim como todos os meus quadrinhos autorais, são publicados sob uma licença livre Creative Commons BY-SA, pois eu adoto um modo de produção e publicação anticapitalista de quadrinhos, como explico neste texto. Portanto, se você não concorda com esse meu posicionamento político, e não é a favor da cultura livre e do copyleft, talvez esse trabalho não seja para você.

E, por fim, o mais importante de tudo, é preciso que você esteja consciente de que esse trabalho não se trata de um freelance pontual de um fim de semana. É um trabalho que provavelmente irá consumir vários anos de sua vida, ainda que não de forma contínua, mas intermitente. Por isso é de suma importância que você esteja apto e de acordo em assumir esse compromisso comigo, que será praticamente como um “casamento” entre nós dois.

O Homem-Grilo já possui 20 anos de idade desde a publicação de sua primeira tira, e bem mais se contarmos desde sua criação quando eu ainda era adolescente. Nesse tempo todo o personagem ganhou leitores de várias gerações e idades. É o trabalho de uma vida pra mim. E, por isso, preciso que você o encare como um trabalho de uma vida pra você também. Se esse for um compromisso muito pesado para você assumir, definitivamente esse trabalho não é para você.

Então, se você chegou até aqui, concorda com tudo que foi disposto acima, e ainda quer ser o desenhista oficial do Homem-Grilo, entre em contato comigo através deste formulário, informando um link para o seu portfólio, e o valor que você gostaria de ser pago por página de pergaminho (lembrando que essa página possui o formato de 940px de largura e 4000px de altura). E aí, talvez, possamos começar a trabalhar junto nos quadrinhos do Homem-Grilo num futuro próximo.

Sobre Domínio Público e Cultura Livre

O 1º dia do ano é conhecido internacionalmente como Public Domain Day, pois é a data oficial em que obras entram em domínio público após cumprirem os prazos estipulados por leis de direito autoral, que variam em cada país (no Brasil o prazo é de 70 anos após a morte do autor).

Nos EUA, cujo prazo de domínio público conta a partir do registro da obra no país, e não da morte do autor, estão entrando em domínio público livros clássicos como The Great Gatsby de F. Scott Fitzgerald, Mrs. Dalloway de Virginia Woolf e In Our Time de Ernest Hemingway.

No entanto, todas essas obras citadas já eram para ter entrado em domínio público em 2001, não fosse um lobby que a Disney fez no congresso estadunidense que expandiu o prazo para a entrada em domínio público (na época 75 anos após o registro) em mais 20 anos.

Essa artimanha, que ficou conhecida como Lei Mickey, é sempre utilizada pela Disney toda vez que a primeira obra de seu principal personagem, Steamboat Willie, está prestes a entrar em domínio público.

E é provável que até 2024, quando o Mickey de Steamboat Willie deverá entrar em domínio público pela lei atual, a Disney faça novamente lobby para estender o prazo de copyright. O problema que a lei vale para todas as obras, impedindo que todas entrem em domínio público.

Agindo assim, a Disney está invalidando o domínio público. E isso é extremamente perigoso para a existência da própria cultura humana. Inclusive a existência do domínio público é vital para o próprio funcionamento do direito autoral ou do copyright.

Alias, sem o domínio público, a própria Disney não teria conseguido fazer a maioria de seus grandes sucessos de animação, e provavelmente não seria a gigantesca corporação que é hoje. Mas a grana e a hipocrisia falam mais alto.

Não bastasse a extensão do copyright, essas mudanças na lei vêm paulatinamente subvertendo o conceito de direito autoral e transformando-o em propriedade privada (que são conceitos distintos, mas que infelizmente muitos confundem como iguais, inclusive muitos autores).

Mas autoria não é propriedade privada. Pois toda criação autoral deriva do que veio antes, portanto, do domínio público. Assim sendo, ao domínio público um dia deve voltar. É por isso que autoria não pode ser herdada ou deixada de herança como uma propriedade privada.

E eis a importância de movimentos de cultura livre e copyleft do qual eu e muitos outros autores fazemos parte. A nossa intenção é criar um poço de obras livres que sirvam de resistência a privatização da autoria e do domínio público que grandes corporações como a Disney estão tentando fazer e que, se não for impedida, irá culminar na privatização da própria cultura popular e de bem comum.

Em tempo, todos os meus quadrinhos autorais podem ser acessados e lidos gratuitamente, e estão sob uma licença aberta Creative Commons (CC BY-SA) que permite o livre compartilhamento e a criação de obras derivadas, inclusive para uso comercial.

Sobre Anticapitalismo, Reumatismo, Crise e Isolamento

Este final de semana está acontecendo mais uma CCXP, e isso me lembra que já vai fazer um ano que me aposentei dos eventos de quadrinhos (o último que participei foi justamente a CCXP 2018). Decisão que tomei a princípio devido ao meu problema de saúde com o reumatismo, mas que serviu como estímulo para eu enfim adotar uma produção de quadrinhos anticapitalista que vinha ensaiando há algum tempo (e que já abordei em postagens anteriores aqui do blog).

Mas o que significa produzir quadrinhos de forma anticapitalista? Bem, pra isso precisamos primeiro entender o que é o capitalismo. E ele pode ser entendido como um sistema socioeconômico no qual os processos de circulação e acumulação de capital são hegemônicos na formação das bases materiais da nossa vida social e política.

Então uma produção anticapitalista de quadrinhos deve desvincular nos leitores a noção capitalista de quadrinhos como uma mercadoria a ser vendida num mercado visando a acumulação de capital (sobretudo quando falamos das grandes corporações como a Marvel/Disney). Com isso o objetivo é que a longo prazo seja priorizado pelos leitores o valor de uso dos quadrinhos, e não seu valor de troca (fazendo com que a acumulação de capital não seja mais o fator hegemônico na cadeia produtiva).

E o valor de uso dos quadrinhos é o seu valor como objeto cultural e artísticos propagador de histórias, narrativas e experiências que possam gerar repostas tanto emocionais quanto intelectuais nos leitores, e também, porque não, políticas. De tal modo que os leitores sintam vontade de compartilhar esses quadrinhos com outras pessoas, e até mesmo de criar seus próprios quadrinhos a partir desses, propagando ainda mais o valor de uso dos quadrinhos na sociedade.

Isso só é possível, no entanto, se esses quadrinhos forem distribuídos numa lógica de copyleft e de cultura livre, que permita que eles possam ser livremente acessados, compartilhados e remixados. E deste modo a remuneração do produtor não está mais atrelada ao comércio de uma mercadoria (já que a HQ não existe mais como tal), mas aos custos que ele tem em se manter produzindo. Afinal, apesar de a produção ser anticapitalista, o produtor ainda vive (por enquanto) numa sociedade capitalista e precisa pagar suas contas dentro da lógica desse sistema.

E dadas as condições materiais postas por eu ainda estar inserido numa sociedade capitalista, a única forma que vejo de produzir quadrinhos de forma anticapitalista é abandonando totalmente os quadrinhos impressos (e seus modos de distribuição) e adotando apenas o formato de publicação e distribuição digital. E a remuneração sendo feita de forma espontânea pelos leitores através de financiamento coletivo recorrente.

Deste modo, mesmo que eu milagrosamente me curasse do reumatismo hoje, não faria mais sentido pra mim voltar a imprimir meus quadrinhos e ir vendê-los em livrarias ou nos eventos como fiz nos últimos 19 anos.

Mas eu não estou curado, e a doença tem me atrapalhado bastante a colocar esse meu plano em ação. Já era pra eu estar com uma boa produção de quadrinhos digital em andamento, mas este ano de 2019 eu passei mais tempo doente na cama do que fora dela. A sorte é que eu tenho contado com uma boa paciência dos meus apoiadores (valeu mesmo, pessoal), mas isso não tem contribuído muito para que eu consiga novos.

Pra piorar, a política do Bolsonaro/Guedes foi devastadora para área cultural em que eu trabalho, em especial o mercado editorial, que já vinha mal das pernas do governo Temer. Com isso, os trabalhos minguaram, e a minha renda também, tornando tudo ainda mais difícil de ser feito, adiando ainda mais os planos com meus quadrinhos.

Não tenho perspectivas de que a situação política e econômica no Brasil melhore para 2020, mas espero que minha situação pessoal se estabilize um pouco para que eu possa me organizar melhor e colocar esses planos doidos pra funcionar. Afinal, é em momentos de crise que loucuras como essa que estou propondo tende a dar certo. Até porque, é a única forma que tenho de ainda conseguir continuar fazendo quadrinhos. Então pra mim será tudo ou nada.

Em tempo, tenho me sentindo bastante isolado da comunidade de quadrinistas, já que não há mais ninguém produzindo quadrinhos dessa forma que explanei acima (pelo menos ainda não descobri). E, portanto, não tenho com quem discutir sobre isso, saber se estou fazendo certo ou errado. E o fato de eu não conseguir mais ir no eventos e estar em Osasco (já quase em Carapicuíba) contribuiu ainda mais com minha sensação de isolamento, já que é difícil convencer a galera a vir pra cá.

E ainda tem o fato de que toda vez que surge alguma discussão na comunidade de quadrinistas no Facebook ou no Twiiter, em geral tem a ver com questões tradicionais do mercado de quadrinhos. Questões essas que agora se tornaram irrelevantes pro tipo de produção anticapitalista que me propus a fazer. E aí novamente me vejo isolado dos outros quadrinistas.

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O Ciclo Cosmogônico em Quadrinhos

Cosmogonias - Capa

Não gosto de fazer postagens de explicação dos meus próprios quadrinhos, pois acho que isso é como explicar uma piada, mas vou abrir uma exceção para falar sobre como a forma, o conteúdo e a temática de Cosmogonias se relacionam.

Até porque Cosmogonias foi publicada em 2016, então quem tinha que ler já leu, e os leitores, como constatei pelas resenhas e contatos direto, já avançaram em todas as camadas, elementos e referências que coloquei nas histórias. Com exceção de um. Bem, até agora.

Não que fosse algo muito complexo, ou muito “cabeça” de entender, mas é que para perceber esse elemento de Cosmogonias precisa de uma atenção a detalhes que talvez não se perceba numa primeira leitura. E a intenção é que de fato se fizesse mais de uma leitura para poder entender.

Pois bem. Ontem um leitor me enviou um e-mail dizendo que adorou a forma como eu construí a própria revista como se fosse um ciclo cosmogônico infinito, que começa na capa, atravessa todo o miolo, terminando de novo na capa, que por ser dupla, reiniciasse assim o ciclo.

Como disse, isso não é algo complexo de se perceber, mas requer atenção. E esse leitor foi o primeiro, até onde sei, a perceber isso. Perguntei então como ele chegou a essa interpretação.

E ele me disse que foi quando sacou que a primeira HQ (que chama justamente Cosmogonia) ao mesmo tempo abre e fecha a revista, funcionando como um requadro literário pras outras histórias e dando união a tudo.

Ele inclusive percebeu algo que não foi minha intenção, que a ideia da própria revista como um ciclo cosmogônico infinito funciona também se as HQs forem lidas de forma inversa.

Eu tendo a escrever minhas histórias sempre imaginando o leitor ideal que vai conseguir avançar em todas as camadas, elementos e referências, mas obviamente, sem deixar de lado o leitor que apenas ficou na primeira camada. A HQ tem que se interessante para ambos.

Mas é bem recompensador quando você percebe que possui leitores que realmente se esforçam para avançar nas camadas de interpretação de sua obra, e todo o esforço que você teve construindo essa experiência narrativa não foi em vão.

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Adaptando meus Quadrinhos para a Leitura em Celular

Screenshot do Celular

Como a partir deste ano não pretendo mais fazer quadrinhos impressos, apenas digitais, decidi abandonar o formato tradicional de página e adotarei o formato de pergaminho, que permite uma visualização e leitura melhor no celular. Minhas futuras HQs serão publicadas nesse formato.

Deste modo, também irei converter aos poucos as minhas HQs antigas para o formato pergaminho. Comecei os testes com o quadrinho que fiz com o Mario Cau para a minha antologia Cosmogonias.

Também estou fazendo testes de formato para a publicação de HQs direto em redes sociais como o twitter, o instagram e o facebook, adaptando-as as características de cada rede.

No twitter, por exemplo, estou aproveitando o esquema de thread para publicar as HQs. Você pode conferir o primeiro teste que fiz publicando quadrinhos no twitter através do formato de thread com a HQ Cosmogonia que fiz com o Jozz.

Uma das vantagens em se publicar quadrinhos no twitter aproveitando o formato da thread é que dá pra transformar depois em uma página html usando apps como o Thread Reader, permitindo mesmo quem não tenha twitter consiga ler.

A desvantagem do twitter é como as imagens aparecem na thread no formato 16:9, a leitura no celular na vertical fica um pouco prejudicada (mas na horizontal fica bom). Como eu quero que você leia sem precisar ampliar a imagem, ainda estou testando o tamanho de fonte ideal.

Enfim, ainda há muito o que se testar pra ver o que funciona na produção de quadrinhos digitais para as diversas plataformas e dispositivos, mas estou entusiasmado com esse desafio. E você pode me ajudar nessa jornada assinando o meu Catarse.

Lembrando que todos os meus quadrinhos publicados na Internet estão sob uma licença Creative Commons que permite a você compartilhar, copiar e redistribuir, assim como adaptar, remixar, transformar e criar obras derivadas, mesmo para uso comercial.

Um adendo. O formato pergaminho é o padrão usado nas webcomics de plataformas como o Tapas e o Web Toons Então adotando esse formato para minhas HQs, ficará fácil de publicá-las depois nessas plataformas. Mas elas continuaram a ser publicadas primeiramente no em seus sites próprios.

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