A volta do Homem-Grilo, e porque o universo dele foi unificado ao do Sideralman

Homem-Grilo e Sideralman juntos.

Como alguns de vocês já devem estar sabendo, em breve lançarei o gibi Homem-Grilo & Sideralman nº01.

Mas confesso que minha intenção não era voltar com o Homem-Grilo. Não tava mais a fim de escrever novas HQs do personagem. Como havia dito pra alguns amigos próximos, minha intenção no máximo era escrever apenas mais uma história do Homem-Grilo, no qual eu mataria ele, e nunca mais iria querer saber novamente do personagem.

Isso, no entanto, não significaria o fim definitivo dele, por dois motivos. Primeiro, nenhum super-herói permanece morto pra sempre (como os leitores da Marvel e DC bem sabem). Segundo, a licença Creative Commons do Homem-Grilo permite que qualquer um possa criar HQs com o personagem, independente de eu ter matado ele ou não. Mas de minha parte, o Homem-Grilo estaria encerrado.

Duas coisas me levaram a querer desistir de escrever novas HQs do Homem-Grilo. O fato de ter ficado sem um desenhista regular para as HQs (lembrando, eu sou apenas roteirista), e de não gostar mais tanto assim de super-heróis como gostava, ao ponto de deixar de acompanhar completamente os quadrinhos do gênero. E isso é um problema e tanto para quem escreve uma HQ que é uma paródia a esse universo de heróis de colante e cueca por cima da calça (ainda que alguns já estejam abandonando esse visual).

Na verdade, nos últimos anos cheguei a pegar até um certo ódio de super-heróis. Sobretudo pelo maniqueísmo dessas histórias, e que vejo muitos leitores replicando no mundo real, como se a vida fosse apenas preto ou branco, 0 ou 1, vermelho ou azul, 8 ou 80, e todos pudessem ser facilmente divididos entre os que são bons e os que são maus de forma absoluta. Esse pensamento aplicado a política, então, só gera generalismos e fanatismo, com pessoas tratando partidos políticos como se fossem times de futebol, e não percebendo que política é algo suprapartidário, e os verdadeiros problemas do Brasil não estão em partido x ou y, mas na própria estrutura do sistema sócio-político-econômico, que precisa ser urgentemente reformado para que possamos ter de fato uma democracia mais participativa, transparente e eficiente. Mas essa é uma outra discussão, voltemos ao assunto do post.

O que então me fez mudar de ideia e voltar com o Homem-Grilo? Bem, muitos leitores, assim como amigos e conhecidos, começaram a me pedir bastante para continuar escrevendo novas histórias do personagem. E, por incrível que pareça, o site do Homem-Grilo, apesar de um bom tempo sem ser atualizado, continua tendo uma boa visitação, bem mais, por exemplo, que o site de Nova Hélade, que tenho mantido mais atualizado. Isso até que deu uma motivada.

Outro ponto é que o Homem-Grilo, justamente por estar em Creative Commons, começou a ser usado em materiais didáticos distribuído em escolas públicas, como foi o caso dos Cadernos de Apoio e Aprendizagem. Isso gerou um efeito interessante, que foi a renovação do público leitor dele. E não só renovação, mas um rejuvenescimento também, já que se tratam de crianças e adolescente das séries do fundamental. Ou seja, enquanto antigamente o público do Homem-Grilo era mais velho, formado por gente que cresceu lendo os gibis de super-heróis nos formatinhos da editora Abril nos anos 90, agora a maioria do público do meu herói se encontra na faixa etária dos 10 aos 15 anos, e muitos deles teve contato com super-heróis não pelos quadrinhos, mas provavelmente por desenhos animados na TV, por filmes ou pelos games (e tudo isso está me fazendo rever a forma como escrevo o Homem-Grilo). E isso também me animou mais um pouco.

Mas a principal motivação se chama Will. Foi ele o verdadeiro responsável por eu ter decidido continuar a escrever o Homem-Grilo. Mais do que um colega de trabalho, o Will se tornou pra mim um verdadeiro amigo. Daqueles que você pode contar pra qualquer coisa. Como o Daniel Esteves costuma dizer, o Will é o cara que resolve, não importa o problema. E ele resolveu meu problema com o Homem-Grilo.

Em 2009, o Will havia me chamado para escrever os roteiros das duas HQs que seriam publicadas na revista do Sideralman #02, uma sendo do próprio Sideralman, e outra do Demetrius Dante. Gostei tanto de escrever histórias desses dois personagens que fiquei a fim de escrever mais. Então, com a autorização do Will, comecei a bolar novas histórias e ideias pro universo deles. Mas acabei me concentrando mais no Demetrius Dante, pois sempre gostei de histórias policiais que envolvam mistérios sobrenaturais, ao melhor estilo Dylan Dog (uma das inspirações óbvias do Demetrius). Com a criação do Petisco em 2011, o Will começou a postar as HQs do Demetrius online, e foi aproveitando as minhas ideias e personagens coadjuvantes que eu havia criado. Mas nisso acabou deixando o Sideralman de lado, assim como eu havia deixado o Homem-Grilo pra se concentrar em Nova Hélade e outros projetos.

Ειs então que o ano passado, já motivado a voltar com o Homem-Grilo, propus ao Will desenhar as HQs do personagem (lembre-se, eu estava sem desenhista regular). E mais do que isso, como já estava há algum tempo mesmo desenvolvendo ideias pro Sideralman, porque não então juntar nossos heróis no mesmo universo? Assim poderíamos numa mesma tacada retirar os dois heróis do ostracismo e colocá-los em atividades novamente. O Will aprovou a ideia e aqui estamos.

Com isso, o site do Homem-Grilo passa a se chamar Homem-Grilo & Sideralman, e a proposta é daqui em diante ele trazer HQs alternadas de ambos os heróis, escritas por mim e desenhadas pelo Will. De vez em quando, pode aparecer por lá também HQs dos outros heróis que compõem o universo deles. E além das HQs online, teremos também o gibi impresso Homem-Grilo & Sideralman, que poderá trazer tanto HQs que já foram publicadas online, quanto HQs inéditas (mas que mais cedo ou mais tarde também serão publicadas no site).

E, por fim, com os universos unificados, isso significa que o Sideralman agora também está sob a mesma licença Creative Commons do Homem-Grilo, ou seja, quem quiser criar obras derivadas com o personagem do Will tá liberado, basta apenas seguir as regras da licença.

Espero que tanto os leitores do Homem-Grilo quanto os do Sideralman gostem dessa nova fase dos nossos heróis, pois ao menos do lá de cá, eu e o Will estamos bem empolgados. =D

Capa do gibi Homem-Grilo e Sideralman #01.

8º Festival Internacional de Quadrinhos

Nesta semana, dos dias 13 a 17, acontece mais uma edição do FIQ em Belo Horizonte. E eu estarei lá todos os dias do evento no estande do Petisco, junto com outros autores do nosso coletivo.

Estaremos realizando diversas atividades no estande, entre sessões de desenhos ao vivo, a lançamentos dos nossos novos quadrinhos. Confira no site do Petisco a programação completa.

E se você quiser comprar algum dos meus quadrinhos, pegar autógrafo ou somente bater-papo, apareça lá no estande. =)

8º Festival Internacional de Quadrinhos.

O Fim do (Quarto) Mundo

Fim do Quarto Mundo.

Não faço mais parte do Quarto Mundo desde outubro de 2009. Uma série de fatores me levaram a sair do coletivo, mas o principal é que as funções que eu desempenhava lá dentro estavam me sobrecarregando, a ponto de não sobrar mais tempo hábil nem para minha produção pessoal. Dali pra frente continuei apenas ajudando o Quarto Mundo nas vendas dos quadrinhos em alguns eventos, mas já não tinha mais nenhuma relação na administração do grupo ou participação ativa dentro do coletivo.

O Quarto Mundo foi muito importante para o meu aprendizado como quadrinista, tanto pelo acertos, quanto pelos erros (os quais procuro não repetir no Petisco, o coletivo do qual agora faço parte). Não vejo seu fim como algo ruim, nem com tristeza, mas como uma jornada concluída.

A principal proposta do Quarto Mundo era ajudar a fortalecer um “mercado” de quadrinhos independentes que funcionasse em sinergia com o mainstream. E isso de fato aconteceu. A melhor amostra disso é o FIQ.

No primeiro FIQ que o Quarto Mundo participou, em 2007, havia, se não estou enganado, três estandes de quadrinhos independentes, sendo que um era o do Quarto Mundo, o outro o da Graffiti junto com outras publicações independentes de Belo Horizonte (e que mais tarde também iriam integrar o Quarto Mundo), e o terceiro era um estande reunindo a galera dos “Quadrinhos Dependentes” (mas ainda não com esse nome).

Já no último FIQ, de 2011, havia uns 10 estandes de grupos de quadrinistas independentes, e diversos outros que estavam com mesas, como foi o meu caso com o Petisco. Uma evolução e tanto, não?

Diante desse novo cenário, um grupo tão grande e com tantos membros como o Quarto Mundo (e que se tornou engessado justamente por seu tamanho) não faz mais sentido já que há diversos outros grupos ocupando o espaço nos eventos e alimentando a produção independente, como é o caso do próprio Petisco.

Ou seja, o Quarto Mundo pode ter acabado mas seus ideais continuam firmes e fortes em diversos outros coletivos independentes que continuam mantendo a produção de quadrinhos viva por todo Brasil, seja de forma impressa, ou online na Internet.

O Quarto Mundo está morto. Vida longa ao Quarto Mundo. =D

Quadrinhos do Monstranho na Revista Mundo Estranho

Monstranho - Davi Calil

A partir deste mês, os quadrinhos do personagem Monstranho, publicados na revista Mundo Estranho, passam a ter roteiros escritos por mim. Os desenhos são do Davi Calil, que já era o desenhista regular da HQ antes de eu assumir o roteiro.

Pra quem não conhece, a proposta da revista Mundo Estranho é responder perguntas e curiosidades enviadas pelos leitores, e eles fazem isso de diversas formas, seja com textos, com infográficos, e também com quadrinhos. E para isso eles contam com o personagem Monstranho, que toda edição possui duas páginas de quadrinhos para responder alguma pergunta ou curiosidade. E a pergunta que ele responde este mês, que já conta com roteiro meu, é “O que é DDA?”.

Está sendo uma experiência bem legal escrever os roteiros do Monstranho, e também uma excelente oportunidade de trabalhar com um desenhista tão foda como o Davi Calil. E espero que meus leitores também gostem. =)