Demetrius Dante e a Zombie Walk SP 2009

Demetrius Dante,Will,Cadu Simões,Laudo,Omar,Zombie Walk,Quadrinhos

Essa é a primeira página de uma HQ que eu escrevi do Demetrius Dante e que foi desenhada pelo Laudo e arte-finalizada pelo Omar. Ela será publicada na segunda edição da revista do Sideralman, a ser lançada no fim deste mês. Aliás, essa revista também irá trazer uma HQ do Sideralman escrita por mim.

Tanto o Sideralman, o paladino de Nova-Luz, quanto o Demetrius Dante, o detetive do absurdo, são personagens criados pelo Will, e eu me sinto muito honrado por ele ter confiado em mim para escrever roteiros de seus personagens, ainda mais sabendo do meu estilo de humor surtado, nonsense e nada convencional que costumo imprimir em minhas histórias. =)

A trama dessa história do Demetrius eu reaproveitei de uma micro-hq dele de apenas duas páginas que eu já havia escrito pra segunda edição do Contos da Madrugada. Basicamente é o seguinte; zumbis de verdade invadem a Zombie Walk em São Paulo e Demetrius Dante tem que detê-los para impedir que a cidade se transforme num caos maior do que já é.

O que fiz então para essa versão da história que será publicada na Sideralman nº 2 foi aumentar o número de páginas e adicionar novos elementos a trama. Inclusive, as páginas estão cheia de referências a esse universo cult dos zumbis (que na verdade, acho que nem são mais tão cult assim e já cairam no gosto popular).

E por falar em Zombie Walk SP, a deste ano acontecerá no dia 02 de novembro (dia de finados), mas os percurso mudou, e diferente dos anos anteriores não será iniciada no MASP. O ponto de encontro dos mortos-vivos será na Praça da Patriarca, e a caminha zumbi seguirá até a Praça Roosevelt, onde os participantes da Zombie Walk poderão fazer uma parada na livraria HQ Mix e comprar a Sideralman nº 2 com essa minha HQ do Demetrius Dante. =)

Sobre Webcomics

As já são uma realidade. Principalmente lá fora. Diversos quadrinistas gringos já estão vivendo, e de forma independente, de suas histórias em quadrinhos publicadas na Internet. É o caso de Dave Kellet da série Sheldon, Brad Guigar de Evil Inc, Kris Straub de Starslip Crisis e Scott Kurtz de PvP. Não por acaso os quatro se reuniram para escreverem um livro onde relatam suas experiências, chamado How To Make Webcomics. As webcomic estão se popularizando tanto que até as grandes editoras começaram a investir, como é o caso da Zudacomics criado pela DC Comics.

Aqui no Brasil, a situação das webcomics é outra e ainda não está tão difundida quanto lá fora. Muito da culpa disso, ao meu ver, são dos próprios quadrinistas brasileiros, pois muitos deles ainda não estão botando muita fé no potencial das webcomics. E por vezes, por um motivo bobo. Percebo que muitos quadrinistas não publicam seus quadrinhos na Internet por considerarem menos “glamuroso” ou com menos prestígio do que publicar numa revista impressa. Mas a verdade é que a mesma coisa, o que importa é produzir e publicar quadrinhos, não importa onde.

E como já escrevi em meu blog, hoje em dia é plenamente possível ganhar dinheiro e viver de quadrinhos online, mesmo no Brasil. Arrisco dizer que a via online pode ser até mais fácil do que a via impressa, tendo em vista a dificuldade que é para distribuir uma revista nesse país. Com as webcomics, você já elimina esse problema. Tanto que estou pensando seriamente em desistir de continuar publicando a revista do Homem-Grilo, se os ganhos com o site do personagem continuarem aumentando. Seguindo o modelo econômico que resolvi adotar pro Homem-Grilo, será muito mais vantajoso apostar apenas nas webcomics. Ainda que hoje em dia os ganhos não sejam o suficiente para eu conseguir viver delas, acredito que se o crescimento continuar nesse ritmo, a médio, ou até mesmo a curto prazo será.

Mas felizmente, a mentalidade dos quadrinistas brasileiros com relação as webcomics está começando a mudar. Alguns, como é o caso de Jean Okada, já estão mostrando serviço e publicando excelentes quadrinhos onlines. Nos últimos post de seu blog, o Paulo Ramos nos mostrou que a produção atual de webcomics tupiniquins está bem grande, ainda mais se comparado com anos anteriores. Como o Hector Lima bem reparou, o Paulo não selecionou o material e foi publicando todo os links que lhe foram enviados, então inconscientemente aplicou a Lei de Sturgeon.

E ai está um dos grandes benefícios das webcomics para os quadrinhos brasileiros. Devido a facilidade de publicar na Internet, teremos com certeza muito mais quadrinhos medíocres do que nas publicações impressas. Mas se essa galera continuar produzindo ininterruptamente, as chances de aparecerem obras que extrapolem os 90% também é bem mais alta. E pela pequena amostra publicada pelo Blog dos Quadrinhos, mesmo as nossas webcomics que ainda estão nos 90% já estão galgando alguns níveis de qualidade acima do mediano.

Há algum tempo atrás, durante um lançamento na livraria HQ Mix, o Paulo Ramos me perguntou qual seria o rumo dos quadrinhos independentes para 2008. Como fui pego de surpresa pela pergunta – e já estava meio alto na hora =) – não soube exatamente o que responder. Mas agora eu já estou pronto para respondê-la, pois o próprio Paulo, sem querer, ou não, já meio que respondeu a sua própria pergunta quando montou aquela lista de webcomics em seu blog.

Em 2007, com a formação oficial do Quarto Mundo, conseguimos mostrar que a publicação independente é uma das melhores saídas para termos grande quantidade de produção e assim podermos criar um mercado de quadrinhos. Agora em 2008 o rumo é mostrar que a via impressa não é a única para os quadrinistas independentes, pois publicar online pode ser tão, ou até mesmo mais viável. Esqueça essa baboseira de que publicar numa revista impressa dá mais prestígio ou coisa que o valha. Isso é um pensamento retrógrado. Como professor de História no ensino fundamental e médio, e observando atentamente o comportamento dos meus alunos, posso afirma com convicção que a molecada de hoje em dia não faz a mínima diferença se os quadrinhos que eles estão lendo está na tela do computador, no pequeno visor de um celular, ou no papel. Ou seja, se o meio onde os quadrinhos estão sendo publicado não importa para o seu leitor, deve muito menos importar para você.

Mas os mais importante de tudo, independente do meio de publicação, é termos uma quantidade grande de produção. Não estamos nem perto ainda de ter produção suficiente para formarmos um mercado de quadrinhos nacional. Precisamos de mais. MUITO mais. Então cambada, todo mundo de volta a seus cadernos de rascunhos e vamos produzir. =)

Quarto Mundo

Alguns de vocês devem lembrar que eu disse que uma das minhas metas pra esse ano de 2007 era criar um coletivo reunindo os diversos quadrinistas independentes espalhados pelo Brasil. Pois bem, mais um desafio na minha jornada foi cumprido. Apresento-lhes o Quarto Mundo!

A ideia por traz do Quarto Mundo é simples. O objetivo desse coletivo é reunir os quadrinistas independentes para se ajudarem mutuamente na solução de problemas comuns que encontramos na produção de nossas revistas em quadrinhos, como a divulgação, distribuição e venda. E o blog será a nossa principal linha de contato, tanto com os leitores, quanto com outros quadrinistas.

No blog do Quarto Mundo pretendemos postar uma lista completa de todas as revistas em quadrinhos independentes que estão sendo publicado no Brasil atualmente. Lá também serão postadas dicas e tutoriais para os quadrinistas independentes, desde coisas referentes a própria produção de uma revista em quadrinhos, até coisas relacionadas a venda, divulgação e distribuição das revistas. Além disso, o blog também servirá para a publicação de HQs online utilizando o sistema do ComicPress, que é o mesmo que utilizo atualmente com o Homem-Grilo.

A pré-estreia do Quarto Mundo aconteceu no evento HQ na BA, onde montamos a nossa banca de quadrinhos independentes. Mas a nossa grande estréia será no FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), a ser realizado em Belo Horizonte na semana que vem, e no qual o Quarto Mundo estará presente com um stand.

Por fim, abaixo vocês podem conferir um video de uma matéria que foi exibida no programa Metropolis da Tv Cultura na última segunda feira falando sobre a criação do Quarto Mundo.

Quadrinhos Online, Adsense e ComicPress

Retomo aqui um assunto que deixei inacabado no post que fiz há algum tempo atrás sobre A Internet e os Quadrinhos Independentes, que é como se ganhar dinheiro publicando quadrinhos online, ou webcomics, como são chamadas lá fora.

Pois bem, eu havia dito que existem dois modelos básicos de comercialização de hqs online, o primeiro é disponibilizando as hqs num formato como o pdf ou cbr, e cobrar pelo download delas, e o segundo é distribuindo as hqs de graça no seu site, e faturar a grana através da venda de produtos que levem a marca de sua hq, como camisetas, canecas, bonés, buttons, etc. Ainda dentro deste modelo de distribuição gratuita, outra forma de rentabilidade é através de banners de propagandas colocados em seu site. E é desta forma que venho ganhando uma graninha com as minhas hqs online, sobretudo com o Homem-Grilo.

Como ainda não comecei a investir pesado em merchandising com o Homem-Grilo, algo que pretendo fazer em breve (então aguardem que virão por aí diversas bugigangas relacionadas ao personagem), o modo como venho tirando uns trocados com o personagem na Internet é com as propagandas do Google AdSense. O AdSense, caso você esteve perdido na nos últimos tempos, é um sistema de banners de propaganda criado pelo Google, cujos anúncios são exibidos dinamicamente através da analise do conteúdo da sua página. Desta forma, os anúncios exibidos são pertinentes aos assuntos tratados na sua página, o que tornam muito maiores as chances de alguma pessoa se interessar e clicar neles. E caso isso aconteça, você ganha alguns centavos que são pagos pelo Google depois que você acumula a quantidade mínima de cem dólares.

Vejo que ainda há muitos quadrinistas incrédulos com relação ao AdSense, apesar de já ter muitos blogueiros por aí ganhando uma boa grana com ele, ao ponto deles abandonarem seus empregos “normais” e passarem a viver apenas como blogueiro profissional, ou probloggers, como alguns preferem ser chamados. Eu até entendo o receio desses quadrinistas. Uma coisa é o AdSense funcionar com um blog, outra coisa é funcionar com um site que publica quadrinhos. E de fato, o adsense funciona muito melhor com um blog. Pra entender o porquê disso, vamos pegar o meu próprio exemplo com o Homem-Grilo.

Ainda estou longe da faturar com o AdSense o que faturam alguns bambambams da blogosfera, como o Edney, por exemplo, mas o faturamento que tenho com o AdSense no site do Homem-Grilo me permite hoje bancar cerca de um terço do custo da revista do personagem. Ou seja, é como se a revista do Homem-Grilo saísse da gráfica com uma parte de sua tiragem já vendida. E o meu rendimento com o AdSense vem crescendo dia-a-dia, e não duvido nada se em pouco tempo eu não estiver ganhando com ele o equivalente ao que ganho como professor de história (e levando-se em conta a merda de salário que um professor da rede pública ganha neste país, não seria lá um feito muito incrível).

Mas o problema de se utilizar o AdSense num site de quadrinhos, é que o sistema dele é muito bom em analisar textos, mas não imagens, como é o caso de uma HQ. Uma forma de contornar esse problema, é colocando palavras-chaves na tag “alt” da sua imagem para que o AdSense possa entender sobre o que ela é, mas a eficiência disso não é tão grande quanto num texto puro. E tem o fato também de um site textual, como é um blog, ser muito melhor indexado pelas ferramentas de busca, como o próprio Google, do que um site que contenha basicamente imagens. Tanto que apesar de ter muito mais visitas lá no site do Homem-Grilo do que tenho aqui no meu blog pessoal, acabo faturando mais com o Adsense aqui. Principalmente porque o número dos assim chamados paraquedistas, que são as pessoas que caem por acaso no seu blog procurando por algum assunto nos mecanismos de busca, é bem maior aqui do que no site do Homem-Grilo. E são essas pessoas as que mais clicam nos anúncios do AdSense. Como vocês podem ver, um blog possui muito mais vantagens para se faturar com o AdSense do que um site de quadrinhos online. Qual seria então a solução para contornar esse problema? Ora, é muito simples. Basta transformar o site onde você publica quadrinhos num blog. E é justamente isso o que fiz com o site do Homem-Grilo.

Se vocês acessarem ele, verão que o site agora está numa plataforma de blog. Não em qualquer plataforma, mas sim no ComicPress, que é um template do WordPress próprio para publicar quadrinhos. Descobri o ComciPress através do Pablo Casado, que junto com o Hector Lima, são os “meus batedores” no front das webcomics. O legal do ComicPress é que ele exibe a tira ou a hq logo acima no cabeçário da página, enquanto os post do blog ficam abaixo. Além disso, ele organiza o arquivo das hqs de duas maneiras, por data e por categoria, facilitando a navegação e a leitura. Você pode por exemplo configurar suas categorias pra organizar suas hqs como se fossem diferentes edições de uma revista em quadrinhos. Isso sem falar na vantagem de ter um que permite você acompanhar as hqs em leitores como o Google Reader. Assim, toda vez que uma nova página de quadrinhos for ao ar, você é avisado pelo seu leitor de feed. Não é à toa que um quadrinistas do calibre de Warren Ellis, adotou o ComicPress para publicar sua primeira webcomics.

Portanto, se você pretende tirar o melhor proveito do AdSense publicando suas hqs online, sugiro que o faça em um blog. Não precisa ser necessariamente com o ComicPress, pode ser no bom e velho Blogger mesmo, como faço em Nova Hélade (apesar que estou tentado a mudá-la para o ComicPress também). Com uma média de mil leitores diários você já começará a ver resultados satisfatório com o AdSense. Aí é só continuar produzindo e conquistando novos leitores.

E além de publicar suas HQs, é importante que você poste também textos, pois é isso que fará com que os paraquedistas encontrem o seu blog. Pode ser textos sobre o processo de produção de suas hqs, ou então dicas para os quadrinistas novatos, ou ainda textos que não tenham necessariamente a ver com quadrinhos, mas que ainda assim estejam dentro do universo da sua hq, como faço com Nova Hélade, onde posto no blog da hq textos sobre história, filosofia e mitologia grega. Assim você também consegue manter uma atualização constante do seu blog, e isso manterá o visitante retornando, mesmo sem novas hqs publicadas. Mas também não deixe de manter a constância na publicação de suas hqs. Neste caso, não siga meu exemplo, que quase nunca consigo cumprir o prazo de uma tira do Homem-Grilo por semana.

Por fim, não vá pensando que só porque você colocou o AdSense no seu blog, os seus ganhos serão astronômicos e você ficará milionário. Não é bem assim. Mas esse modelo de publicação de quadrinhos online que estou lhes mostrando, permite que o grande sonho de todo quadrinista, que é o de poder viver da produção de seus próprios quadrinhos, já não esteja mais tão distante assim (pelo menos não tão distante como costumava ser antes da Internet). E eu pelo menos estou trabalhando duro pra logo logo transformar esse sonho em realidade.

Quinta do Cão

Quinta do Cão

Hoje à noite acontece no clube Outs o projeto Quinta do Cão, com a apresentação de três bandas de rock; Vincebuz, Rock Boots e Projeto Trator.

E quem colar lá irá ganhar na entrada uma revista Garagem Hermética #3. Além disso, estarei com uma banquinha dentro do Outs vendendo várias revistas em quadrinhos independentes.

O Outs fica na Rua Augusta, 414 e a entrada custa R$ 12,00 (homens) e R$ 2,00 (mulheres). Vejo vocês lá!