O Fim do (Quarto) Mundo

Fim do Quarto Mundo.

Não faço mais parte do Quarto Mundo desde outubro de 2009. Uma série de fatores me levaram a sair do coletivo, mas o principal é que as funções que eu desempenhava lá dentro estavam me sobrecarregando, a ponto de não sobrar mais tempo hábil nem para minha produção pessoal. Dali pra frente continuei apenas ajudando o Quarto Mundo nas vendas dos quadrinhos em alguns eventos, mas já não tinha mais nenhuma relação na administração do grupo ou participação ativa dentro do coletivo.

O Quarto Mundo foi muito importante para o meu aprendizado como quadrinista, tanto pelo acertos, quanto pelos erros (os quais procuro não repetir no Petisco, o coletivo do qual agora faço parte). Não vejo seu fim como algo ruim, nem com tristeza, mas como uma jornada concluída.

A principal proposta do Quarto Mundo era ajudar a fortalecer um “mercado” de quadrinhos independentes que funcionasse em sinergia com o mainstream. E isso de fato aconteceu. A melhor amostra disso é o FIQ.

No primeiro FIQ que o Quarto Mundo participou, em 2007, havia, se não estou enganado, três estandes de quadrinhos independentes, sendo que um era o do Quarto Mundo, o outro o da Graffiti junto com outras publicações independentes de Belo Horizonte (e que mais tarde também iriam integrar o Quarto Mundo), e o terceiro era um estande reunindo a galera dos “Quadrinhos Dependentes” (mas ainda não com esse nome).

Já no último FIQ, de 2011, havia uns 10 estandes de grupos de quadrinistas independentes, e diversos outros que estavam com mesas, como foi o meu caso com o Petisco. Uma evolução e tanto, não?

Diante desse novo cenário, um grupo tão grande e com tantos membros como o Quarto Mundo (e que se tornou engessado justamente por seu tamanho) não faz mais sentido já que há diversos outros grupos ocupando o espaço nos eventos e alimentando a produção independente, como é o caso do próprio Petisco.

Ou seja, o Quarto Mundo pode ter acabado mas seus ideais continuam firmes e fortes em diversos outros coletivos independentes que continuam mantendo a produção de quadrinhos viva por todo Brasil, seja de forma impressa, ou online na Internet.

O Quarto Mundo está morto. Vida longa ao Quarto Mundo. =D

Quadrinhos do Monstranho na Revista Mundo Estranho

Monstranho - Davi Calil

A partir deste mês, os quadrinhos do personagem Monstranho, publicados na revista Mundo Estranho, passam a ter roteiros escritos por mim. Os desenhos são do Davi Calil, que já era o desenhista regular da HQ antes de eu assumir o roteiro.

Pra quem não conhece, a proposta da revista Mundo Estranho é responder perguntas e curiosidades enviadas pelos leitores, e eles fazem isso de diversas formas, seja com textos, com infográficos, e também com quadrinhos. E para isso eles contam com o personagem Monstranho, que toda edição possui duas páginas de quadrinhos para responder alguma pergunta ou curiosidade. E a pergunta que ele responde este mês, que já conta com roteiro meu, é “O que é DDA?”.

Está sendo uma experiência bem legal escrever os roteiros do Monstranho, e também uma excelente oportunidade de trabalhar com um desenhista tão foda como o Davi Calil. E espero que meus leitores também gostem. =)

Como Fazer uma História em Quadrinhos e Entrar no Mercado de HQs

Apesar de não ser nenhum expert em quadrinhos, esse ano vai fazer dez anos que estou trabalhando com HQs, e por isso costumo receber muitas perguntas e dúvidas da galera que está começando agora ou quer começar. E essas perguntas podem ser resumidas em basicamente duas: Como se faz uma história em quadrinhos? E como se faz pra entrar no mercado de quadrinhos?

Bem, eu vou deixar que dois mestres dos quadrinhos respondam essas perguntas por mim, usando para isso os próprios quadrinhos.

O primeiro deles é o Laerte, em uma página de quadrinhos que ele fez para a edição nº 9 da revista Piratas do Tietê publicada em maio de 1991.

Laerte - Como Fazer um Fanzine

E o nosso segundo mestre é o Scott McCloud. Vamos ver o que ele diz nesta página retirada de seu livro Reiventando os Quadrinhos publicado originalmente em 2000.

Como fazer uma Revista em Quadrinhos

Pois bem, como o Laerte e o McCloud deixam claro em suas HQs, começar a publicar e vender sua própria revista em quadrinhos é algo bem simples, não requer prática, muito menos experiência, e nem necessita da presença de um adulto por perto. =)

E hoje fazer e publicar quadrinhos é ainda mais fácil, e não requer nenhum gasto com impressões ou xerocs. Você só precisa montar um blog/site e começar a publicar seus quadrinhos na Internet como eu faço. E então basta você conquistar os seus mil fãs verdadeiros que irão bancar a sua produção.

É claro que essa sustentabilidade da sua produção de quadrinhos não virá da noite para o dia. É preciso de alguns anos publicando constantemente, e ganhando quase nada, para que isso aconteça. Por isso, para viver fazendo quadrinhos é preciso de muita força de vontade, autodisciplina e perseverança. Não é algo fácil, mas, afinal de contas, o que nessa vida é? =D